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Europa discute plano para reabrir Estreito de Ormuz após a guerra sem ajuda dos EUA, diz jornal

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima entre o Irã e a Península Arábica, por onde passa boa parte do petróleo mundial, além de fertilizantes. O Irã exerce forte controle sobre a região e bloqueou a passagem de navios após o início da guerra, pressionando a economia global.

Segundo o WSJ, os planos dos países europeus incluem a formação de uma coalizão para enviar navios especializados na remoção de minas marítimas, além de outras embarcações militares, para garantir a segurança da travessia após um cessar-fogo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmou a existência do plano e disse que ele não inclui países envolvidos diretamente no conflito. Segundo Macron, a ideia é criar uma missão internacional de caráter defensivo.

Diplomatas ouvidos pelo Wall Street Journal afirmaram que os navios europeus não estariam sob comando dos EUA. A operação só ocorreria após garantias de que não haverá novos ataques e seria coordenada com países da região, como Irã e Omã.

Ainda há divergências no plano. Diplomatas franceses avaliam que excluir os EUA tornaria a missão mais aceitável para o Irã. Já os britânicos temem que a medida irrite o presidente Donald Trump e limite o alcance da operação, segundo o jornal.

Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, vão se reunir com dezenas de países na sexta-feira (17) para discutir o tema. Os EUA não devem participar. China e Índia também foram convidadas, mas ainda não responderam.

Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. — Foto: Reuters

Uma das principais consequências da guerra foi o fechamento do Estreito de Ormuz. Trump chegou a pressionar pela reabertura da rota, tentando aliviar a pressão sobre a economia global. Agora, no entanto, é o próprio presidente americano quem atua para bloquear o fluxo na região.

O estreito nunca esteve completamente fechado. O Irã permite a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, mediante o pagamento de um “pedágio” que pode chegar a US$ 2 milhões por navio.

Além disso, embarcações iranianas continuavam circulando, mantendo ativa uma das principais fontes de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia.

Na segunda-feira (13), Trump anunciou que iria obstruir a rota. Ao bloquear a via para determinadas embarcações, Trump tenta cortar uma fonte importante de receita do governo iraniano, pressionando diretamente a economia do país.

Em entrevista à Fox News, o presidente afirmou que não vai deixar “o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam”, dizendo que o objetivo é impor uma lógica de “tudo ou nada” na passagem pelo estreito.

Analistas avaliam que as declarações e o bloqueio naval buscam forçar o Irã a aceitar um acordo de paz nos termos defendidos pelos Estados Unidos — algo que não avançou nas negociações recentes.

Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1

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