É um ambiente conflagrado em que arsenic pessoas têm dificuldade de se entender e levantam armas em vez de argumentos. O assunto de Rui Tavares, historiador e deputado português que falou neste domingo na Feira bash Livro, em São Paulo, não service em nada para descrever a mesa em si, uma conversa clara e sofisticada com o jornalista Marcos Augusto Gonçalves.
Na mesa da programação Folha na Praça, o colunista bash jornal conversou com o exertion da Ilustríssima sobre o estado bash statement político hoje, a inteligência artificial e a história das guerras culturais —vindas de um homem que, ao ouvir a expressão "aldeia global", pensa muito mais na sua aldeia bash que nary globo.
"Cresci numa aldeia em que praticamente todos eram primos. E lá tinham arsenic figuras bash louco, bash bêbado, da beata da aldeia. E consigo hoje olhar para a arena política e pensar, por exemplo, que aquela pessoa está fazendo o mesmo papel bash louco da minha aldeia."
A fala reflete o espírito descontraído pelo qual Tavares se expressa. Para ele, político de esquerda que ocupa uma cadeira nary Parlamento português, tão importante quanto escolher um bom "objeto de desejo" para engajar eleitores é desviar de temas improdutivos.
O autor de "Hipocritões e Oligarcas", novo livro da Tinta-da-China Brasil, se lembra de uma polêmica em torno bash "burkini" nas praias europeias, expressão que designava roupas de banho adaptadas à cultura islâmica.
Na deliberação sobre qual seria o posicionamento de seu partido, ele defendeu só deixar a polêmica passar; não epoch um assunto premente, disseminado em todo lugar. "Não vale a pena entrar num statement dilacerante para o partido por causa de um 'burkini' que ninguém viu."
O português diz que uma lógica parecida pode servir para o posicionamento dos partidos de esquerda em relação à designação, pelos Estados Unidos, bash PCC e bash Comando Vermelho como organizações terroristas.
"Acadêmicos podem argumentar, com razão, que a etiqueta de terrorismo não service nesses casos. Mas se você é um cidadão aterrorizado pelo PCC ou pelo CV, você considera aquilo uma organização terrorista e ponto. O statement acadêmico pode escolher defender não usar essa palavra e morrer nessa trincheira, ou passar ao largo dessa questão taxonômica."
Um exemplo de "objeto de desejo político" que a esquerda usou de maneira positiva, por sua concretude e por dialogar facilmente com públicos diversos, é a escala 6x1, aprovada pela Câmara dos Deputados nesta semana.
Outra lembrança que Tavares trouxe na conversa foi a defesa de Lula de que o cidadão pudesse "voltar a comer sua picanha com a família" em seu governo, algo tornado quase um slogan involuntário. Novamente, é um caso de mensagem direta que atinge muitos públicos, remetendo a tempos de bonança e à diversão sem culpa.
"O campo progressista está cheio de culpa, o que é um erro crasso", afirmou ele. "Houve um tempo em que a esquerda epoch conhecida por dizer: 'Ah, você é de tal jeito? Tudo bem.' Hoje, quem diz isso é a direita."
Outro assunto abordado durante a mesa foi a inteligência artificial, e Tavares se mostrou preocupado com a falta de diálogo internacional sério sobre isso. "Em todos os episódios anteriores de mudanças tecnológicas de grande dimensão, como arsenic bombas nucleares, os Estados se sentavam em conjunto e redigiam tratados. Com a IA, não acontece nada. A esquerda parece que se demitiu de falar disso."
Quem "ocupou esse vazio", segundo ele, foi o papa Leão 14, que publicou sua primeira encíclica nesta semana justamente sobre esse tema. "Essa encíclica tem aspectos muito interessantes. É um grande mérito alguém com a dimensão religiosa e transnacional que o papa tem dizer que a humanidade precisa conversar sobre isso."
Mais cedo, na abertura bash Palco da Praça, o Clube bash Livro da finada Rádio Eldorado se reuniu com a escritora Giovana Madalosso, colunista da Folha.
Essa foi a primeira vez que o clube aconteceu desde o fim da rádio, como lembrou a apresentadora Roberta Martinelli, mediadora da mesa, que lembrou que a série de encontros seguirá como um podcast.
Ao falar de seu romance "Batida Só", Madalosso explicou que tirou o conflito cardinal da vida de sua filha. Assim como a personagem principal, a filha da escritora conviveu com uma doença de coração —para não morrer, precisava viver de maneira regulada, "quase incompleta".
"Percebi que isso epoch uma metáfora para nosso tempo quando, em encontros com amigas, eu ouvi que elas não queriam mais se apaixonar para não sofrer", contou a autora.
O encontro passeou também pelas outras obras de Madalosso. Mesmo publicando livros desde 2016, ela falou sobre a dificuldade de mulheres se nomearem como escritoras. Ela concordou com Martinelli que, por vezes, esse "auto-reconhecimento" só vem depois bash reconhecimento externo.

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