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Em um ano na Casa Branca, Trump escancarou a fragilidade da Europa

As tarifas subirão para 25% em junho se estes países não cederem, avisou Trump em sua rede social. Desta forma, o presidente americano joga mais uma vez para embaralhar a ordem mundial e evidenciar a dependência e a subserviência de parceiros tradicionais dos EUA.

A escalada de tensões entre EUA e Europa põe a Otan num momento inédito e decisivo em 76 anos, no qual a sua unidade está sob risco. Trata-se de um país-membro sob a ameaça de outro — no caso, o maior contribuinte da aliança.

No primeiro ano do segundo mandato de Trump, ficou claro que a estratégia conciliadora dos europeus não amenizou a retórica belicosa do presidente, primeiro em relação à Ucrânia invadida pela Rússia e agora com a ambição pela Groenlândia, rica em minerais raros e considerada por ele vital para a segurança dos EUA. Este argumento, contudo, cai por terra, já que a proteção de seus 27 membros é a função primordial da Otan.

A saga expansionista de Washington direcionada a um aliado europeu é preocupante. “Não tanto pela tarifa de 10% em si, mas pela sua justificativa: tomar território de um aliado e tentar coagir publicamente seus aliados. Como o mundo reagiria se a China ou a Rússia enviassem uma ameaça como essa a alguns de seus aliados?” considerou Faisal Islam, editor de economia da BBC.

Sob esta perspectiva, Trump equipara a sua postura imperialista à de Putin, deixando a Europa fragilizada e, ao mesmo tempo, encurralada entre EUA e Rússia. De antemão, a fragmentação da Otan beneficiaria Moscou e Pequim e desestabilizaria a segurança europeia. O continente abriga 31 bases e 19 instalações militares dos EUA, totalizando cerca de 70 mil militares abrigados, em grande parte em países como Alemanha, Reino Unido e Itália.

A reação do bloco, tradicionalmente cautelosa e reflexo da histórica acomodação à dependência dos EUA em sua defesa, começou a se desenhar de forma mais contundente em medidas retaliatórias.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

Líderes europeus expressaram clara insatisfação em relação ao que chamaram de chantagem praticada por Trump. “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará”, escreveu Macron. Em uma ligação ao presidente americano, o premiê britânico Keir Starmer classificou como “completamente errada” a aplicação de tarifas.

A experiência do último ano demonstrou que é mais perigoso ceder à pressão de Trump do que resistir, avalia Gideon Rachman, colunista do jornal britânico “Financial Times”.

“A resposta é que, para evitar os piores resultados, os líderes europeus precisam reagir agora. Ao longo do último ano, eles tentaram apaziguar os ânimos e bajular. E foi exatamente isso que conseguiram. Precisam mudar de rumo imediatamente”, afirma Rachman.

Em seu primeiro ano na Casa Branca, Trump erodiu o relacionamento com a Europa. E, por mais dura que seja, a resposta do bloco às investidas erráticas do presidente americano chega tarde.

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