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Em Portugal, 'cordão sanitário' elege Seguro e barra o ultradireitista Ventura

Por Sandra Cohen

Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em 'O Globo'

Socialista, o presidente eleito atraiu votos de eleitores de esquerda e direita, afastando temores de que país ingressaria na aventura populista do Chega.


António José Seguro faz seu 1º discurso como presidente eleito de Portugal

António José Seguro faz seu 1º discurso como presidente eleito de Portugal

Com facilidade, o candidato de esquerda afastou definitivamente os temores de que o país ingressaria na aventura populista propagada por seu adversário, admirador confesso do ex-ditador António Oliveira Salazar.

O sobrenome do socialista revela também o trocadilho que os eleitores priorizaram nas urnas. No momento em que o país sofre as consequências de uma sucessão de tempestades climáticas, a votação foi recorde.

“Serei um presidente livre, atento às pessoas e às instituições”, assegurou, após ser eleito.

António José Seguro em seu primeiro discurso como presidente eleito de Portugal — Foto: Pedro Nunes/Reuters

A moderação reforçada por Seguro atraiu o apoio da direita e da esquerda, travando o caminho de Ventura e seu discurso radical contra imigrantes, ciganos e o sistema em geral. E ainda recuperou o fôlego do Partido Socialista, que parecia devastado pelas últimas eleições legislativas.

“Eu vejo esta vitória com grande alívio e alegria. A maioria se mobilizou e derrotou o populismo, a demagogia, a política feita de mentiras e de golpes. Isso tudo falhou, e eu espero que Ventura tenha aprendido a lição”, resumiu o escritor e comentarista Miguel Sousa Tavares à CNN Portugal.

A mobilização política, contudo, não calou Ventura. Ele se vangloriou por ter conseguido mais votos do que o premiê Luís Montenegro nas últimas eleições legislativas, intitulando-se, assim, como o novo líder da direita portuguesa, “que em breve governará Portugal”.

André Ventura, candidato do partido de extrema direita de Portugal Chega — Foto: REUTERS/Rodrigo Antunes

A contar pela demonstração de união de partidos de centro-esquerda e de centro-direita, e das principais figuras políticas de Portugal, trata-se de mais uma das bravatas disseminadas pela retórica radical do líder do Chega.

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