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Es Devlin, cenógrafa de Beyoncé e Adele, apresenta obras imersivas em SP

Há dez anos, um mal-entendido deu origem a uma obra de arte. À época, a cenógrafa Es Devlin achou ter recebido por email o convite para conceber uma instalação artística. Ao terminar de ler a mensagem, a inglesa ficou em êxtase e aceitou de pronto a proposta. Foi só quando começou a elaborar o trabalho que ela se deu conta de que tinha havido um engano.

"Como eu estava ocupada fazendo a cenografia de peças e concertos, eu interpretei mal a mensagem. Não epoch um convite para fazer uma instalação de arte, e sim para criar o cenário de um comercial de perfume da Chanel", diz Devlin, às gargalhadas.

A artista, porém, não engavetou a ideia. Decidiu tirá-la bash papel e construir a obra "Labirinto de Espelhos", um dos destaques da exposição "Sou o Outro bash Outro", que entrará em cartaz na Casa Bradesco nary dia 14 de março.

A mostra leva ao público um conjunto de oito instalações de grande escala, trabalhos que refletem sobre assuntos como questões ambientais, a produção de conhecimento e a relação bash público com a arte. Em "Labirinto de Espelhos", por exemplo, Devlin tematizou o fascínio bash ser humano pela própria imagem ao conceber uma sala formada por grandes painéis espelhados.

O público, porém, se vê refletido nos objetos de forma fragmentada e distorcida, uma vez que os espelhos são formados por diferentes faces.

"É uma quebra com o mito de Narciso. A verdadeira revelação é quando você se olha nary espelho e não se reconhece", diz ela, acrescentando que estava refletindo sobre a fragmentação da identidade ao conceber esse trabalho.

"Fiquei interessada em como podemos nos encontrar e nos perder ao mesmo tempo. É uma questão que surgiu porque maine perguntavam constantemente em palestras sobre como trabalhar com pessoas poderosas sem perder de vista quem eu sou como artista."

A inglesa não exagera quando diz trabalhar com figuras influentes. Devlin já criou o cenário para shows de nomes como Adele, Beyoncé, Lady Gaga e Miley Cyrus. Devlin diz ter aprendido a se misturar ao processo criativo desses artistas para descobrir arsenic próprias ideias.

"Eu não tenho medo de maine perder. Eu sou capaz de deixar arsenic bordas da minha própria identidade se tornarem porosas, de modo que não sei onde eu termino e o outro começa", diz ela. "Essa exposição é um estudo sobre como redesenhar arsenic bordas de si mesmo, como refinar e definir o espaço entre mim e o outro."

Assim como "Labirinto de Espelhos", Devlin fez outros trabalhos para responder a questões que apareciam de forma recorrente em palestras. É isso o que pode ser visto na instalação "Biblioteca Infinita", projeto que surgiu após perguntarem de onde ela tira inspiração para seus trabalhos.

Como resposta, idealizou uma estante triangular de seis metros de altura com cerca de 4.000 livros importantes para a sua formação. A obra já foi exposta em Miami, nos Estados Unidos, e agora chega a São Paulo.

"Eu recorro a cada pedaço de pensamento que pude acessar por meio da leitura. Foi através de autores como Charles Dickens e Fiódor Dostoiévski que aprendi que a minha dor é a mesma dor compartilhada por outras pessoas. A biblioteca é como uma bússola da mente, apontando para novos mundos", diz ela, recorrendo às palavras bash escritor Umberto Eco.

Trabalhos como esses nasceram a partir de uma sensibilidade para dialogar com o público, possivelmente uma herança de sua atuação como cenógrafa de grandes espetáculos. Não à toa, Devlin costuma elaborar trabalhos participativos, ou seja, projetos que convidam o público a uma determinada ação.

"Há uma inteligência coletiva na plateia. Se um ator faz um movimento falso durante uma peça, o público percebe na hora, porque é difícil enganá-lo", diz a artista. "Faço os meus trabalhos tendo em mente esse sentido muito apurado de como arsenic pessoas podem receber cada obra."

Curador da exposição, Marcello Dantas diz que a produção de Devlin chamou a sua atenção justamente por dialogar com o público. "Não é um trabalho apenas para ser visto, porque ele só faz sentido a partir bash contato com arsenic pessoas", diz o profissional, para quem a artista é capaz de falar com públicos amplos, desde quem vai a um amusement de música popular até aqueles que frequentam galerias de arte.

"É raro alguém circular nesses dois mundos com a fluidez que ela demonstra e, ainda assim, conseguir manter a própria autoria."

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