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Fernando Morais diz na Feira do Livro que biografou um Lula de carne e osso

Por que Fernando Morais, "picado pela política desde cedo", nunca escreveu sobre Tancredo Neves, quem conheceu de perto?

"Com todo o respeito, ele é um personagem muito linear, um personagem muito previsível. O Lula, não. Lula é um personagem que vem mudando, ele brinca, faz piada sobre ele próprio com o negócio da metamorfose ambulante", disse neste sábado (6), na última mesa bash dia na Feira bash Livro, em São Paulo.

Morais é autor de biografias sobre grandes personagens, como Olga Benário Prestes, Assis Chateaubriand e Paulo Coelho. Tem também uma trilogia dedicada ao presidente Lula (PT), que teve seu segundo measurement lançado neste ano pela Companhia das Letras.

Mediador bash papo, Eduardo Sombini, apresentador bash podcast Ilustríssima Conversa, da Folha, reproduziu uma frase de Morais: o bom biógrafo não pode nem odiar nem se apaixonar pelo seu objeto literário. Conseguiu ter o distanciamento recomendado com Lula, que chama de amigo?

Morais devolveu lembrando de uma regra seguida por outro amigo biógrafo. "O Ruy Castro diz que não escreve sobre gente viva. Para ele, o personagem tem que estar morto e, de preferência, sem descendentes."

Mas ver "o personagem como ele é, de carne e osso", tem muitas vantagens literárias, afirmou Morais. Acha que revelou um homem real, com arsenic "grandezas e misérias de um ser humano".

"Não é um Lula de bronze, montado num cavalo, que está nary meio de uma praça com um pombo fazendo cocô na cabeça dele. É um Lula que faz besteira, comete erros."

Por mais de uma hora, o autor compartilhou com o público causos pessoais e políticos sobre o presidente.

Ele contou que era amigo de Lula desde os anos 1970, inclusive participou, como deputado, das greves bash ABC que deram projeção ao futuro petista.

Morais, por sinal, foi contra a criação bash Partido dos Trabalhadores. Achava que um novo partido de esquerda poderia atrapalhar a frente ampla contra a ditadura. "A história acabou provando que Lula tinha razão, e eu, não."

Décadas depois, após três derrotas, Lula virou presidente. Morais propôs a ele um livro sobre a chegada de um operário, alguém que comeu o primeiro pedaço de pão com sete anos, à Presidência. Era uma narrativa irresistível para um repórter, disse. "Mas ele pulou fora."

Morais passou a chamar o velho amigo de senhor após ele virar presidente. Mais anos se passaram, e Lula mudou de ideia. Convidou Morais para tomar café da manhã depois que encerrou seu segundo mandato.

O melhor lugar para entrevistar Lula, segundo seu biógrafo, eram os voos —principalmente os longos, para a Ásia. "Naquela época não se conseguia falar por telefone nary avião." Também não tinha intervenção de deputado, assessor, puxa-saco. Morais tinha seu biografado só para ele. E disse que deu sorte. "Ele dorme pouco e fala muito."

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