A maior parte da surpresa altista ficou concentrada em alimentação no domicílio, categoria que costuma apresentar alguma volatilidade. Por outro lado, embora tenham vindo em linha com o esperado, serviços e serviços subjacentes seguem em patamares elevados e permanecem como ponto de atenção. Em linhas gerais, a leitura qualitativa do IPCA-15 de maio não deve provocar alterações relevantes nas expectativas de inflação. Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital
Mercado analisa como IPCA-15 pode impactar a política monetária. Nos dias 16 e 17 de junho próximo, o Banco Central reúne o Copom (Comitê de Política Monetária), para definir a Selic, taxa básica de juros. Nos dois últimos encontros — que acontecem a cada 45 dias — a diretoria do órgão optou por reduzir a taxa de juros de referência da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, em março e abril, respectivamente. A Selic caiu de 15% ao ano para 14,50% após esses dois cortes.
A desaceleração do IPCA-15 é bem-vinda, mas não é suficiente para trazer maior tranquilidade ao Copom para a condução da política monetária. O contexto ainda é muito influenciado pelos choques de oferta, seja do petróleo, seja do clima, situação que deve continuar pressionada nos próximos meses com a elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño forte, que deve pressionar os preços de alimentos e energia elétrica. André Valério, economista sênior
Alta dos preços dos combustíveis em meio à valorização do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio tem pressionado a inflação. Isso tem levantado dúvidas sobre os próximos passos do Banco Central. Na Bolsa B3, os contratos de opções que sinalizam as apostas dos agentes de mercado para a decisão do Banco Central mostram que 74,5% das posições esperam novo corte, de 0,25 ponto percentual, enquanto 20% aguardam manutenção da Selic.
No que diz respeito à política monetária, nosso cenário-base ainda supõe que o Copom entregará mais três cortes de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 13,75% ao ano. No entanto, as leituras recentes da inflação ao produtor e ao consumidor, combinadas com um ambiente global mais inflacionário, colocam desafios adicionais para a autoridade monetária. Alexandre Maluf, economista da XP

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