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Encontro Folha-Faap de jornalismo reúne diferentes gerações e debate desafios da profissão

A importância do rigor técnico e os caminhos possíveis para o jornalismo profissional foram os temas centrais do evento promovido pela Folha e pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), nesta sexta-feira (28), no centro de convenções da fundação, em São Paulo.

O Encontro Folha Faap - O Jornalismo Muda o Mundo reuniu jornalistas em início de carreira e profissionais experientes, incluindo Edilamar Galvão, coordenadora do curso de jornalismo da fundação, e Sérgio Dávila, diretor de Redação do jornal.

Ambos fizeram as falas de abertura do evento, em que celebraram a parceria entre Folha e Faap e reafirmaram a importância da profissão no contexto de avanço das tecnologias.

A inteligência artificial não será capaz de substituir profissionais da comunicação, que, de acordo, com Edilamar são necessários para a cobertura imediata dos fatos.

"Talvez a IA se aproprie desse conteúdo a partir do momento em que ele for produzido, mas haverá sempre um presente e um futuro que ainda não estão lá."

Em relação à difusão desenfreada de informações, Dávila afirmou que o jornalismo profissional pode não só mudar o mundo como salvar vidas.

Ele lembrou do consórcio de veículos de imprensa criado durante a pandemia para divulgar casos e óbitos pela Covid-19. A iniciativa foi motivada pela ausência de informações oficiais na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

"O país entrou num apagão de dados no momento em que conhecê-los era questão de vida ou morte, porque orientaria as políticas a serem seguidas", disse Dávila.

Para Mônica Bergamo, colunista da Folha, o jornalismo de fato pode ser determinante para a vida das pessoas, desde que o objetivo dos profissionais não seja influenciar os leitores.

"Eu não tenho que convencer [o leitor] de que a polícia entrar no Rio de Janeiro e matar cem pessoas numa emboscada não resolve o problema da segurança. O jornal precisa mostrar com dados que isso não funciona", afirmou.

Bergamo participou do primeiro painel, sobre os bastidores da notícia, ao lado de Basília Rodrigues, analista de política do SBT News, e Bruno Paes Manso, escritor e professor de jornalismo da Faap. A mediação foi feita por Eduardo Scolese, editor-líder do núcleo de Treinamento e Projetos Especiais da Folha.

Mônica Bergamo

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A colunista recordou algumas experiências marcantes da carreira, como ter entrevistado o presidente Lula enquanto esteve preso, em 2018, e acompanhado o momento em que o médium João de Deus, hoje preso por crimes sexuais, deixou o sítio em que estava escondido e se entregou à polícia.

A capacidade do jornalismo em mobilizar a opinião pública foi tema de uma das falas de Paes Manso, que citou como exemplo a história de uma mulher que descreveu ao 190, em tempo real, um assassinato realizado por policiais militares em um cemitério de Ferraz de Vasconcelos.

Os PMs foram absolvidos pelo júri, mas a repercussão da notícia fez com que as investigações de mortes causadas pela polícia fossem direcionadas ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), não mais aos distritos policiais.

Ao falar sobre grandes furos de reportagem, Basília destacou as boas relações com fontes, que, segundo ela, também podem fornecer informações exclusivas da rotina dos três Poderes. Acrescentou, no entanto, que é importante sempre manter o senso crítico para não se deixar levar pelas intenções dos contatos.

Com mediação de Naief Haddad, repórter especial da Folha, a segunda mesa discutiu diferentes formatos para veicular informações.

Vídeos com edições rápidas e linguagem adaptada às redes sociais, por exemplo, ajudam a atingir jovens acostumados à dinâmica digital, segundo Carol Pfeiffer, repórter do Folhateen e aluna de jornalismo na Faap. O formato, porém, não pode abandonar a apuração.

O didatismo também é ferramenta importante para traduzir temas complexos para o público. Esse é o desafio diário da repórter Priscila Camazano, que recebe convidados no Como É que É?, programa da TV Folha, para falar sobre assuntos em alta no noticiário.

"Eu preciso estudar temas completamente diferentes e mudar a chavinha todos os dias. Ontem eu estava falando de carro elétrico, hoje eu vou falar de concurso de beleza."

Também presente no segundo painel, Gabriel Barnabé, repórter de Mundo da Folha, falou sobre o impacto do uso de grandes bases de dados na cobertura de guerras, mencionando uma matéria que mostrou que Israel atacou a Faixa de Gaza mais de 20 mil vezes ao longo dos dois anos do conflito.

Na terceira mesa do encontro, Renata Lo Prete, âncora do Jornal da Globo, da TV Globo, foi entrevistada por Edilamar Galvão, da Faap, e pela repórter especial da Folha Fernanda Mena.

Durante a conversa, ela contou detalhes da cobertura do esquema do mensalão, em 2005, caso revelado durante sua passagem pela Folha. "Uma das coisas que eu falo especialmente bem na Folha é que nunca existiu a discussão sobre publicar ou não."

O que garantiu credibilidade à informação naquele caso, segundo ela, foi entender a motivação do então deputado Roberto Jefferson (PTB) em querer dar a entrevista exclusiva. Jefferson já vinha se sentindo acuado após as primeiras revelações do escândalo dos Correios.

"O mensalão é um escândalo nativo da imprensa. Foi a imprensa que detonou um processo que terminou nas comissões parlamentares de inquérito", afirmou.

A jornalista também falou sobre os desafios da cobertura durante a pandemia e sobre a adaptação que teve do trabalho no jornal impresso para a televisão. A principal mudança foi do ponto de vista da linguagem, que precisa ser mais clara e concisa para a TV.

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