➡️ Há duas semanas, atos generalizados, os maiores desde 2009, contra o regime do aiatolá Ali Khamenei têm tomado o país. Os protestos deixaram mais de 60 mortos e causaram a prisão de 2.500 pessoas, segundo contagens de organizações de direitos humanos.
A agitação no Irã continuou ao longo desta madrugada. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, e culpou “manifestantes violentos”.
A TV estatal exibiu imagens de funerais de integrantes das forças de segurança que, segundo o governo, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
Imagem retirada de um vídeo divulgado em 9 de janeiro mostra um carro em chamas durante noite de protestos em Zanjan, no Irã — Foto: TV estatal do Irã via AP
Exército fala em ação de 'grupos terroristas'
Em comunicado transmitido pela TV estatal, a Guarda Revolucionária acusou terroristas de atacar bases militares e policiais nas últimas duas noites, matando vários civis e agentes de segurança, além de incendiar propriedades.
Ainda segundo a Guarda, proteger as conquistas da Revolução Islâmica de 1979 e manter a segurança é uma “linha vermelha”, e a continuidade da situação atual é inaceitável.
➡️ As Forças Armadas iranianas operam separadamente da Guarda Revolucionária — uma força de elite encarregada de defender a Revolução Islâmica e que já foi usada para conter protestos anteriores. Ambas, no entanto, são comandadas por Khamenei.
As autoridades mantiveram o bloqueio da internet, determinado por Khamenei para tentar conter os manifestantes. Segundo uma testemunha no oeste do Irã, contatada pela Reuters por telefone e que não quis se identificar, a Guarda foi mobilizada e estava abrindo fogo na região de onde falava.
Já o Exército anunciou que irá continuar atuando em prol dos interesses nacionais. "O Exército, sob o comando do líder supremo, juntamente com outras Forças Armadas, além de monitorar os movimentos do inimigo na região, protegerá e salvaguardará com firmeza os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica do país e o patrimônio público", afirmou o comunicado.
Os líderes de França, Reino Unido e Alemanha divulgaram uma declaração conjunta na sexta-feira condenando a morte de manifestantes e pedindo que as autoridades iranianas evitem a violência.
Os protestos representam o maior desafio interno em pelo menos três anos ao regime clerical iraniano, que parece mais vulnerável do que em episódios anteriores de agitação, em meio a uma situação econômica grave e após a guerra do ano passado.
As autoridades afirmam que protestos por conta da economia são legítimos, mas condenam o que chamam de manifestantes violentos e respondem com repressão das forças de segurança.

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