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Esconder app de banco é suficiente? Veja o que realmente protege seu dinheiro

Ocultar apps bancários, usar pastas com senha e até disfarçar o ícone do banco já virou hábito entre brasileiros que tentam reduzir o risco de prejuízo em roubos e furtos de celular. Essas medidas ajudam, mas não impedem totalmente o acesso às contas. Por isso, é recomendável combinar camadas extras de proteção, como limites de transferência, travas no Pix e a estratégia de manter um aparelho principal em casa e outro para uso na rua.

O TechTudo conversou com o especialista em segurança digital e proteção de dados e Diretor de Inovação da Grownt, Cristiano Vicente, que detalhou quais ajustes realmente aumentam a proteção financeira no dia a dia. A seguir, veja quatro medidas para proteger seu dinheiro em caso de roubo do smartphone.

Esconder app de banco é suficiente? Veja o que realmente protege seu dinheiro — Foto: AndreyPopov/Getty Images Esconder app de banco é suficiente? Veja o que realmente protege seu dinheiro — Foto: AndreyPopov/Getty Images

1. Ter um “celular do ladrão” (e um celular do banco em casa)

Uma estratégia muito utilizada por usuários preocupados com segurança é separar os usos do smartphone. A ideia é ter um aparelho “da rua”, popularmente chamado de “celular do ladrão”, que concentra apenas aplicativos essenciais para o dia a dia. Para o especialista Cristiano Vicente, a prática é boa apenas se for bem implementada.

"É uma boa prática se for tecnicamente bem implementada, desde que se siga a recomendação de manter somente os apps essenciais para cair na folia: Cartão de crédito virtual e aplicativo de corrida, e no máximo sincronização automática das fotos para a nuvem. Sem apps de banco, redes sociais, nem conta de email. Quando chegar em casa, basta acessar as fotos na nuvem pelo celular principal e compartilhar nas redes que preferir", explica.

Já no telefone “de casa”, o usuário mantém os apps bancários, redes sociais, contas de e-mails e realiza movimentações de valores. Essa divisão reduz drasticamente a exposição das contas mais importantes em situações de perda ou roubo, já que o criminoso não terá acesso direto ao que realmente importa.

 Reprodução/Pulsus Tenha um celular para usar em casa e outro "pro ladrão" — Foto: Reprodução/Pulsus

2. Ter apenas cartões cadastrados no celular

Outra camada importante de proteção é limitar o uso financeiro do celular da rua às carteiras digitais, como Apple Pay e Google Pay, em vez de manter aplicativos bancários completos instalados. Nesse modelo, os pagamentos cotidianos são feitos por aproximação, com cartões virtuais e autenticação biométrica, enquanto transferências, Pix de valores elevados e outras operações sensíveis ficam restritas ao celular de casa. Segundo o especialista, "o pagamento por aproximação (NFC e carteiras digitais) costuma ter limites e camadas de segurança, e em muitos casos exige o desbloqueio do aparelho ou autenticação adicional para aprovar/liberar uma compra, o que reduz o dano caso o ladrão tenha acesso com ele bloqueado".

Assim, em caso de perda ou roubo, o risco de movimentações indevidas é reduzido, já que as carteiras digitais permitem bloqueio rápido dos cartões e não oferecem acesso direto ao saldo da conta. No entanto, Vicente alerta: "ainda assim o ladrão poderá fazer repetidas compras abaixo do limite autorizado por compra por aproximação, até que o cartão de crédito seja bloqueado".

 Reprodução/Unsplash Dê preferência às carteiras digitais — Foto: Reprodução/Unsplash

4. Limites baixos e travas no Pix

Embora o Pix represente um avanço na forma como o usuário realiza pagamentos, ele também está entre os principais alvos de criminosos em roubos de celulares. Para evitar impactos financeiros, o ideal é configurar limites baixos para transferências pelo sistema. Além disso, manter um teto ainda menor para o período noturno, entre 20h e 6h, ajuda a minimizar perdas em situações de coação.

Também é recomendado ativar bloqueios para transferências a novos destinatários e aproveitar o tempo de espera obrigatório para aumentos de limite, o que impede que um criminoso eleve valores rapidamente após assumir o controle do aparelho. É importante destacar que, mesmo que as travas não impeçam totalmente o golpe, elas reduzem significativamente os prejuízos em caso de roubo.

 Mariana Saguias/TechTudo Ative travas de segurança para operações via Pix — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

4. Ativar alertas e bloqueios automáticos do banco

Por fim, manter as notificações instantâneas ativadas para qualquer transação é uma medida importante de segurança. Alertas de Pix enviado, pagamentos realizados ou até tentativas de acesso permitem que o usuário perceba rapidamente movimentações fora do padrão e aja de imediato.

Além disso, muitos bancos já contam com sistemas automáticos de detecção de fraude, capazes de bloquear preventivamente a conta diante de operações suspeitas ou exigir uma confirmação extra em transações de valor elevado.

 Mariana Saguias/TechTudo Ative as notificações para receber alertas de todas as transações do celular — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Em caso de cair em golpes ou ter o celular roubado, o que fazer?

Se o celular for roubado ou furtado, a orientação é agir o mais rápido possível. Segundo o especialista, "após roubo ou perda do celular, recomenda-se adotar um conjunto de medidas que se estende das primeiras horas até os dias seguintes ao ocorrido. De imediato, é importante bloquear o aparelho remotamente pelos sistemas de localização do iPhone ou do Android e registrar a ocorrência no aplicativo Celular Seguro, do Ministério da Justiça", explica.

Vicente aponta, ainda, outras medidas importantes, como: "também deve ser solicitado o bloqueio do chip/SIM junto à operadora e comunicados bancos e fintechs para interromper acessos e transações. Nas horas seguintes, é indicado trocar as senhas de e-mail, redes sociais, aplicativos bancários e serviços de nuvem, além de ativar ou revisar a autenticação em duas etapas nos serviços mais sensíveis e registrar boletim de ocorrência".

O processo não pode parar no primeiro dia após o roubo: "nos dias posteriores, o usuário deve monitorar extratos e alertas de movimentações financeiras e consultar o sistema Registrato, do Banco Central, para verificar possíveis aberturas indevidas de contas ou empréstimos, bloqueando a criação de novas contas se a opção estiver disponível. Caso haja prejuízo financeiro, a orientação é abrir contestação formal no banco, por meio dos canais de reclamação ou ouvidoria, e, se necessário, registrar demanda na plataforma consumidor.gov.br.", finaliza.

Como o especialista protege o próprio celular antes da folia

O TechTudo perguntou ao especialista em segurança e tecnologia como ele faria para proteger seu dinheiro e celular caso fosse cair na folia. Segundo ele: "Eu usaria um “celular de rua” limpo, sem app de banco, sem email principal nem redes sociais, contendo apenas o cartão de crédito virtual e o aplicativo de viagem. Reforço que uma boa combinação para mitigar os riscos de ter um aparelho furtado ou roubado na folia envolve 3 variáveis: O aparelho, os aplicativos e o comportamento."

Ele comenta que, além das dicas acima, o comportamento do usuário também deve ser levado em consideração: "reforço que não é recomendável usar/exibir celular no meio do bloco, se possível transportá-lo em alguma pochete ou doleira por baixa da roupa e sempre se atentar aos foliões da vizinhança, se afastando de qualquer situação suspeita", complementa.

 Mariana Saguias/TechTudo Registre um boletim de ocorrência e avise aos bancos — Foto: Mariana Saguias/TechTudo
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