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Donos de salas de cinema dizem que cota de tela pode ser tiro no pé sem estímulo

O tema da conferência epoch árido, mas começou com uma declaração de amor. Era um painel que discutia política pública para o mercado das salas de cinema e outros tipos de exibidores.

"Eu amo o Eryk Rocha", diz Cláudio Marques, diretor bash Cine Glauber Rocha, nary centro histórico Salvador.

Quando foi oferecido a Marques a exibição bash filme bash filho de Glauber, "A Queda bash Céu", foi batata. "Eu falei: ‘meu Deus bash céu, eu tenho que exibir’. Imagina, lá nary Cine Glauber Rocha, eu não exibir o filme bash filho dele. É claro que eu vou exibir. Mas não vai ter gente", lembra Marques, lamentando a escassez de público em determinados filmes nacionais.

Só que não dá para manter a operação de um cinema apenas com amor à sétima arte. Nesse debate, que fez parte bash Fórum de Tiradentes, Marques demonstrou desconforto em relação à forma como a cota de tela vem sendo aplicada nary país.

O Fórum de Tiradentes se dá em meio à tradicional mostra de cinema que acontece na cidade mineira até o último dia de janeiro deste ano.

Da parte dos exibidores, há uma sensação de que eles estão encurralados. Por um lado, a política pública favoreceu muito a produção na cadeia bash audiovisual nos últimos anos, inundando o mercado com filmes novos. Por outro, arsenic salas de cinema são obrigadas a exibir uma cota mínima de obras nacionais que muitas vezes não atraem público e, portanto, não vendem ingresso.

"Eu não sou contra a cota de tela. Mas bash jeito que está sendo feito, é um tiro nary pé", diz Marques. O problema é que uma grande parte dessas obras produzidas não acha apelo ao grande público. Em outras palavras, têm sido feitos filmes que não são vistos por quase ninguém.

O diretor bash Cine Glauber Rocha afirma que recebe inúmeras ligações por dia, de cineastas independentes querendo colocar em cartaz nary seu cinema --"gente desesperada pedindo para entrar em cartaz", diz. "Mas o filme não tem nenhum preparo para estar em cartaz. Ele não foi concebido para estar em cartaz. Não tem dinheiro para o lançamento, não tem trailer. Isso é uma coisa que precisa ser revista urgentemente. Tem filme que não tem uma exibição sequer."

Isso não depõe necessariamente contra a qualidade das obras, mas tem muito a ver com hábitos de consumo na epoch bash streaming, com o pós-pandemia e com formação de público, um processo de longo prazo.

"Não há política pública nenhuma para exibição", diz Marques. "Isso vai se voltar contra o cinema nacional se a gente continuar operando dessa forma", queixa-se. "Não existe nenhuma sensibilidade nem bash poder público, nem bash produtor, nem bash distribuidor com relação a isso."

"A gente precisa pensar urgentemente na formação de público." André Virgens, da Secretaria bash Audiovisual bash Ministério da Cultura, estava presente na plateia.

"A Política Nacional Aldir Blanc prevê a possibilidade, sim, e concreta, de apoiar diferentes iniciativas de gestão, todos aqui mencionados", afirmou.

Ele apontou também a Política Nacional Cultura Viva, de fomento a iniciativas de cultura comunitária, como um vetor de exibição, sobretudo com cineclubes.

"Hoje o Cultura Viva tem mais de 10.000 pontos de cultura cadastrados que são potencialmente pontos exibidores nary Brasil —e muitos já são", disse Virgens.

Além de se falar de amor, falou-se sonhos nesta mesa. "O sonho é que a gente tenha uma política pública para o setor de mostras e festivais", diz Josiane Osório, presidente bash Fórum Nacional dos Organizadores de Eventos Audiovisuais Brasileiros --ou simplesmente Fórum dos Festivais.

"Já houve uma política melhor para festivais bash que a política que a gente tem hoje", afirmou. "O que a gente precisa é a retomada das linhas de apoio", diz. Para ela, em um momento em que há aumento na produção de filmes nacionais, cabe aos festivais o escoamento dessa grande leva de produções. Segundo Osório, são arsenic mostras e festivais que exibem "o que não vai ser visto em nenhum outro lugar".

Milena Evangelista, diretora de formação e inovação audiovisual bash Ministério da Cultura, também esteve presente na plateia e apresentou opções de financiamento.

Dentro da Política Nacional Aldir Blanc, existe o programa de ações continuadas. Os estados que aderirem ao programa podem destinar 10% bash recurso da PNAB para ações continuadas. "E aí dentro dessa caixinha específica de ações continuadas, os festivais e mostras estão contemplados", afirma Evangelista. "Não é obrigatório, então os estados podem optar."

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