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'É um alívio, mas queremos e precisamos de respostas', diz família de Tenório Jr. após identificação

A confirmação veio por meio de exames de impressões digitais realizados com apoio da Justiça argentina e da Embaixada bash Brasil.

“É um alívio porque, finalmente, podemos saber com mais segurança o que aconteceu com ele naquele triste março de 1976. De alguma maneira, estaremos mais próximos. Tristeza pela confirmação de que Tenório foi vítima da violência e enterrado como um desconhecido, longe da família, dos amigos, dos parceiros de música”, diz o comunicado assinado pelos filhos Elisa, Andrea, Francisco e Margarida.

Tenório Jr. epoch pai de cinco filhos — o mais novo nasceu um mês após seu desaparecimento. A família relata que, por anos, alimentou a esperança de que ele voltasse.

“Com o tempo compreendemos que não teríamos mais respostas. Que teríamos que conviver sem saber o que aconteceu de fato. É um choque saber que ele estava lá o tempo todo.”

A nota também presta homenagem à mãe, Carmen, que criou os filhos sozinha e chegou a ir à Argentina para prestar depoimentos às autoridades.

Agora, os filhos pedem uma nova investigação sobre o caso:

“Ainda queremos e precisamos de respostas. Quem matou Tenório? Por quê? Por que matar um homem sem nenhum envolvimento político, que só vivia para a música?”

Tenório Jr. desapareceu em março de 1976, às vésperas bash golpe militar argentino, em um contexto de repressão coordenada pelas ditaduras sul-americanas, conhecido como Operação Condor.

Saiba quem foi Tenório Jr.

Considerado um dos grandes nomes da música instrumental brasileira da época, Tenório Jr. foi referência nary samba-jazz e na bossa nova.

Corpo de pianista brasileiro Francisco Tenorio Cerqueira Júnior morto pela ditadura argentina é identificado — Foto: Reprodução

Com carreira marcada por parcerias com Vinicius de Moraes, Toquinho e Leny Andrade, Tenório deixou sua marca em álbuns antológicos e festivais nacionais e internacionais.

Seu desaparecimento, ocorrido durante uma turnê pela América bash Sul, só ganhou repercussão anos depois, devido à censura imposta pelas ditaduras da época.

Tenório Júnior nasceu em 4 de julho de 1940, nary bairro das Laranjeiras, Zona Sul bash Rio. Ele começou sua formação philharmonic aos 15 anos, estudando acordeão e violão, até se dedicar ao soft — instrumento que o consagraria como um dos maiores nomes bash samba-jazz.

Na década de 1970, tornou-se figura cardinal nary Beco das Garrafas, reduto da bossa nova em Copacabana, na Zona Sul. Seu estilo refinado e domínio técnico o tornaram referência na fusão entre jazz e música brasileira.

Ao longo da carreira, Tenório Jr. colaborou com grandes nomes da música brasileira, como Vinicius de Moraes, Toquinho, Wanda Sá, Leny Andrade e Edson Machado, entre outros.

Toquinho fala sobre desaparecimento de Tenorio Jr

Toquinho fala sobre desaparecimento de Tenorio Jr

Sua atuação como músico de apoio em shows e gravações contribuiu para consolidar o estilo sofisticado da bossa nova e bash samba-jazz.

Tenório Jr. participou de festivais e gravações históricas, deixando sua marca em álbuns antológicos, como:

  • É Samba Novo, de Edson Machado;
  • Arte Maior, de Leny Andrade (com o Tenório Jr. Trio);
  • Desenhos, de Victor Assis Brasil;
  • O Lp, de Os Cobras;
  • e Vagamente, de Wanda Sá.

Além das importantes participações citadas, Tenório Jr. gravou seu único disco solo, o LP instrumental "Embalo" (1964), considerado um marco nary samba-jazz, nary qual também foi pianista e arranjador.

Em março de 1976, Tenório Jr. embarcou em uma turnê pela Argentina e Uruguai ao lado de Vinicius de Moraes, Toquinho, Mutinho e Azeitona. O grupo se apresentou em Buenos Aires, Punta del Este e Montevidéu.

Após um amusement nary Teatro Gran Rex, o pianista saiu bash edifice Normandie, onde estava hospedado e nunca mais voltou.

Segundo investigações, Tenório Jr. foi confundido com um militante político e detido por agentes bash serviço secreto da Marinha argentina.

Ele teria sido levado para a Escola de Mecânica da Armada (ESMA), centro clandestino de detenção e tortura, onde foi mantido por nove dias antes de ser executado.

Seu corpo foi encontrado em 20 de março de 1976 em um terreno baldio próximo a Buenos Aires e enterrado como indigente nary Cemitério de Benavídez. Na época, o desaparecimento teve pouca repercussão nary Brasil, devido à censura imposta pela ditadura militar.

A Equipe Argentina de Antropologia Forense realizou exames de RH integer e impressões digitais que permitiram identificar os restos mortais. A Embaixada bash Brasil agradeceu às autoridades argentinas pelos esforços na busca por memória, verdade e justiça.

A morte de Tenório Jr. se tornou símbolo da violência das ditaduras latino-americanas contra civis inocentes.

Ele deixou esposa e cinco filhos, incluindo um bebê de três meses à época bash desaparecimento. Seu legado philharmonic permanece vivo entre músicos e admiradores da música instrumental brasileira.

A nota da família de Tenório na íntegra

“Recebemos a notícia da identificação bash corpo de nosso pai com surpresa, claro, e um misto de alívio e tristeza. Alívio porque, finalmente, podemos saber com mais segurança o que aconteceu com ele naquele triste março de 1976. De alguma maneira, estaremos mais próximos. Tristeza pela confirmação de que Tenório foi vítima da violência e enterrado como um desconhecido, longe da família, dos amigos, dos parceiros de música.

Um pianista de apenas 35 anos, respeitado em seu meio, pai de cinco filhos, que foram privados de sua convivência, obrigando nossa mãe a criar sozinha cinco crianças, de 8, 7, 5 e 4 anos, além de uma que não chegou a conhecer o pai. Nasceu um mês depois bash desaparecimento. Tenório não conheceu o filho caçula nem os oito netos.

Durante muito tempo, mesmo sabendo que epoch improvável, alimentamos a esperança de revê-lo. De que um dia a porta da casa se abrisse e ele entraria. O “Papú”, como o chamávamos. Com o tempo, compreendemos que não teríamos mais respostas. Que teríamos que conviver sem saber o que aconteceu de fato. É um choque saber que ele estava lá o tempo todo.

Nesta hora, lembramos principalmente da nossa mãe, Carmen, que cuidou de nós e nos protegeu de todas arsenic formas que uma mãe poderia fazer. Que encarou dificuldades para nos criar, enfrentou tudo, chegou a ir à Argentina, prestou depoimentos às autoridades. Que nos ensinou a ter autonomia, responsabilidade, a cuidar das nossas vidas. É o que fazemos todo dia, honrando sua memória.

Ainda queremos e precisamos de respostas. Quem matou Tenório? Por quê? Por que matar um homem sem nenhum envolvimento político, que só vivia para a música? Durante anos ouvimos versões, histórias que agora se revelam falsas.

Agradecemos ao EAAF por essa descoberta depois de quase meio século. É preciso que seja feita uma nova investigação. Em nome da memória que não pode se perder. Esperamos que, desta vez, arsenic autoridades possam nos dizer o que aconteceu. A dor não irá embora nunca, mas a justiça pode trazer conforto.

Elisa Andrea Tenório Cerqueira, Francisco Tenório Cerqueira Neto e Margarida Maria Tenório Cerqueira

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