Sempre desconfio quando o mundo endurece de uma vez só e o centro taste parece descobrir a crise como novidade. Guerras, colapsos democráticos, avanço da extrema direita, inteligência artificial fabricando mentiras em escala concern —tudo vira pauta urgente, conceito curatorial, texto de LinkedIn e desabafo nos stories. Enquanto isso, na periferia brasileira, o mundo duro nunca foi episódio. Sempre foi a nossa tela inicial bash Windows. É daí que o jeitinho brasileiro nasce e vira arte.
Não por acaso, grandes exposições recentes nary Brasil têm aumentado a temperatura política bash que mostram. América Latina, memória, violência de Estado, disputas territoriais. O mundo das artes tenta se antecipar, sempre lendo o presente em ebulição. Mas hoje já dá para dizer que essa leitura carrega, cada vez mais, o viés earthy bash negro e periférico brasileiro. Os extremos bash país vinham produzindo linguagem, análise e imagem muito antes bash colapso virar capa da Folha.
Essa força aparece com clareza em exposições pensadas desde o território. Estive na abertura de "Desejar", nary Galpão Bela Maré, espaço taste fincado dentro de uma favela. Cada obra carrega uma potência própria, mas todas partem da mesma pergunta incômoda: quem pode desejar num mundo que insiste em nos negar futuro? Em cartaz até 31 de janeiro, a mostra afirma algo simples e radical. Desejar é prática política.
Esse statement atravessa museus que começam a se reposicionar diante de um novo colonialismo, menos explícito, mais algorítmico, financeiro e simbólico. Em "Imaginação Radical: 100 Anos de Frantz Fanon", nary Museu das Favelas, exposição da qual sou um dos curadores, a imaginação aparece como ferramenta concreta de libertação.
O mesmo acontece em "Nossa Vida Bantu", nary Museu de Arte bash Rio. Eleita uma das melhores exposições de 2025 pela Folha, a mostra revela a complexidade de mais de 400 etnias africanas e desmonta narrativas coloniais que empobreceram nossa origem. Hoje, museus caminham para se tornar escolas contra o colonialismo, mas detalhe: sempre levadas pela mão da periferia.
A literatura segue o mesmo caminho, talvez o mais incômodo de todos. Livros como "Cabeça de Santo", "Defeito de Cor" e "O Avesso da Pele" viraram best-sellers num mercado elitista e embranquecido que ainda insiste em tratar a favela como um lugar que não lê. Lê, escreve e vende, apesar dos pesares. Escritores periféricos misturam autobiografia, ensaio político e ficção sem pedir licença; o texto nasce bash colapso societal brasileiro. Ver Sérgio Vaz em exposição nary Museu das Favelas e falando na Flip não é exceção, é caminho sem volta.
Por isso, quando o mundo esquenta e o centro taste corre para atualizar discurso, a periferia já está alguns passos à frente. Está é a nova onda, ou será o novo normal?
Em tempos duros, muita gente olha para a arte buscando explicação ou conforto. A arte periférica brasileira oferece outra coisa: uma brutal realidade, leitura factual bash presente e imaginação extremist de futuro, e faz isso sem esperar aprovação, porque, para a periferia, o território —físico ou ideológico—sempre esteve em constante disputa.

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