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Eppi Cinema caiu? Veja os apps piratas fora do ar e substitutos

O Eppi Cinema é um aplicativo de streaming ilegal que ganhou popularidade por oferecer acesso gratuito a filmes, séries e transmissões esportivas sem pagar direitos autorais. Assim como outros apps piratas, como BTV e MyFamily Cinema, o Eppi Cinema frequentemente fica fora do ar, gerando buscas como "Eppi Cinema caiu" ou "BTV vai voltar" no Google Trends. Esses aplicativos distribuídos em formato APK não estão disponíveis nas lojas oficiais como Google Play Store ou App Store, justamente por violarem leis de direitos autorais. A seguir, o TechTudo explica quais apps piratas estão fora do ar, por que isso acontece e quais são as alternativas legais e seguras disponíveis.

 Arte/TechTudo Diversos apps piratas para assistir filmes e séries estão fora do ar — Foto: Arte/TechTudo

A instabilidade desses serviços está relacionada principalmente à Operação Gatonet, uma megaoperação da Polícia Federal iniciada em 2024 que desarticulou esquemas de pirataria digital no Brasil. A operação resultou no bloqueio de milhares de sites e aplicativos ilegais, além da prisão de dezenas de pessoas envolvidas na distribuição de conteúdo pirata. Usuários que dependiam desses apps para assistir a conteúdos enfrentam não apenas a indisponibilidade dos serviços, mas também riscos de segurança, já que muitos desses aplicativos podem conter malware ou roubar dados pessoais.

Quais apps de streaming piratas estão fora do ar?

O Eppi Cinema foi um dos apps mais afetados pela operação, acumulando 1,2 mil reclamações no Reclame Aqui entre 26 de outubro e 3 de novembro de 2025. No auge da crise, o site registrou 698 novas queixas em um único dia (3 de novembro). O app redistribuía conteúdo protegido da Netflix, HBO Max, Amazon Prime Video e Disney+ sem autorização, além de transmitir canais de TV paga e eventos esportivos ao vivo. Usuários relatam ter pago assinaturas anuais de até R$ 200 poucos dias antes do bloqueio, ficando sem acesso e sem perspectiva de reembolso. Ainda segundo relatos no Reclame Aqui, o mesmo serviço já operou sob três nomes diferentes (My Family Cinema, Eppi Cinema e Duna TV) para burlar bloqueios anteriores.

O My Family Cinema foi um dos pioneiros entre apps piratas populares no Brasil, custando cerca de R$ 20 mensais ou R$ 200 anuais. O serviço foi bloqueado em 1º de novembro de 2025, acumulando 234 novas reclamações entre os dias 1 e 3 do mês, quantidade que integra as 484 queixas anteriores registradas entre janeiro e outubro. O app funcionava principalmente através de TV Boxes não homologados pela Anatel, oferecendo acesso ilimitado a catálogos de streaming sem pagar as plataformas legítimas. Clientes antigos do serviço afirmam que os responsáveis costumavam migrar para novos nomes quando bloqueados, mas desta vez a operação foi mais abrangente, dificultando retorno imediato.

A BTV foi derrubada na segunda onda de bloqueios, ocorrida entre 30 de novembro e 1º de dezembro de 2025. Diferentemente de apps que funcionavam por assinatura digital, a BTV era frequentemente vendida junto com TV Boxes físicos, em que consumidores pagavam pelo aparelho (em torno de R$ 300 a R$ 500) e depois assinaturas anuais de R$ 100. Entre janeiro e outubro de 2025, a BTV Box acumulou 791 reclamações, com mais 96 queixas concentradas nos três primeiros dias de novembro. Usuários relatam ter comprado os aparelhos achando tratar-se de produto legal, descobrindo a ilegalidade apenas após o bloqueio. O código de erro mais comum reportado foi o 503 (serviço indisponível).

 Reprodução/Internet BTV era vendida em conjunto com TV Boxes e tinha assinaturas anuais de R$ 100 — Foto: Reprodução/Internet

Duna TV, Blue TV, RedPlay Live e outros

Além dos três apps principais, a operação derrubou mais de 30 plataformas piratas em duas ondas de bloqueios. A primeira, em início de novembro de 2025, afetou My Family Cinema, TV Express, Eppi Cinema, Vela Cinema, Cinefly, Vexel Cinema, Humo Cinema, Yoom Cinema, Bex TV, Jovi TV, Lumo TV, Nava TV, Samba TV e Ritmo TV. A segunda onda, no fim de novembro, bloqueou BTV, Red Play, Blue TV, Duna TV, Super TV Premium, Football Zone, Mega TV, PLUSTV e outros. Todos operavam no mesmo modelo: cobravam assinaturas baratas (US$ 3 a US$ 5 mensais) para redistribuir conteúdo protegido sem pagar pelos direitos autorais.

O que isso significa para quem os usava? O que esperar?

Para os 4,6 milhões de usuários brasileiros desses serviços, a consequência foi imediata: perda total de acesso sem aviso prévio. Assinantes que haviam pago planos mensais, semestrais ou anuais ficaram sem o serviço de uma hora para outra e descobriram que não há proteção legal ou garantia de reembolso.

A situação se agrava porque muitos usuários acreditavam estar usando serviços legais, especialmente quem comprou TV Boxes físicos em lojas aparentemente confiáveis. Relatos no Reclame Aqui mostram consumidores que pagaram R$ 100 por assinatura anual em setembro de 2025 (válida até setembro de 2026) e perderam acesso dois meses depois, em novembro. Pedidos de ressarcimento foram ignorados pelas plataformas, que simplesmente desapareceram da internet.

Quanto à possibilidade de retorno, há precedentes: em operações anteriores, os mesmos responsáveis migraram os serviços para novos nomes (My Family Cinema virou Eppi Cinema, que virou Duna TV). Porém, desta vez a operação foi mais abrangente, desmantelando o centro de marketing em Buenos Aires e revelando que a administração, finanças e tecnologia estavam baseadas na China. Isso dificulta, mas não impossibilita, reorganização sob novos nomes. Especialistas alertam que novos apps podem surgir, mas usuários enfrentarão os mesmos riscos: instabilidade, bloqueios repentinos e ausência de direitos do consumidor.

 Reprodução/Reclame Aqui Reclame Aqui registrou mais de 1,8 mil queixas em três dias após bloqueio dos apps piratas — Foto: Reprodução/Reclame Aqui

Por que isso acontece? Entenda a Operação Gatonet

Gatonet é o termo usado para serviços de TV pirata que distribuem ilegalmente canais pagos, filmes e série. A operação que derrubou Eppi Cinema, My Family Cinema e dezenas de outros apps foi coordenada pela Justiça da Argentina com apoio da Alianza Contra la Piratería Audiovisual, associação que representa a indústria audiovisual na América Latina. A escolha da Argentina não foi aleatória: investigações revelaram que a maioria dos servidores desses serviços estava hospedada no país, especificamente em Buenos Aires.

A primeira fase da operação ocorreu em agosto de 2025, quando a polícia argentina encontrou o "centro de comando" dos serviços piratas. Segundo Jorge Bacaloni, presidente da Alianza, o escritório em Buenos Aires cuidava do marketing e vendas para o mundo inteiro, enquanto administração, finanças e tecnologia ficavam na China. Esse modelo de operação transnacional dificultava ações de autoridades de um único país.

Em novembro de 2025, a Procuradoria Federal de Crimes Cibernéticos de San Isidro solicitou o desligamento dos servidores, resultando na primeira onda de bloqueios (14 apps derrubados em 1º de novembro). A segunda onda ocorreu no fim de novembro (mais 22 apps bloqueados entre 30 de novembro e 1º de dezembro). As operações foram realizadas durante fins de semana para minimizar reorganização imediata pelos responsáveis.

Do ponto de vista legal, a oferta de serviços de telecomunicações sem autorização configura crime pelo artigo 183 da Lei Geral de Telecomunicações (atividade clandestina). A distribuição de conteúdo protegido viola leis de direitos autorais. E o uso de equipamentos não homologados para redistribuição ilegal é considerado infração regulatória grave pela Anatel, com possibilidade de sanções.

E agora? Quais alternativas legais existem?

Para quem usava apps piratas e busca alternativas legais, existem diversas opções de streaming com preços acessíveis e planos compartilhados. A diferença fundamental é que plataformas legítimas pagam pelos direitos autorais, oferecem proteção ao consumidor, não expõem usuários a riscos de segurança digital e garantem estabilidade do serviço.

O Globoplay oferece planos a partir de R$ 29,90 mensais, com acesso a novelas, séries brasileiras e internacionais, programas da TV Globo ao vivo, filmes e produções originais. O catálogo é focado em conteúdo nacional, diferencial importante para quem gosta de produções brasileiras.

A Netflix oferece planos a partir de R$ 20,90 mensais (plano com anúncios), R$ 39,90 (plano padrão) e R$ 55,90 (plano premium). O catálogo inclui milhares de filmes, séries, documentários e produções originais exclusivas. A plataforma também permite download de conteúdo para assistir offline.

Incluído na assinatura do Amazon Prime por R$ 19,90 mensais (ou R$ 9,90 para estudantes), o Prime Video oferece catálogo extenso de filmes e séries, incluindo produções originais como The Boys, O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder e Fallout. A assinatura Prime também inclui frete grátis em compras, Amazon Music e Prime Reading. É uma das opções com custo-benefício atrativo no mercado.

O Disney+ custa R$ 43,90 mensais (plano premium) ou R$ 33,90 (plano padrão), oferecendo conteúdo de Disney, Pixar, Marvel, Star Wars, National Geographic e produções Star. O catálogo conta com produções que atendem desde famílias com crianças, com animações clássicas e lançamentos populares, até projetos para o público. No plano premium, são permitidas até quatro telas simultâneas.

O serviço custa R$ 34,90 mensais e reúne conteúdo HBO, Warner Bros, DC, Cartoon Network e reality shows. Catálogo inclui séries aclamadas como House of the Dragon, The Last of Us e Succession. Permite download para visualização offline.

O Pluto TV é completamente gratuito e legal, funcionando com modelo de canais ao vivo e programação sob demanda. Sustentado por anúncios, oferece dezenas de canais temáticos de filmes, séries, notícias, esportes e entretenimento. Não exige cadastro.

Outro serviço gratuito e legal, o Tubi oferece milhares de filmes e séries sustentados por anúncios. Pertence à Fox Corporation e opera legalmente no Brasil desde 2022. Catálogo inclui projetos clássicos, filmes independentes e séries de TV.

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