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Em recado a Trump, França e Canadá abrem consulados na Groenlândia

As duas nações se opõem à ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar assumir o controle do território dinamarquês semiautônomo.

Nas últimas semanas, a ilha esteve no centro das tensões geopolíticas internacionais, após Trump afirmar que o controle dos EUA sobre o território seria uma prioridade de segurança nacional.

A renovada pressão do líder americano para adquirir a Groenlândia, onde os Estados Unidos já têm seu próprio consulado, alarmou os aliados europeus e gerou um amplo debate sobre a soberania e a segurança do Ártico.

No mês passado, Trump recuou das ameaças de tomar a Groenlândia depois de dizer que havia firmado as bases de um acordo com o chefe da Otan, Mark Rutte, para garantir maior influência dos EUA sobre o território.

Até o momento, porém, não foi esclarecido quais seriam os termos do acordo e em que pé estariam as negociações.

França visa iniciativas científicas e culturais

Bandeiras de França, Groenlândia e Canadá — Foto: Florent Vergnes/AFP

A França é o primeiro Estado-membro da União Europeia (UE) a abrir um consulado-geral na Groenlândia, embora na ilha só vivam nove cidadãos franceses. O ministro francês do Exterior, Jean-Noël Barrot, deverá visitar o território nas próximas semanas.

"A França reitera seu compromisso de respeitar a integridade territorial do Reino da Dinamarca", afirmou o Ministério francês do Exterior em comunicado divulgado nesta sexta-feira.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciara os planos para o consulado durante sua visita à Groenlândia no ano passado, em uma demonstração de solidariedade após Trump ter manifestado interesse em adquirir o território.

O cônsul-geral francês na Groenlândia, Jean-Noël Poirier, atuou anteriormente no Vietnã e na Líbia. Ele afirmou que o foco inicial será ouvir as necessidades dos groenlandeses e priorizar iniciativas científicas e culturais.

"Não tenho medo do frio, das noites de 20 horas. Estive na Líbia no ano passado e passamos por alguns momentos de perigo. Fomos atingidos por projéteis de morteiro, mas aqui não precisarei de colete à prova de balas ou capacete como em Trípoli, então não há problema", disse ele a repórteres.

Canadá quer ampliar presença no Ártico

Abertura do consulado do Canadá em Nuuk, em 6 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Stoyan Nenov

O Canadá anunciou seus planos em dezembro, quando a ministra do Exterior, Anita Anand, afirmou que o país abriria consulados na Groenlândia e em Anchorage, no Alasca, como parte dos esforços para reforçar sua presença no Ártico.

Anand visitou a Groenlândia nesta sexta-feira e participou da abertura do consulado canadense. Ela também se reuniu com seus homólogos da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, em Nuuk, para discutir a colaboração em segurança no Ártico.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, prometeu aumentar a presença militar e de segurança do Canadá na região.

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