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Derrota no IEM Rio não apaga despedida emocionante de FalleN; veja entrevista

O IEM Rio 2026 terminou de forma dramática para a equipe de Counter-Strike 2 (CS2) da FURIA, após duas derrotas por 2-0 diante da Vitality e Falcons, na semifinal e disputa de terceiro lugar, respectivamente. Para além do resultado, o que mais chamou a atenção foi a clara conexão entre o público brasileiro e Gabriel "FalleN" Toledo. A 245 dias de por fim a uma carreira de mais de 23 anos no mais alto nível competitivo do game, o momento foi vivido intensamente entre o "Professor" e seus mais de cinco mil alunos presentes na Farmasi Arena, zona sudoeste do Rio de Janeiro.

Em seus discurso final, o pro-player brasileiro mais importante de sua geração garantiu que seguirá envolvido com o game. "Temos muito para fazer juntos ainda e, depois, vou ter a oportunidade de fazer muitas outras coisas com vocês fora dos servidores, mas com Counter-Strike no meu coração". O TechTudo esteve presente nos três dias de campeonato e pôde conversar com FalleN para entender mais detalhes sobre seus últimos dias como jogador profissional de CS2. Confira, a seguir, o que de melhor rolou no IEM Rio 2026.

 Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio) IEM Rio 2026: derrota não apaga despedida emocionante de FalleN — Foto: Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio)

Vitality confirma favoritismo e leva o IEM Rio 2026

Após vencer a equipe brasileira na semifinal do IEM Rio pelo placar de 2x0, a Vitality confirmou o seu favoritismo na decisão com o placar sonoro de 3x0 contra o time da Spirit na grande final. Apesar de não ter perdido nenhum mapa da disputa, os placares e os respectivos mapas foram: 16x13 na Mirage (com MVP de ropz), 13x10 na Nuke (com MVP de ZywOo) e na consagração do título, um 13x5 dominante na Dust2 (com MVP de ZywOo).

Em entrevista ao TechTudo, o capitão da Vitality, apEX, falou sobre a sensação de jogar contra todo um estádio e o sentimento de ter avançado à final após Fallen anunciar sua aposentadoria do Counter-Strike. O veterano de 33 anos afirmou que a Farmasi Arena entregou a melhor atmosfera em que ele já jogou e que alguns fãs brasileiros brincaram com o atleta pedindo para deixar a equipe brasileira sair vitoriosa, mas o time europeu, apesar de um ótimo confronto nas semis, mostrou sua superioridade.

 Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio) Vitality foi a campeã do IEM Rio 2026 — Foto: Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio)

FURIA mostra garra, mas é superada nas duas partidas finais

A primeira metade do IEM Rio 2026 mostrou uma FURIA forte, com vitórias convincentes diante da Passion UA e MOUZ, por 2-0 em ambas partidas. Além disso, a campeão do último Intel Extreme Masters realizado na cidade do Rio de Janeiro, em 2024, também foi derrotada: triunfo diante da NAVI por 2-1.

Os resultados garantiram que a equipe brasileira retornasse ao servidor somente no sábado, já garantida nas semifinais do torneio. O chaveamento, contudo, foi cruel ao preparar um econtro entre a FURIA e Vitality, time top #1 global — e mais consistente do último ano.

 Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio) FURIA lotou a Farmasi Arena — Foto: Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio)

A qualidade da equipe adversária não assustou os brasileiros, que foram implacáveis no início do mapa Overpass, com um sonoro 6-0. A partir daí, o planejamento desandou e culminou em uma derrota de 13-10 diante dos europeus. Já em Ancient, o cenário se repetiu: 13-10 para a Vitality.

Em entrevista cedida pós-partida ao TechTudo, Kaike ''KSCERATO'' Cerato contou que a equipe se preparou muito, mas que enfrentou um adversário muito capacitado e experiente.

"Não à toa que eles são os melhores do mundo há um ano já. Então, é bem difícil jogar contra eles. O jogo é jogado, e a gente pecou em alguns momentos", finalizou o atleta.
 Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio) FURIA foi derrotada na semifinal — Foto: Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio)

A grande promessa e AWPer da equipe brasileira, o cazaque Danil "molodoy" Golubenk, teve desempenho bem abaixo do esperado, com K-D de 19/35 ao fim dos confrontos. O jogador foi um dos que mais se emocionaram durante o anuncio de aposentadoria de FalleN.

Anúncio de aposentadoria foi momento único no esport brasileiro

Ao TechTudo, FalleN confidenciou que estava há um tempo pensando em se aposentar do mouse e teclado. "Eu estava entre jogar até a metade desse ano e o final do ano, e conversando com o pessoal da FURIA e os diretores do time eu achei que poderíamos fazer uma coisa com mais calma e qualidade se levássemos até dezembro".

A decisão de anunciar o fim da brilhante carreira no palco do IEM Rio foi consciente, principalmente para que todos os fãs possam aproveitar as competições previstas até o dia 20 de dezembro como uma última dança.

"O pessoal merece saber quando será o último evento. Seria muito chato eu chegar e falar 'po, agora não jogo mais'. Seria uma coisa muito vazia, né. A gente encontrou um jeito legal de construir esse sentimento de vamos acompanhar esse final e que ele seja digno de tudo o que foi construído", adicionou o "Professor".
 Divulgação/Leo Sang (IEM Rio) FalleN durante sessão com fãs no IEM Rio 2026 — Foto: Divulgação/Leo Sang (IEM Rio)

O desafio maior para FalleN, contudo, será encontrar um sucessor para ele: "Vai ser tema desse semestre que está vindo aí. "Além de jogar, pretendo continuar no time da FURIA. Vou continuar com alguma capacidade na equipe de CS e na direção de outras coisas na FURIA".

"O primeiro grande enrosco é quem vai substituir, né. Precisamos ser criativo. Vamos conversar com o time, o treinador, entender as possibilidade de mercado. Esse é um primeiro trampo para todo o pessoal da FURIA quebrar cabeça depois", finalizou.

Legado de FalleN vai para além das conquistas

O ano de 2016 marcou o auge competitivo de Gabriel “FalleN” Toledo, com a conquista de dois dos títulos mais importantes do cenário mundial de Counter-Strike: o MLG Major Championship Columbus 2016 e a ESL One Cologne 2016. O feito, até então inédito para uma equipe brasileira, colocou o país no centro do cenário competitivo global e consolidou o jogador como um dos principais nomes da história do jogo.

O reconhecimento individual veio na mesma proporção. Na tradicional premiação da HLTV, FalleN foi eleito o segundo melhor jogador do mundo naquele ano, ficando atrás apenas de Marcelo “coldzera” David, seu companheiro de equipe.

 Reprodução/HLTV FalleN foi o segundo melhor jogador do mundo em 2016 — Foto: Reprodução/HLTV

Para além das conquistas individuais, esse momento pode ser considerado uma virada de chave para o cenário de esports brasileiro, que se viu no topo pela primeira vez. A campanha vitoriosa liderada por FalleN não apenas quebrou barreiras competitivas, mas também simbólicas: mostrou que era possível disputar no mais alto nível e, principalmente, que o Brasil era um país a ser respeitado.

Ao TechTudo, o capitão da Vitality e campeão do IEM Rio 2026, Dan " apEX " Madesclaire, declarou que, mesmo eliminando a chance de FalleN vencer pela primeira vez no Brasil, tem muito respeito por ele. "Temos um respeito mútuo. Nos conhecemos há 12 anos, já tivemos muitas conversas. Eu o respeito muito e pelo que ele fez. Ele colocou o Brasil no mapa do Counter-Strike e isso é louco. Tenho muito respeito por ele, ele é um grande líder e tem uma carreira maravilhosa".

 Divulgação/Leo Sang (IEM Rio) apEX levou a VItality até seu quarto título do split — Foto: Divulgação/Leo Sang (IEM Rio)

O apelido "Professor" para FalleN não é a toa. O jogador sempre foi conhecido por atuar como IGL (in-game leader), ou seja, o líder responsável por comandar a equipe, definir estratégias e orientar os companheiros durante as partidas.

Além disso, fora do competitivo, FalleN criou iniciativas educacionais voltadas à comunidade, como a Games Academy, plataforma dedicada a ensinar Counter-Strike para jogadores iniciantes e intermediários. A proposta era justamente democratizar o acesso ao conhecimento e ajudar a formar novos talentos no Brasil.

Nesse contexto, o jogador da Letônia Mareks "YEKINDAR" Gaļinskis, que compõe o que deve ser o último quinteto liderado por FalleN em sua carreira como jogador, agradeceu pelo tempo ao lado do brasileiro.

"Assim que me juntei à FURIA, já sabia que ele tinha 22, 23 anos como IGL e era um ídolo para muitas pessoas fora do game. O que eu tento fazer é ser uma esponja e coletar o máximo de conhecimento que posso dele. É interessante, por que não faço isso somente quando ele está de fato ensinando. Sempre que ele é só ele mesmo fico pensando: 'ah, é isso que ele faz'. É muito legal, sempre tenho conversas bem legais com ele e com certeza é um jogador e, principalmente, uma pessoa que inspira", finalizou o player da FURIA.

IEM Rio 2026 contou com apoio do Estado para acontecer

A volta do IEM Rio ao calendário internacional de Counter-Strike passa diretamente por uma articulação entre poder público, iniciativa privada e organizadores globais. Segundo o presidente da Federação do Estado do Rio de Janeiro de Esportes Eletrônicos (FERJEE), Cadu Albuquerque, o órgão entrou nas negociações após a ESL sinalizar que o evento poderia deixar a cidade por questões financeiras. "Sem apoio do poder público, o evento não voltaria. A gente foi até a Suécia, conversou com a organização e construiu essa parceria para trazer o campeonato de volta”.

A articulação envolveu uma triangulação entre FERJEE, governo do estado do Rio de Janeiro e ESL, garantindo as condições necessárias para que o torneio voltasse ao Brasil após um hiato. Para além da relevância esportiva, Cadu destaca o impacto econômico direto desse tipo de evento para a cidade.

“Um evento como esse gera retorno para turismo, hotelaria e comércio. A estimativa é de cerca de R$ 50 milhões, então é um investimento que volta para o estado”, completou o presidente da FERJEE
 Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio) IEM Rio chega a sua quarta edição em 2026 — Foto: Divulgação/Adela Sznajder (IEM Rio)

Já do lado da ESL, organizadora do circuito internacional de Counter-Strike, o Brasil segue como uma peça estratégica dentro de um calendário global. O diretor de esports e Counter-Strike 2 da organização, Marc Winther, reforça que a escolha das sedes passa diretamente pelo engajamento do público. “Os fãs brasileiros são muito engajados. Eles comparecem, compram ingressos e acompanham online. Isso pesa muito na decisão de realizar eventos aqui.”

A empresa adota um modelo híbrido, com eventos fixos na Europa e outros rotativos ao redor do mundo, o que torna a permanência do Brasil no circuito dependente de fatores como audiência, logística e parcerias locais, como a construída no Rio.

Para além do lado corporativo, a ESL apoiou também o anúncio da aposentadoria de FalleN durante o evento. “Anunciar a aposentadoria diante da torcida local é algo único. Quando eles trouxeram essa ideia, nós apoiamos imediatamente.”

A conexão entre Winther e FalleN também ultrapassa o competitivo. O executivo revelou conhecer o jogador há quase duas décadas, desde os tempos iniciais do Counter-Strike 1.6, o que tornou o momento ainda mais significativo. “Foi muito emocional para mim. Conheço o FalleN há quase 20 anos. Ele representa muito para a comunidade brasileira.”

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