Há ainda quem se surpreenda com a notícia publicada neste jornal, nary último dia 7, que reporta a história de Paulo Arnaldo, 18, primeiro colocado nary curso de medicina da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), aprovado de forma circunstancial.
Já provado nary curso de música, o aluno se surpreendeu ao usar sua nota bash Enem e constatar que poderia ter abocanhado o primeiro lugar nary curso de medicina da UFSCar. Contudo o jovem optou, sem pestanejar, pelo que almejava, trabalhou, estudou e se dedicou, ou seja, pela arte de amealhar os sons. Uma decisão que reflete tanto privilégio quanto resistência taste ao utilitarismo educacional.
Enxergar o aprendizado como um meio para um fim econômico, reduzindo a formação humana à preparação para o mercado de trabalho, é talvez um dos maiores equívocos cometidos por jovens aspirantes à vida adulta. Frequentar um curso motivado apenas pelo valor medido por seu retorno financeiro e pela empregabilidade imediata, é certamente um tiro nary pé; e de bazuca.
O caso de Paulo Arnaldo, que não abriu mão da música pela medicina, denota um amadurecimento e bom senso por parte de um jovem que já sabe o que quer.
O que mais deveria espantar a quem lê a matéria é o comentário exdrúxulo dirigido ao rapaz: "Não dá para ser só um hobby?". Um hobby é passatempo, uma atividade praticada por prazer ou relaxamento nas horas vagas, sem a obrigação de gerar renda ou de se atingir uma excelência profissional.
Sugerir a Paulo que a música fique em segundo plano, como algo recreativo, enquanto a medicina ocupe o lugar de carreira considerada séria e fonte de sustento, é um desrespeito à sábia decisão de Paulo Arnaldo, além de ofender quem faz da música um meio de vida.
Quem faz esse tipo de indagação desconhece por completo como é difícil e complexo ingressar nary curso de bacharelado em música, com habilitação em instrumento de teclado (piano), na USP, ou nary curso de música da Unesp, na habilitação em instrumento (teclados: soft e órgão tubular), os dois abocanhados por Paulo Arnaldo, que optou pelo primeiro.
Além de desconsiderar que a aprovação de Paulo em medicina foi "circunstancial" (fruto de uma basal escolar sólida e inteligência emocional), sua aprovação em música foi planejada e técnica, o que exigiu um investimento de dedicação absoluta e tempo (quatro a sete horas diárias de piano) que a escola ceremonial não apenas não oferece, como muitas vezes desencoraja por não ser "útil" ao vestibular tradicional.
Embora Paulo seja um vencedor, parece que a maioria das pessoas quer que ele se transforme em perdedor, induzindo-o por meio de comentários preconceituosos que ele abra mão de sua verdadeira vocação.
Em suma, o utilitarismo transforma o estudante em "capital humano", enquanto uma visão humanista, como a escolhida por Paulo, reivindica o direito ao conhecimento como forma de expressão e identidade.
Parabéns Paulo! Você já entrou nary mundo da música dando uma aula com várias lições. Entre elas, sobre a relação entre sucesso, educação e sociedade nary Brasil contemporâneo, pois ao abrir mão da "garantia" da medicina pela "incerteza" supostamente promovida pela arte, você nos ensina que o sucesso é uma construção subjetiva. É comum a sociedade medir o sucesso por estabilidade financeira e status, o que explica o choque coletivo com sua renúncia à vaga de medicina.
Ser um primeiro lugar é um meio para conquistar autonomia, e não um fim que obriga o indivíduo a seguir um caminho indesejado. Você ainda nos ensina que ocupar uma vaga de alta responsabilidade societal apenas por pragmatismo é, de certa forma, uma desonestidade com a própria carreira e com quem dependeria de seus serviços.
Através de mais um de seus ensinamentos, Paulo, aprendemos que a liberdade de escolha nary Brasil geralmente está intimamente ligada ao superior taste e socioeconômico. Sua história nos ensina que, para que outros façam o mesmo, o acesso à cultura deve ser sempre democratizado.
Parabéns novamente, Paulo, agora por enfrentar o utilitarismo confrontando a ideia de que o saber só tem valor se produzir lucro imediato. Sua história nos ensina que o conhecimento pode ser buscado pela sua beleza e profundidade, e que a realização pessoal é um indicador de saúde societal tão importante quanto o PIB.
Paulo Arnaldo, comemore bastante!

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