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A indicação do nome de Jorge Messias foi aprovada pela Comissão de Constituição de Justiça, após uma longa sabatina na quarta-feira (29/4). Mas no plenário, posteriormente, o nome foi rejeitado com 42 votos contra e 34 a favor.
"Normalmente, o Senado ratificaria, com diferentes graus de dificuldade, o indicado apresentado pelo Palácio da Alvorada, mas desta vez não o fez", escreveu o jornal espanhol.
"A rejeição de Messias é um sinal de alerta para Lula, cuja lendária capacidade de mobilizar e forjar alianças está agora em questão."
Segundo o jornal espanhol, "as relações com o chefe do Senado [Davi Alcolumbre] estão completamente rompidas, o que é especialmente perigoso na véspera da campanha eleitoral, justamente quando Lula mais precisa que o Congresso aprove leis como a que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1 — de seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de folga."
"Ele precisa disso mais do que nunca. Sua popularidade está em baixa histórica, e as pesquisas indicam que ele está empatado com o principal candidato de direita, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente."
"Agora Lula terá que tentar reconstruir o diálogo com o Senado, encontrar alguém que consiga passar pelo processo de sabatina e fazer isso rapidamente. A oposição está confiante de que ele não terá sucesso, que a vaga permanecerá em aberto e que a responsabilidade recairá sobre o presidente eleito em outubro."
O jornal argentino Clarín destacou que a rejeição de Messias é "uma severa derrota para Lula e uma vitória para a oposição, representada pelo senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro".
Após a rejeição, "o presidente Lula terá que enviar um novo nome para preencher a vaga deixada por Luis Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal", afirmou o jornal argentino.
A agência de notícias Associated Press (AP) afirmou em texto que o Senado brasileiro "desferiu um golpe político" em Lula e que a rejeição de Messias é "um sinal de que o veterano líder não é popular entre muitos parlamentares". O texto da AP foi reproduzido em sites como o Washington Post e ABC News, nos Estados Unidos.
"O presidente do Senado brasileiro, Davi Alcolumbre, defendeu abertamente outro candidato antes de Lula escolher Messias como seu indicado", afirma o texto da AP. "A imprensa brasileira vem noticiando há meses que o senador estava em desacordo com Lula por este não ter escolhido o ex-senador Rodrigo Pacheco."
A AP cita o analista político Creomar de Souza, que afirma que Lula vinha tendo dificuldades para trabalhar com o Congresso desde que retornou ao cargo, e que a rejeição de Messias seria "a prova definitiva disso".
A agência Bloomberg afirmou que a indicação de Messias por Lula para suceder Barroso "fazia parte de um esforço maior para alcançar um eleitorado religioso e político em rápido crescimento".
"Visto como uma ponte para os evangélicos, Messias teria se tornado a terceira escolha do presidente para integrar a Suprema Corte durante seu mandato atual", diz a Bloomberg.
"A derrota provavelmente agravará as tensões entre o governo de Lula e o Legislativo, onde o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, preferia Rodrigo Pacheco, ex-líder da Casa. A eleição provocou resistência até mesmo entre alguns aliados do governo."
Segundo a Bloomberg, a rejeição de Messias "evidencia a crescente influência de partidos de direita aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Senado brasileiro, órgão que detém o poder de destituir membros da Suprema Corte".
"O ex-presidente e seus apoiadores há tempos criticam o Supremo Tribunal Federal, alegando que suas campanhas contra as chamadas notícias falsas e a desinformação online levaram à perseguição política de figuras conservadoras."
A agência de notícias Reuters noticiou que "nos últimos meses, o governo Lula organizou um esforço de lobby sem precedentes para tentar garantir a aprovação de Messias, depois que os parlamentares reagiram inicialmente de forma negativa à sua nomeação em novembro pelo líder de esquerda."
"Nas últimas semanas, a equipe de Lula buscou apoio de senadores de todo o espectro político, argumentando que Messias poderia ajudar a aliviar as tensões entre o Congresso e a Suprema Corte, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto."
A Reuters destacou que a escolha de Messias, "um batista, também foi vista como um gesto para a crescente comunidade cristã evangélica do Brasil, que representa 27% da população do país".

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