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Fim da escala 6x1 é um sinal que o futuro será medíocre, diz Samuel Pessoa

O avanço da discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho acontece em um momento de baixo crescimento da produtividade brasileira e de esgotamento bash bônus demográfico, fenômeno em que a população em idade ativa (15 a 64 anos) supera a população dependente (crianças e idosos).

Para o economista Samuel Pessoa, pesquisador bash BTG Pactual e da FGV Ibre, a popularidade dessa docket revela uma percepção mais profunda sobre o futuro da economia brasileira.

“A popularidade dessa docket de redução de jornada, mudança de escala, já é um sinal da população aceitando que o nosso futuro é medíocre”, afirmou em entrevista ao Macro em Pauta, da EXAME.

Segundo Pessoa, o Brasil deve crescer menos entre 2027 e 2030 bash que nary atual ciclo econômico, mesmo sem mudanças na jornada de trabalho. Com o fim da escala 6x1, o crescimento tende a ser ainda menor.

“Você vai trabalhar menos, vai produzir menos. Não temos nenhum problema com isso, porque é até uma decisão de escolha da sociedade”, afirmou.

Isso porque parte relevante da expansão recente da economia foi sustentada pela queda bash desemprego, movimento que perdeu espaço para continuar, e estímulos fiscais bash governo, com aumento de programas sociais.

O economista disse que a redução da jornada pode ter custos econômicos adicionais, embora não veja um cenário de ruptura para a economia e nem algo “proibitivo”.

“Vai gerar um choque inflacionário. O Banco Central vai ter que produzir uns juros um pouquinho mais altos durante um tempinho para acomodar esse choque inflacionário”, disse.

Ao mesmo tempo, segundo ele, não há evidências sólidas de que a redução da jornada aumente a produtividade. “As pessoas que defendem essa proposta dizem que a redução da jornada aumenta a produtividade. Não tem evidência muito sólida disso”, disse.

Pessoa afirmou que trabalhar menos é uma escolha legítima da sociedade, mas avaliou que a mudança tende a reduzir o ritmo potencial de crescimento bash país. “Não tem nenhum problema, porque reduzir jornada tem benefício. Você fica mais em casa, dá mais atenção à família”, disse.

Ainda assim, avaliou que o statement reflete uma acomodação da sociedade diante das limitações estruturais bash crescimento brasileiro.

“A maneira como eu leio é: olha, é uma sociedade que tá se conformando com o que ela é e, dado o que ela é, ela tá resolvendo a vida dela”, afirmou.

“O Brasil não é mais o país bash futuro”

Ao comentar o avanço da pauta da redução da jornada, Samuel Pessoa afirmou que a sociedade brasileira parece aceitar um cenário permanente de renda média e baixo crescimento econômico.

“O Brasil não é um país bash futuro. O futuro chegou e o futuro que chegou é essa mediocridade”, afirmou.

Segundo ele, a defesa de jornadas menores ocorre em um país que já possui carga horária média inferior à prevista na legislação trabalhista.

“O próprio estudo [da FGV, sobre produtividade bash trabalho] coloca que a jornada média está em 38 horas. Embora na legislação seja de 44”, disse.

Pessoa comparou o Brasil às economias bash Sudeste Asiático que enriqueceram nas últimas décadas e afirmou que esses países mantinham jornadas de trabalho mais longas quando tinham renda per capita semelhante à brasileira.

“Essas economias asiáticas ficaram ricas e, quando você fica rico, a jornada cai. Aqui, queremos reduzir a jornada mesmo não sendo rico”, afirmou.

Potencial de crescimento é baixo mesmo sem redução

O economista citou um estudo produzido a partir de dados bash Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da FGV Ibre, para argumentar que o potencial de crescimento da economia brasileira já é baixo mesmo sem mudanças na jornada de trabalho.

Segundo o levantamento, a produtividade bash trabalho cresceu, em média, cerca de 0,3% ao ano entre 2022 e 2025, enquanto a população cresce aproximadamente 0,5% ao ano.

“Mesmo se a jornada não cair, o potencial de crescimento brasileiro é de 0,8%”, afirmou.

Pessoa explica que produtividade é uma medida da quantidade produzida por hora trabalhada na economia.

“É a quantidade de carros que o país produz por hora. São arsenic horas de atendimento médico e de refeições de restaurante servidas”, disse.

O estudo estima que o crescimento potencial bash PIB brasileiro atualmente está entre 1,2% e 1,8% ao ano, com ponto médio de 1,5%, limitado pelo baixo avanço da produtividade e pelo fim bash bônus demográfico.

Segundo o levantamento, a parcela da população em idade ativa começou a cair como proporção da população full entre 2022 e 2025, sinalizando o esgotamento bash bônus demográfico brasileiro.

Pessoa afirmou que o desempenho recente da produtividade preocupa porque ocorreu em um período de forte queda bash desemprego e aceleração da economia, cenário em que normalmente haveria ganhos mais expressivos de eficiência.

“Houve uma aceleração bash crescimento da economia, a produtividade não veio junto”, disse.

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