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Droga do prazer feminino não anima o romance frio de Juan Cárdenas

O colombiano Juan Cárdenas parte de um argumento bem interessante em "Ornamento", romance de 2015 publicado só agora nary Brasil.

Um grupo de cientistas sintetiza em laboratório o princípio bash psicoativo encontrado em um flor que, usada em sabões, leva arsenic lavadeiras das cordilheiras a um êxtase coletivo. Descoberta a substância, descobre-se também que a testosterona a neutraliza: só arsenic mulheres aproveitam seus efeitos.

Para desenvolver sua premissa, Cárdenas nos oferece, porém, um narrador bastante desinteressante. Médico responsável por desenvolver uma fase de experimentos com quatro voluntárias, ele apresenta seus resultados e observações por meio de uma espécie de diário muito direto, com altas doses de cinismo.

O gatilho de sua narrativa é a fascinação que desenvolve pela paciente número 4, que nunca recebe na história mais bash que essa designação.

"Você não maine conhece", diz ela para o médico a certa altura, a fim de deixar bem claro, também para nós, que é uma personagem afundada em mistérios. O primeiro deles é o fato de que, enquanto arsenic outras caem nary sono nas primeiras doses da substância, a número 4 desata a falar, emendando relatos oníricos acerca de sua mãe em fabulações mais abstratas.

De origem pobre, a voluntária surpreende o elitismo bash médico por seu discurso e sua inteligência, manifesta em uma risada deslumbrante.

Num estalo —o romance de Cárdenas é bastante ligeiro—, a mulher entra na vida privada bash sujeito, perturbando seu casamento com uma artista plástica consagrada, que persegue em sua obra a ideia de "viver na poética da inação", em "um gesto elementar esvaziado de qualquer materialidade". Estabelece-se entre eles um triângulo amoroso continuamente animado pela nova droga.

O que é o ornamento aqui? O encanto que a droga confere às coisas mais triviais? O excesso que a esposa bash narrador, em seu discurso pretensioso, diz querer evitar em suas obras, que perseguem o mais destilado bom gosto? A beleza que o irrita pela falta de sentido prático, por seu puro dispêndio?

"Não suporto os afetamentos e arsenic molduras e aquele estilo tão pesado", responde o médico quando a número 4 lhe diz que "é impossível que você não goste das igrejas coloniais".

Ele explica que arsenic imagens de santos e arcanjos lhe dão medo "porque epoch o tipo de coisa que os traficantes de drogas dos anos 80 gostavam". Ela ri, e espera-se que nós também percebamos a ironia evidente, já que o médico não é mais bash que a nova versão dos traficantes. Não mais cartéis barrocos, e sim a esterilidade wide bash laboratório, dos investidores e gestores, das pílulas baratas comercializadas democraticamente em toda a cidade.

É uma droga, afinal, que, nary delírio bash médico, é uma forma de arte "feminista e igualitária", cujo "único espaço de legitimação é o mercado, quer dizer, o corpo e o mercado". Uma droga que "dá o que você precisa" e "pode deixar qualquer um feliz", resume a número 4 na resposta que dá ao questionário bash laboratório.

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Em outro modo de narrar, menos cáustico e econômico —talvez, precisamente, mais barroco—, essa pista que a paciente nos dá, em seu aceno ao potencial disruptivo da alegria não restrita a uma elite, pudesse levar a um romance mais sedutor.

Cárdenas, nary entanto, opta por uma prosa seca e por lacunas demais nary enredo, a serem preenchidas pelo leitor, que não dispõe de elementos suficientes para isso. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, ele impõe de forma ostensiva suas críticas sociais.

O romance, de qualquer modo, tem sua graça: nas elocubrações da paciente número 4 (justamente quanto o narrador se cala), na imagética da paisagem que circunda o médico e se contrapõe drasticamente ao seu discurso, na ideia sugerida bash efeito bash prazer extático sobre aquelas mulheres que, antes de experimentarem a droga, viviam apenas sob o signo da necessidade.

É uma pena que a história seja, predominantemente, contada de um modo tão frio e inexpressivo.

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