Durante a mesa de abertura da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro foi criticada, assim como o veto à visita do conselheiro de Trump, Darren Beattie, ao Brasil.
O evento, que reúne os principais nomes da direita e ultradireita global nos Estados Unidos, acontece em Dallas, no estado do Texas, até sábado (28). Entre os confirmados, estão políticos brasileiros, como o pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Nos últimos anos, o presidente Donald Trump costumava fazer a fala de encerramento do evento. Neste ano, porém, ele não deve comparecer, de acordo com um funcionário da Casa Branca, que justificou problemas com agenda e a necesisdade do presidente lidar com a guerra no Irã.
Em uma mesa no primeiro dia, foram explorados temas relacionados a política internacional e o Brasil foi destacado.
"CPAC condena veementemente a contínua instrumentalização do lawfare pelo presidente do Brasil, Lula, e pelo juiz do STF Alexandre de Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e o povo brasileiro", disse Merces Schlapss, ex-diretora de comunicação da Casa Branca e uma das organizadoras do evento.
Afirmou ainda que Bolsonaro é um "preso político". "O juiz [Alexandre de Moraes] transformou o Judiciário brasileiro em uma arma política impondo condenações injustas, ordens de censura e restrições que transformaram o presidente Bolsonaro em um preso político."
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por cinco crimes, como líder da trama golpista relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. Outros sete réus foram condenados a penas que vão de 2 a 26 anos de reclusão.
Schlapp seguiu condenando a atuação do Judiciário, afirmando que o que tem sido visto no Brasil não é justiça, mas o "abuso tirano" do poder desenhado para silenciar a oposição, esmagar a liberdade de expressão e até "fraudar as próximas eleições em favor do regime de Lula".
"O CPAC condena a negação, sem precedentes, de uma visita de um diplomata dos EUA a Jair Bolsonaro", disse Schlapp.
Era uma referência a Darren Beattie, conselheiro do presidente americano Donald Trump, que tinha uma viagem planejada ao Brasil em março. Primeiro, a visita foi autorizada, mas depois foi cancelada pelo Supremo.
O ministro Alexandre de Moraes afirmou que a visita poderia configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro". Ele também disse que o pedido não se enquadrava nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado, relacionados a entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro. Além disso, Beattie teve o visto negado pelo presidente Lula.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado", disse o petista. Darren Beattie é crítico de Moraes e do governo federal, e sua visita se daria em contexto no qual o Brasil avalia que Trump pode tentar interferir nas eleições.

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4 semanas atrás
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