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Documentos 'quase prontos' e territórios pendentes: EUA, Ucrânia e Rússia fazem primeira reunião trilateral para finalizar a guerra

Esta é a primeira vez desde o início da guerra que os três países se sentam juntos para negociar a paz—com Trump, os EUA assumiram o papel de único país capaz de buscar o fim do conflito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta a jornalistas que os negociadores discutirão o controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia.

“O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã”, disse Zelensky em coletiva de imprensa on-line.

Antes do encontro desta sexta, a Rússia voltou a exigir a anexação de toda a região de Donbas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as tropas da Ucrânia devem se retirar da região em qualquer modalidade de acordo para que Vladimir Putin concorde em finalizar a guerra.

“É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”, afirmou Peskov. O porta-voz disse falou em uma "fórmula Anchorage" para que o conflito se resolva pacificamente, em uma aparente mensagem cifrada aos EUA ao fazer referência ao encontro entre Trump e Putin no Alaska em agosto.

Ainda não se sabe, até a última atualização desta reportagem, todos os detalhes das negociações em Abu Dhabi, apenas que ela não envolve, em um primeiro momento, os líderes dos três países.

Zelensky afirmou que "os russos devem estar preparados para chegar a compromissos". A Rússia, no entanto, se mostra há algumas semanas disposta a finalizar o conflito, desde que seja sob seus termos. Para a Ucrânia é inaceitável ceder à Rússia territórios que ainda estejam sob seu controle.

O líder ucraniano afirmou na quinta-feira que os documentos para finalizar a guerra estão "quase prontos" após ter chegado a um consenso com Trump em garantias de segurança que serão providas pelos EUA em um eventual pós-guerra. Leia mais abaixo.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, e o presidente dos EUA, Donald Trump, apertam as mãos durante reunião à margem do 56º Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos — Foto: Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS

Zelensky afirmou em um post na rede social X que ele e Trump as negociações sobre garantias de segurança que os EUA proverão à Ucrânia no pós-guerra foram concluídas durante um encontro entre os dois às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. A reunião durou cerca de uma hora e foi "muito boa", segundo os EUA.

Os líderes discutiram o fornecimento de equipamentos de defesa aérea e o progresso nas negociações de paz. Com os avanços de quinta-feira, Zelensky disse que os documentos para encerrar a guerra com a Rússia estão quase prontos.

Na quinta, Zelensky seguiu a linha de Trump e criticou aliados europeus por sua inação diante do conflito. "A Europa continua sendo um caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências. O problema é a mentalidade. Só ações criam uma ordem real. A Europa pode e deve ser uma ordem global e precisa da independência da Ucrânia para amanhã poder se defender".

O enviado especial de Trump para a guerra da Ucrânia, Steve Witkoff, se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin, em uma reunião tarde da noite em Moscou na quinta-feira. As conversas tiveram como objetivo avançar nas negociações para pôr fim o conflito.

Witkoff indicou que um acordo pode estar próximo, sem dar mais detalhes. Segundo ele, "falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia" para ser resolvida.

Trump também sugeriu nesta quinta que a negociação para encerrar a guerra pode ter avançado -porém, ele já disse isso outras vezes no passado. "Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve", disse o presidente norte-americano.

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