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Equador abre investigação para entender como bomba do país foi parar na Colômbia

No início da semana, Petro afirmou que 27 corpos foram encontrados carbonizados na fronteira entre os dois países após um bombardeio feito pelo país vizinho. O presidente do Equador, Daniel Noboa, negou as acusações e disse que bombardeou alvos de criminosos dentro do próprio território.

Durante a madrugada desta quarta-feira, Petro afirmou que uma bomba encontrada no lado colombiano, que não havia sido detonada, foi identificada como sendo do Equador. Ele disse que uma investigação foi aberta e que a Colômbia vai emitir uma nota de protesto diplomático.

Diante das tensões, autoridades dos dois países se reuniram na manhã desta quarta-feira para discutir o incidente. Em nota, o Ministério da Defesa equatoriano afirmou que uma análise concluiu que a operação foi legítima e ocorreu apenas no próprio território.

"Por isso, de comum acordo, foi coordenada a criação de uma Comissão Técnica Binacional para verificar 'in loco' os motivos pelos quais o explosivo apareceu em território colombiano", diz o comunicado.

A Defesa do Equador afirmou ainda que continuará realizando operações contra organizações criminosas, "única e exclusivamente dentro do território equatoriano".

Fragmento que governo da Colômbia diz ser de bomba que atingiu território colombiano em 16 de março de 2026. Presidente colombiano acusou Equador por ataques. — Foto: Wilmar Garzón Melendes/ AFP

Segundo o governo colombiano, o ataque ocorreu próximo à cidade de Ipiales, no sul do país, a poucos metros da fronteira com o Equador.

Moradores da região afirmaram que aviões teriam lançado bombas do lado equatoriano. Parte dos artefatos teria caído no território colombiano.

À AFP, o camponês Julián Imbacuán disse que um explosivo caiu a cerca de 60 metros da casa dele, no povoado de El Amarradero. Segundo ele, o suposto ataque aconteceu no dia 3 de março.

"Chegaram uns três aviões, mais ou menos, do lado do Equador, e soltaram esses artefatos, e alguns conseguiram sim explodir, mas do lado do Equador", contou.

"Estávamos todos apavorados, quer dizer, assustados, e preocupados que, de repente, esses aparelhos fossem explodir e pudessem tirar nossas vidas."

A Colômbia informou que moradores encontraram uma bomba de cerca de 250 kg que não foi detonada na região. Imagens mostram que o explosivo tem inscrições em inglês.

De acordo com especialistas ouvidos pela AFP, o artefato que aparece nas fotos seria uma bomba de queda livre do tipo MK, que não é guiada e cai por gravidade. Esse tipo de armamento é geralmente fabricado no Brasil e nos Estados Unidos.

Tensões entre Colômbia e Equador — Foto: Alberto Correa/Arte g1

O que está por trás da crise?

A tensão entre os dois países vem aumentando desde fevereiro, quando o Equador impôs tarifas sobre produtos colombianos. A Colômbia respondeu com medidas semelhantes.

Além da disputa comercial, há divergências sobre o combate ao narcotráfico na região de fronteira, onde atuam guerrilhas e organizações criminosas.

O Equador iniciou uma ofensiva militar recente contra esses grupos, com apoio dos Estados Unidos e mobilização de milhares de soldados.

Noboa disse que o Equador está combatendo grupos criminosos e que os bombardeios fazem parte dessa ofensiva, mas apenas dentro do território equatoriano. Ele também acusou a Colômbia de falhar no controle da fronteira, permitindo a entrada de grupos criminosos no país.

"Com apoio da cooperação internacional, seguimos nessa luta, bombardeando locais que serviam de esconderijo para esses grupos, em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem no Equador por descuido na fronteira", publicou em uma rede social.

Daniel Noboa e Gustavo Petro, presidentes de Equador e Colômbia — Foto: Montagem g1/Reuters/Reprodução

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