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Eleições em Portugal: conheça o líder da ultradireita e o socialista que se enfrentam no 2º turno

Os candidatos que disputarão a fase final do pleito foram definidos neste domingo (18), quando cerca de 11 milhões de portugueses compareceram às urnas. A etapa decisiva está prevista para 8 de fevereiro e promete acirrar ainda mais o debate político no país.

De um lado está André Ventura, líder do Chega e símbolo da direita radical. Do outro, António José Seguro, ex-secretário-geral do Partido Socialista, porta-voz da moderação à esquerda.

A disputa entre os dois candidatos reflete trajetórias e estilos de atuação que representam visões opostas sobre política, sociedade e governo.

A eleição desperta atenção especial da comunidade brasileira residente em Portugal, que acompanha de perto os possíveis impactos das posições de cada candidato sobre imigração, direitos sociais e políticas de integração.

Para a socióloga Ana Paula Costa, presidente da Casa do Brasil de Lisboa, a principal preocupação é a força crescente do discurso anti-imigração de Ventura. Segundo ela, o resultado das urnas pode tornar o ambiente político mais hostil para comunidades de estrangeiros, incluindo brasileiros, especialmente em relação a acesso a serviços públicos e inclusão social.

A diferença entre os candidatos vai além das questões ideológicas. Ventura representa uma política populista, confrontacional, marcada por polêmicas e retórica antiestablishment. Seguro, por sua vez, vende a imagem de moderado.

O segundo turno coloca Portugal diante de uma escolha clara: optar por um líder radical ou por um veterano que se apresenta como árbitro do equilíbrio institucional.

O resultado definirá não apenas quem ocupará o Palácio de Belém, mas também o tom da política portuguesa nos próximos anos.

André Ventura, candidato da direita radical e com discurso anti-imigração, aparece na frente das pesquisas — Foto: Reuters

De comentarista de futebol a líder da direita radical

André Ventura conquistou notoriedade inicialmente como comentarista esportivo. Torcedor do Benfica, tornou-se conhecido em 2014 ao defender publicamente o clube no canal CMTV.

Formado em Direito, passou pelo seminário por um ano, atuou como professor universitário e trabalhou como inspetor tributário antes de se dedicar integralmente à política.

Sua trajetória política começou em 2017, quando concorreu à Câmara Municipal de Loures pelo PSD. A campanha chamou atenção por críticas à comunidade cigana, acusando algumas famílias de depender de subsídios do Estado.

Apesar de não ter vencido, Ventura aproveitou a repercussão para fundar, em 2019, o Chega, partido populista de direita radical que prometia defender os “portugueses de bem” e combater a corrupção.

Desde então, o Chega cresceu rapidamente. Em seis anos, passou de 1,3% das intenções de voto para cerca de 23%, conquistando 58 deputados no Parlamento.

O discurso de Ventura combina conservadorismo social, controle rigoroso da imigração e liberalismo econômico. Ele defende cotas anuais de entrada de estrangeiros, a criminalização da residência ilegal em Portugal, redução de impostos e aumento de pensões e salários.

Entre seus slogans mais conhecidos está a frase “Portugal precisa de uma limpeza”, que sintetiza seu estilo confrontacional e populista.

Ventura nega as acusações de racismo e xenofobia — e afirma que o que ele quer é “uma imigração decente, mas não descontrolada”.

Ele resgatou em 2021 o lema da ditadura “Deus, Pátria e Família”, ao qual acrescentou “trabalho” — mas não é um defensor do regime autoritário sob o comando de António Salazar que governou Portugal durante 40 anos.

Essa combinação de populismo, polêmicas e discurso direto o transformou em uma das figuras mais polarizadoras da política portuguesa, consolidando o Chega como a principal força da direita radical no país.

O ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), António José Seguro, aparece em segundo luga — Foto: EPA

Antônio José Seguro: o improvável finalista

Enquanto Ventura construiu sua trajetória em torno da confrontação, António José Seguro, 63 anos, representa a moderação política.

Nascido em Penamacor, é mestre em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. Sua carreira política inclui cargos de destaque em governos de António Guterres, atuação como deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, além de ter sido secretário-geral do PS e membro do Conselho de Estado.

O momento mais decisivo de sua trajetória ocorreu durante a crise do Euro, em 2011, quando, à frente da oposição, adotou postura de “oposição responsável”, criticando medidas de austeridade impostas pelo governo de centro-direita, mas buscando soluções de compromisso e estabilidade institucional.

A imagem de prudência e moderação se tornaram seus principais trunfos na corrida presidencial de 2026.

Seguro conquistou o chamado “voto útil” da esquerda e atraiu eleitores de centro-direita que buscavam uma alternativa equilibrada.

Nas semanas finais antes da eleição, cerca de 30% dos portugueses decidiram seu voto, e Seguro foi o grande beneficiário, recebendo 38% desses eleitores.

Ele se destacou entre mulheres, jovens e cidadãos com ensino superior, demonstrando capacidade de unir diferentes segmentos do eleitorado.

António José Seguro, candidato socialista, e André Ventura, da extrema direita, lideram pesquisas de boca de urna para presidência de Portugal — Foto: Divulgação / Reuters

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