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O jornal Wall Street Journal e a rede televisiva CNN noticiaram durante a noite de sexta-feira (20/3) que o Irã lançou de mísseis balísticos contra a ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, citando autoridades americanas não identificadas.
Nenhum dos disparos teria atingido o alvo. Um dos mísseis lançados teria falhado em voo, enquanto o outro foi interceptado por um navio de guerra americano. Não está claro quando eles foram lançados.
A BBC confirmou as informações. Os militares americanos se recusaram a comentar o incidente.
Uma ilha remota no arquipélago de Chagos, no Oceano Índico, Diego Garcia fica a cerca de 3.780 km do Irã. Até então, acreditava-se que o Irã possuía mísseis balísticos de alcance intermediário, capazes de viajar até 2.000 km.
No entanto, alguns analistas militares, incluindo os do Centro de Pesquisa e Educação Alma, de Israel, o míssil Khorramshahr do Irã pode ter um alcance de até 2.900 km.
A tentativa de ataque aéreo ocorreu antes de o Reino Unido concordar em permitir que os EUA usassem bases militares britânicas para atingir alvos iranianos que visam navios no Estreito de Ormuz.
Diego Garcia abriga uma base militar secreta conjunta do Reino Unido e dos EUA, cujo acesso é altamente restrito. A BBC esteve na ilha em 2024. Leia a seguir uma história resumida do território e um relato do que a equipe encontrou durante a visita.

Território disputado
O Reino Unido assumiu o controle do arquipélago de Chagos, do qual Diego Garcia faz parte, em 1965 — ele pertencia às Ilhas Maurício, sua então colônia.
Posteriormente, desalojou sua população de mais de mil habitantes para instalar a base militar.
Acordos assinados em 1966 permitiram um período inicial de 50 anos de utilização do território pelos Estados Unidos, e mais 20 anos de prorrogação. O acordo foi renovado em 2016, e agora vai expirar em 2036.
Este território é administrado a partir de Londres, mas é descrito como "constitucionalmente distinto" do Reino Unido.
As Ilhas Maurício, que conquistaram sua independência em 1968, reivindicam o atol como seu, e o mais alto tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que a administração britânica é "ilegal" — e deve acabar.
A maior parte da força de trabalho e dos recursos de Diego Garcia está sob controle dos Estados Unidos, desde o transporte e as acomodações até restaurantes e lojas.
O comando militar americano pode negar o acesso a áreas operadas ou controladas pelos militares por razões de segurança.
O site da administração britânica no Oceano Índico (Biot) indica que o acesso só é permitido "a quem tem contato com a instalação militar ou com a administração do território".

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Importante base de guerra
Diego Garcia é considerada uma base estratégica para os Estados Unidos.
No início de 2024, dois bombardeiros B-52 foram enviados para lá para realizar exercícios de treinamento.
Nas últimas décadas, aviões americanos partiram desta base para bombardear o Afeganistão e o Iraque.
O governo do Reino Unido confirmou que, em 2002, "voos de rendição" — utilizados para transportar suspeitos de terrorismo para outros países onde podem ser detidos e interrogados com menos restrições legais — pousaram no território.
Mike Hayden, ex-diretor da CIA, a agência de inteligência americana, negou as acusações de que suspeitos de terrorismo foram abrigados ou interrogados em Diego Garcia.

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Dezenas de pessoas da etnia tâmil, do Sri Lanka, desembarcaram na ilha em outubro de 2021, tornando-se as primeiras pessoas a apresentar solicitações de asilo neste território britânico.
Quando a BBC esteve na ilha, em 2024, cerca de 60 pessoas, incluindo pelo menos 16 crianças, permaneciam lá enquanto complexas batalhas legais eram travadas sobre seu destino.
Elas estavam alojadas em tendas dentro de um acampamento cercado e vigiado pela empresa de segurança privada G4S.
Houve uma série de tentativas de suicídio na ilha, e relatos de assédio e violência sexual supostamente cometidos por migrantes dentro do acampamento.
Alguns migrantes foram transferidos para Ruanda para receber tratamento médico após tentativas de automutilação e suicídio, enquanto aqueles cujas solicitações foram aceitas aguardavam que fosse designado um "terceiro país seguro" para se restabelecerem.

O acampamento de migrantes
Após uma visita ao acampamento em 2023, representantes da ONU consideraram que as condições ali equivaliam a uma detenção arbitrária.
Em entrevista à BBC, os migrantes descreveram as condições na ilha como infernais.
"Somos como papagaios, estamos numa gaiola", protestou um deles, fazendo referência à falta de liberdade.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse anteriormente à BBC que a ilha não é adequada para essas pessoas viverem, e afirmou que estava "trabalhando incansavelmente para processar os pedidos de proteção dos migrantes e encontrar um terceiro país adequado para aqueles cujas solicitações são aceitas".
"O bem-estar e a segurança dos imigrantes no Biot têm sido nossa principal prioridade a todo momento", acrescentou.

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A atmosfera na ilha é relaxada. Soldados se deslocam de bicicleta, e pessoas jogam tênis e praticam windsurf no sol do final da tarde.
Camisetas e canecas com a marca Diego Garcia estão à venda na ilha.
Mas também há lembretes constantes da base sensível que está aqui. Exercícios militares podem ser ouvidos no início da manhã, e há um prédio cercado identificado como um arsenal.
O tempo todo, oficiais militares americanos e britânicos mantêm um olhar atento sobre os movimentos da base. A ilha tem uma beleza natural impressionante, com vegetação exuberante e praias de areia branca, e também abriga o maior artrópode terrestre do mundo - o caranguejo-dos-coqueiros.
Militares alertam para os perigos dos tubarões nas águas circundantes.
Mas também existem indícios que apontam para seu passado brutal.
Quando o Reino Unido assumiu o controle das Ilhas Chagos, procurou expulsar rapidamente sua população de mais de mil pessoas para dar lugar à base militar.
Pessoas escravizadas foram trazidas para as Ilhas Chagos de Madagascar e Moçambique para trabalhar em plantações de coco sob o domínio francês e britânico.
Nos séculos seguintes, desenvolveram sua própria língua, música e cultura. Em 1967, começou a expulsão de todos os residentes das Ilhas Chagos. Cães, incluindo animais de estimação, foram recolhidos e mortos. Chagossianos descreveram terem sido conduzidos a navios de carga e levados para Maurício ou Seychelles.
O Reino Unido concedeu cidadania a alguns chagossianos em 2002, e muitos deles foram morar no Reino Unido.
Em depoimento prestado ao Tribunal Internacional de Justiça anos depois, a chagossiana Liseby Elysé disse que as pessoas no arquipélago viviam uma "vida feliz" que "não lhes faltava nada" antes das expulsões.
"Um dia, o administrador nos disse que tínhamos que deixar nossa ilha, deixar nossas casas e ir embora. Todos ficaram infelizes. Mas não tínhamos escolha. Eles não nos deram nenhum motivo", disse ela.
"Ninguém gostaria de ser arrancado da ilha onde nasceu, ser arrancado como animais."
Os chagossianos lutam há anos para retornar à sua terra.

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