O mês de fevereiro registra um novo recorde de endividamento no Brasil. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,2% das famílias brasileiras possuem alguma dívida. Este é o maior nível de endividamento de toda a série histórica da pesquisa feita mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010. O índice representa um avanço de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro e supera em 3,8 pontos percentuais o resultado de fevereiro de 2025. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (11).
O novo recorde vem acompanhado de uma retomada da inadimplência que interrompeu três meses de queda e subiu para 29,6%. Para a entidade, o cenário é reflexo direto da política monetária restritiva. A pesquisa revela ainda que a dificuldade de honrar compromissos financeiros está se tornando mais persistente. O tempo médio de atraso dos pagamentos subiu para 65,1 meses, o nível mais alto registrado desde o fim de 2024. Além disso, a fatia de consumidores inadimplentes por mais de 90 dias avançou para 49,5%, evidenciando que os atrasos estão cada vez mais longos.
"O aumento do endividamento preocupa, não costumamos ver este nível, mas o crescimento da inadimplência preocupa ainda mais porque é mais um sintoma do estrago que este longo período de aperto monetário com a alta Selic provoca no orçamento das famílias brasileiras", analisa Fabio Bentes, economista-chefe da CNC. O percentual de famílias que declaram não ter condições de pagar suas dívidas em atraso no próximo mês ficou em 12,6%, valor superior ao registrado no mesmo período do ano passado (12,3%).
O avanço do endividamento em fevereiro foi impulsionado majoritariamente pelas famílias de maior renda (acima de cinco salários mínimos) que utilizam o crédito como estratégia para manter o padrão de consumo sem desmobilizar capital próprio. Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento saltou de 65,5% em 2025 para 69,3% em 2026. Por outro lado, a inadimplência castiga as famílias mais pobres. No grupo com renda de até três salários mínimos, o percentual de contas em atraso manteve-se elevado em 38,9%, e quase uma em cada cinco dessas famílias (18,6%) afirma não ter condições de quitar suas dívidas pendentes.

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