Fiel aliado de Washington, o presidente do Equador, Daniel Noboa, vem implementando há mais de dois anos uma política dura contra os cartéis da cocaína, mas os índices de homicídios, desaparecimentos, extorsões e outros crimes não recuaram.
Até a manhã de 31 de março, as forças militares equatorianas lançarão uma "ofensiva muito forte" com "assessoria" americana, antecipou o ministro do Interior, John Reimberg.
O governo não decidiu publicamente se irá mobilizar militares dos EUA em seu território, como já ocorreu durante o mandato de Noboa.
Embora não produza cocaína, o Equador virou o principal ponto de partida da droga que chega aos Estados Unidos.
Como funcionará o toque de recolher?
Os equatorianos das províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro estarão proibidos de sair entre 23h e 5h locais.
Durante o toque de recolher, só poderão sair de casa:
- viajantes com passagem aérea em mãos;
- profissionais de saúde;
- trabalhadores dos serviços de emergência.
A medida preocupa jornalistas, transportadores, donos de restaurantes, bares e outros negócios noturnos, além de pessoas que vivem longe de seus locais de trabalho.
Martha Ladines, de 28 anos, é padeira em Guayaquil e não poderá começar sua jornada de trabalho a tempo. "Disseram para nós que essa hora não será compensada porque há turnos de outros colegas, e vão descontar do salário", diz à AFP a mãe de dois filhos.
O Equador faz parte da aliança de 17 países criada por Donald Trump para combater o narcotráfico na região, após um acordo selado no começo do mês em Miami sob o nome de "Escudo das Américas".
Noboa se alinha a países como El Salvador e Argentina, dispostos a respaldar a campanha americana para ampliar sua influência na América Latina após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar ordenada por Trump na Venezuela.
Há meses, as forças especiais americanas apoiam os comandos equatorianos em treinamento, inteligência e financiamento.
Na quarta-feira, o governo anunciou a inauguração do primeiro escritório do FBI no Equador. Na semana passada, bombardeou, com apoio dos Estados Unidos, um acampamento dos Comandos da Fronteira, uma dissidência da guerrilha colombiana das Farc que atua na fronteira entre os dois países.
Essa ofensiva divide os equatorianos, diante de denúncias de organismos de direitos humanos sobre excessos da força pública durante os frequentes estados de exceção decretados por Noboa.
O toque de recolher "vai ser duro para muitos por causa do trabalho, mas é necessário para tentar controlar a insegurança em que vivemos. Tomara que as autoridades façam uma boa operação tática e não haja tantos mortos", diz Luis Villacís, um vigilante de 58 anos.
Os equatorianos votaram "não" ao retorno de bases militares estrangeiras ao país em um referendo promovido por Noboa.

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