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É #FATO: Cena de girafa com pescoço entalado em zoológico na China não é inteligência artificial

Selo Fato (Horizontal) — Foto: g1

Pela aparência da cena, muitos usuários sugerem que o vídeo seria produzido por inteligência artificial ou manipulado digitalmente. "O Globo" verificou que o episódio realmente aconteceu e não há indícios de uso de inteligência artificial (IA) ou deepfake na gravação.
  • O conteúdo viralizou em diferentes plataformas em formato de vídeo curto, com milhões de visualizações e comentários. Nas legendas, usuários descrevem a cena como "surreal" e afirmam que parecia impossível que fosse real, justamente pelo enquadramento incomum da girafa e pela forma como o pescoço do animal aparece preso entre as pedras.
  • Em muitos compartilhamentos, a gravação é apresentada como se fosse uma cena gerada por IA, com frases como "isso não pode ser real" e "parece vídeo feito por inteligência artificial".
  • O vídeo mostra o momento em que a girafa enfia a cabeça em uma abertura de uma cerca de pedra e fica presa. Em seguida, funcionários tentam quebrar a estrutura com martelos e, depois, utilizam uma serra para concluir o resgate.

A gravação é verdadeira e registra um incidente ocorrido no dia 15 de outubro no Parque Florestal de Nantong, na província de Jiangsu, na China.

Segundo relatos publicados pelo "Xiaoxiang Morning Post" e pelo "Jimu News", o caso aconteceu por volta do meio-dia na área de exibição das girafas do parque. Enquanto circulava pelo local, o animal colocou a cabeça em uma abertura da cerca de pedra, ficou preso e acabou caindo no chão, com o pescoço dobrado em quase 90 graus.

Testemunhas relataram que a girafa permaneceu presa por cerca de 10 minutos sem conseguir se soltar. Vídeos gravados no local mostram o animal com olhos avermelhados e respiração acelerada, o que aumentou a preocupação de visitantes e funcionários.

Inicialmente, a equipe tentou abrir a cerca manualmente, sem sucesso. Depois, usou um martelo para golpear a estrutura, mas como havia barras de aço reforçando a pedra, foi necessário recorrer a uma serra para cortar a cerca e libertar o animal. O resgate durou aproximadamente 10 minutos.

Como foi feita a checagem?

A verificação foi feita com análise visual do vídeo e consulta à plataforma Hive Moderation, ferramenta usada para identificar possíveis sinais de manipulação por IA, deepfake ou edição sintética. Confira:

Infográfito da plataforma Hive Moderation não apontou uso de IA em vídeo de girafa que ficou com pescoço preso na China — Foto: Captura de tela

O resultado apontou que não há vestígios de IA no conteúdo, reforçando que as imagens são autênticas e registram um acontecimento real.

Além disso, a cena foi localizada em reportagens publicadas pela imprensa chinesa, que detalharam o incidente, o local exato e o processo de resgate.

A principal razão da desconfiança foi o aspecto visual do vídeo. O ângulo do pescoço da girafa, a posição do animal e a movimentação intensa de pessoas quebrando o muro fizeram muitos internautas acreditarem que se tratava de uma montagem digital.

Como vídeos gerados por IA têm se tornado cada vez mais comuns nas redes, cenas incomuns como essa frequentemente passam a ser questionadas.

Neste caso, porém, trata-se de uma situação real registrada por testemunhas no zoológico.

No dia seguinte ao incidente, em 16 de outubro, o jornal "The Paper" informou que o parque se pronunciou em sua conta oficial nas redes sociais. Segundo a administração, "a girafa estava apenas brincando demais e se divertindo muito" e o animal "não se feriu".

O zoológico também afirmou que reportaria o problema no projeto da cerca às autoridades responsáveis, mas não apresentou cronograma nem detalhes sobre possíveis mudanças estruturais.

A declaração, porém, gerou forte repercussão entre internautas e ativistas de direitos dos animais.

As principais críticas se concentraram em dois pontos: o método de resgate e a própria estrutura da cerca.

Especialistas e veterinários apontaram que o uso de martelos em uma estrutura de aço reforçado poderia causar lesões secundárias na coluna cervical e na cabeça da girafa, seja pela vibração, seja por fragmentos projetados durante a quebra. Normas internacionais, segundo esses profissionais, recomendam o uso de expansores hidráulicos, ferramentas específicas de corte ou até sedação controlada para reduzir riscos.

Também houve questionamentos sobre o desenho da cerca. Como girafas são animais naturalmente curiosos e costumam esticar o pescoço para explorar o ambiente, especialistas defendem que cercas e recintos devem ser planejados levando esse comportamento em consideração.

A justificativa de que tudo aconteceu por "travessura" do animal foi vista por muitos como uma tentativa de transferir a responsabilidade e evitar discutir falhas estruturais do zoológico.

É #FATO: vídeo de girafa com pescoço preso em muro de zoológico na China não foi feito por IA — Foto: Reprodução/Redes sociais

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