1 hora atrás 1

Ela fazia doces por hobby, hoje tem 28 lojas e vende macarons até no Metrô

Sabor bem brasileiro no cardápio. A marca tem hoje 33 sabores fixos e mais alguns sazonais. Entre os fixos, estão alguns clássicos franceses, como o de lavanda. Red velvet, crème brûlée e pistache são os mais vendidos. Um dos sazonais é o sabor champanhe, lançado para as festas de final de ano. Para o verão deste ano, a marca lançou um sabor bem brasileiro: caipirinha. O macaron custa R$ 10,50 a unidade.

Cardápio tem alteração todo ano. "Nós trabalhamos os sazonais nas quatro estações do ano. Em média, criamos dez novos sabores todo ano. Destes, os três mais vendidos passam a integrar o cardápio, e os três menos vendidos dos sabores fixos são retirados de lá", diz Valquíria. Um sazonal que entrou para o cardápio fixo é o sabor chiclete (com essência de tutti frutti), feito para o Dia das Crianças há três anos.

Toda produção é própria. A empresa tem uma fábrica em Bento Gonçalves e um centro de distribuição em São Paulo. Segundo Valquíria, a produção atual é em torno de 10 mil macarons por dia —a capacidade produtiva é de 18 mil macarons/dia.

Franquia custa até R$ 250 mil

Primeira franquia foi aberta em 2018, em Florianópolis (SC). Hoje, a rede tem 28 unidades em sete estados. A empresa tem seis modelos de negócio. O mais barato é a microfranquia (home based), com investimento inicial a partir de R$ 20 mil. O franqueado recebe os produtos prontos e embalados em casa, para fazer as vendas por aplicativos e pelo delivery. O mais caro (investimento inicial a partir de R$ 250 mil) é a loja boutique. O faturamento médio mensal dos modelos de negócio vai de R$ 10 mil a R$ 80 mil. O lucro tem uma média de 15% a 20% (todos os modelos).

Continua após a publicidade
Vending machine da Le Petit Macarons no Shopping Metrô Tucuruvi, em São Paulo
Vending machine da Le Petit Macarons no Shopping Metrô Tucuruvi, em São Paulo Imagem: Divulgação

Empresa lançou o modelo de vending machine em 2025. São máquinas de autoatendimento que operam sem necessidade de funcionários. O investimento inicial é de R$ 80 mil (sem o capital de giro). A primeira unidade está em operação no Shopping Metrô Tucuruvi, em São Paulo, desde outubro. As máquinas são indicadas para locais com grande fluxo de pessoas, como shopping, universidades, aeroportos, clínicas hospitalares e centros empresariais. Cada máquina tem capacidade para 400 embalagens, divididas em caixinhas com 3 ou 6 macarons.

Em 2025, a Le Petit Macarons faturou R$ 20,1 milhões. O lucro não é revelado. A meta para 2026 é abrir mais cinco lojas e 30 vending machines. As regiões prioritárias são Sudeste e Nordeste do Brasil.

Uma das lojas tem previsão de ser aberta em Orlando (EUA) no primeiro semestre de 2026. Será uma unidade própria no modelo boutique. "No início, os produtos serão enviados da nossa fábrica no Brasil. Nosso planejamento prevê a abertura de novas lojas e, posteriormente, a produção local nos EUA", diz Coelho.

Viagem a Paris foi inspiração

Valquíria de Marco e Roger Coelho são sócios-fundadores da Le Petit Macarons
Valquíria de Marco e Roger Coelho são sócios-fundadores da Le Petit Macarons Imagem: Divulgação

Valquíria trabalhava como bancária e fazia doces por hobby aos fins de semana. Em 2012, já pensando em empreender na área de doces, Coelho levou Valquíria para uma viagem a Paris. Sua intenção? Que ela conhecesse os melhores macarons. "O Roger já pensava em ter um negócio próprio e propôs essa viagem já com segundas intenções, porque ele achava que empreender com macarons era uma boa ideia, por ser diferente. Na época, ninguém fazia", diz ela.

Continua após a publicidade

Em 2012, ela começou a testar receitas e a fazer cursos. Inicialmente, vendia para amigos e familiares. "Dediquei mais de um ano aperfeiçoando a receita, garantindo que os sabores franceses fossem adaptados ao paladar brasileiro", declara.

O macaron francês é menos doce, porque a base é de creme de manteiga. "Tive que adoçar um pouco mais para agradar ao paladar dos brasileiros e tornar o produto mais comercial. A nossa base é ganache, 90%, e brigadeiros, 10%. Em cima disso, a gente cria vários sabores", afirma.

Testei muitas receitas, fiz adaptações ao nosso clima, que é muito diferente do clima francês. Tive muitos problemas com a estrutura e apresentação do doce. Foi um ano e meio de testes até chegar no produto que começamos a vender.
Valquíria de Marco, diretora de produção da Le Petit Macarons

Venda de 4.500 unidades para um evento. Coelho trabalhava em uma indústria moveleira e propôs que a empresa desse macarons como brindes na convenção anual dos lojistas. A empresa topou, e Valquíria teve de produzir os doces em poucos dias. Tive até que pedir folga no trabalho. Na época, fazia os doces em casa, usando um forno pequeno. Mas os macarons fizeram sucesso na convenção. Foi ali que tomamos a decisão de abrir uma loja e ampliar a produção", diz Valquíria. Na época, ela fazia apenas cinco sabores do doce.

Crescimento traz desafios, diz consultor

Testar e adaptar o produto ao paladar brasileiro é ponto alto. "Em uma viagem, o casal observou uma tendência fora do Brasil, enxergou a oportunidade e trouxe o produto para o país, mas teve o cuidado de adaptar o doce ao mercado local. Isso foi feito com maestria. E só abriram a primeira loja depois de testar muito a receita", declara Felipe Destri, consultor de negócios do Sebrae-SP.

Continua após a publicidade

Inovação está nos diferentes canais de vendas. Destri diz que a Le Petit Macarons está ampliando e buscando novos canais de venda, como as vending machines. "Essa variação do modelo de negócio tem conexão com as demandas dos clientes, que podem decidir onde comprar os produtos da marca, e também dos franqueados, que passam a ter novos modelos de negócio para investir, facilitando assim a expansão da marca."

Máquinas de autoatendimento "não vendem sozinhas". "O franqueado não pode achar que as vending machines são uma galinha dos ovos de ouro, que vendem sozinhas. Antes de comprar uma franquia dessa, é preciso estudar o mercado e analisar os locais apropriados para a instalação dessas máquinas. O ideal é que estejam em locais de grande fluxo de pessoas", diz.

Mas há desafios por trás do crescimento. Segundo o consultor, um desafio é o controle financeiro e a gestão de margem do negócio. Ele diz que, conforme vai aumentando a rede, vai aumentando também o faturamento, mas o desafio é ter controle dos custos dos insumos e de toda a logística envolvida. Outros pontos relevantes são manter a qualidade dos produtos e minimizar desperdícios, afinal são alimentos perecíveis. "Ao escalar um negócio, você ganha em volume —e com isso, tem certo poder de barganha com fornecedores. Mas não pode descuidar da padronização e qualidade dos doces", afirma.

Gestão de pessoas é ponto de atenção. Para Destri, um grande desafio é manter o padrão de atendimento. Para isso, vale investir em treinamento das equipes e no fortalecimento da cultura da marca. "Tudo isso para tentar mitigar a grande dor: a rotatividade de funcionários", diz.

Concorrência da marca abrange todo o segmento. "A marca não compete somente com o concorrente que também faz macarons. Ela compete com brigaderia, com a tortinha de limão, com todos que trabalham no segmento dos doces", afirma.

Quer dicas de carreira e empreendedorismo? Conheça e siga o canal do UOL "Carreira e Empreendedorismo" no WhatsApp.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro