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EUA, Ucrânia e Rússia iniciam nova rodada de negociações pelo fim da guerra

"Estamos trabalhando nos mesmos formatos de ontem: consultas trilaterais, trabalho em grupo e maior sincronização de posições", disse o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov.

Essa é a segunda parte das negociações, que teve início em janeiro.

O governo ucraniano está sob pressão dos Estados Unidos para aceitar o acordo para interromper a guerra, que já dura quase quatro anos. Ao mesmo tempo, lida com uma campanha de ataques aéreos que devastou o seu sistema de energia durante um dos invernos mais frios dos últimos anos.

“Acabamos de receber um relatório da nossa equipe de negociação. A Ucrânia está pronta para negociações substantivas e estamos interessados em um resultado que nos aproxime de um fim real e digno da guerra”, disse Zelensky em publicação no X.

No último sábado (31), o principal enviado russo, Kirill Dmitriev, afirmou ter realizado uma "reunião construtiva com a delegação de pacificação dos EUA" na Flórida.

Até agora, as autoridades divulgaram poucos detalhes sobre as conversas em Abu Dhabi. A iniciativa é encabeçada pelo governo de Donald Trump.

Embora autoridades ucranianas e russas tenham concordado, em princípio, com os apelos de Washington por um compromisso, Moscou e Kiev divergem profundamente sobre os termos do acordo.

Uma questão central é se a Rússia deve manter ou se retirar das áreas da Ucrânia ocupadas por suas forças, especialmente o coração industrial do leste do país, conhecido como Donbas.

Em outubro do ano passado, líderes da União Europeia e da Ucrânia começaram a elaborar um plano de paz com 12 pontos que prevê somente a concessão de territórios ucranianos já ocupados pela Rússia.

Entenda a ocupação russa na Ucrânia — Foto: Arte/g1

Ataque russo em meio ao frio

A Rússia lançou um ataque maciço contra a Ucrânia na última terça-feira (3), segundo o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha. De acordo com o governo ucraniano, foram lançados cerca de 450 drones e 70 mísseis.

"Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana, nem as promessas aos Estados Unidos impediram [a Rússia] de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso", escreveu Sybiha no X.

Segundo o prefeito da capital ucraniana, Kiev, 1.170 prédios residenciais na capital ficaram sem aquecimento após o ataque.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que a Rússia está priorizando mais ataques em detrimento das negociações de paz.

"Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia", escreveu Zelensky nas redes sociais, acrescentando que as forças russas atacaram com "mais de 70 mísseis no total, além de 450 drones de ataque".

A ofensiva ocorreu às vésperas da nova rodada de negociação.

Nesta segunda-feira (2), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pode ter "boas notícias" nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que tentam encerrar a guerra por meio de diálogos mediados por Washington.

Volodymyr Zelensky, Donald Trump e Vladimir Putin — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O pano de fundo da negociação

Em outubro do ano passado, líderes da União Europeia e da Ucrânia começaram a elaborar um plano de paz com 12 pontos que prevê a concessão de territórios ucranianos ocupados pela Rússia.

No total, o texto tem 12 pontos, segundo noticiou a agência de notícias Bloomberg à época. Entre eles estavam:

  • Parar a guerra na linha de frente atual;
  • Criação de um Conselho de Paz supervisionado por Trump, assim como foi estabelecido no plano para encerrar a guerra entre Israel e Hamas;
  • Retorno de todas as crianças ucranianas sequestradas e trocas de prisioneiros;
  • A Ucrânia teria garantias de segurança contra novos ataques e também de uma rápida adesão à UE, além de dinheiro para reconstrução;
  • Com isso, os europeus retirariam gradualmente as sanções contra a Rússia, mas elas voltariam se Putin voltasse a atacar. Os bens russos congelados também seriam devolvidos.
  • Controle sobre toda a região do Donbas;
  • Concessão do território de Donetsk que ainda está sob controle ucraniano;
  • Reconhecimento internacional de todos os territórios ocupados como russos;
  • Redução do Exército ucraniano a um patamar inoperante;
  • Rejeição definitiva da adesão à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Donald Trump vem pressionando europeus pelo fim da guerra, mesmo que isso signifique a concessão de territórios a Putin. O presidente americano já fez propostas para terminar o conflito, porém nenhuma delas avançou até o momento.

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