2 horas atrás 3

Dinamarca enviou explosivos à Groenlândia para destruir pistas de pouso em caso de invasão dos EUA

O foco de tensões se concentra há três semanas no Oriente Médio, mas, em janeiro passado, estava direcionado à Groenlândia, sob ameaça premente de ser anexada pelo presidente Donald Trump. E a revelação de um plano de contingência mostra que a Dinamarca levou a sério o alerta do presidente americano e se preparou para uma possível e inédita invasão dos EUA a um aliado da Otan.

Com base em entrevistas com 12 altos funcionários dinamarqueses, a emissora pública "DR" reportou que o país enviou explosivos para destruir pistas de pouso em Nuuk e Kangerlussuaq e impedir que aviões militares dos EUA pousassem na ilha do Ártico. Dois funcionários europeus também confirmaram a informação da TV dinamarquesa ao jornal britânico “Financial Times”.

Além de explosivos suficientes para inviabilizar as pistas do território semiautônomo, as forças armadas mandaram suprimentos de sangue para o caso de um combate militar.

O ataque à Venezuela, em 3 de janeiro, com a captura de Nicolás Maduro, alertou as autoridades dinamarquesas de que Trump estava disposto a cumprir as ameaças expansionistas de obter o controle da Groenlândia. E, de fato, dias depois, ele se voltou obstinadamente para a aquisição da ilha, rica em minerais raros e rota importante de navegação a partir do degelo causado pelo aquecimento global.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Veja os vídeos que estão em alta no g1

No auge da crise com os EUA, aliados europeus, como França, Alemanha, Noruega e Suécia, enviaram tropas para o norte da Groenlândia, irritando ainda mais o presidente americano. Trump, que se referia à ilha como “um pedaço de gelo”, ameaçou impor sanções a países europeus que se opusessem ao seu plano.

De acordo com a emissora dinamarquesa, o objetivo era ter o maior número possível de soldados de diferentes nacionalidades para dissuadir uma ação hostil dos EUA. Tratava-se, na verdade, de um destacamento real e não de um exercício militar, revelou uma fonte militar à TV dinamarquesa.

A tensão pareceu se dissipar durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, em 21 de janeiro, quando Trump finalmente descartou o uso da força na Groenlândia e anunciou que tentaria um acordo com a Dinamarca.

“Eu não usarei a força. Tudo que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, assegurou o presidente em seu discurso em Davos.

As negociações para um acordo sobre a Groenlândia devem respeitar, segundo a premiê dinamarquesa Mette Frederiksen, as linhas vermelhas que preservem a soberania da Dinamarca e da Groenlândia. Ao que parece, as conversas seguem em banho maria, uma vez que as atenções de Trump estão voltadas para os drásticos efeitos da guerra no Irã.

No entender da primeira-ministra, que concorre à reeleição na próxima semana, o desejo do presidente americano de tomar a Groenlândia permanece inalterado. Mas isso deu à Dinamarca a possibilidade de fortalecer os laços com aliados europeus, conforme revelou nesta quinta-feira:

“Estivemos na situação de política externa mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial, e a única razão pela qual estamos numa posição melhor hoje é porque temos aliados europeus próximos e fortes e porque investimos tempo, esforço e recursos pessoais nessa cooperação.”
Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro