O principal canal de TV de notícias ligado à ultradireita francesa dedicou meia hora de seu horário nobre nesta segunda (9) a uma entrevista ao vivo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pré-candidato à Presidência usou o espaço para atacar o presidente Lula (PT) e o STF (Supremo Tribunal Federal) e chamou de "incompetente" o presidente da França, Emmanuel Macron.
"É muito importante que todos os franceses tenham conhecimento de que o Brasil hoje não vive uma democracia plena. O presidente Bolsonaro foi condenado por seus próprios inimigos", afirmou, citando várias vezes o ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
O senador está na Europa para uma agenda de encontros com personalidades da ultradireita do continente. Ele postou foto com a deputada europeia Marion Maréchal, sobrinha da pré-candidata à presidência da França Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional (RN).
Na entrevista, Flávio fez referência às suspeitas de desvios no INSS, mencionando Fábio Luís, conhecido como Lulinha, filho do presidente. "O Brasil passa hoje por graves acusações de roubo de aposentados do nosso sistema previdenciário, sendo que é acusado de desviar dinheiro o próprio filho do presidente Lula".
Investigadores apuram se havia alguma ligação de Lulinha com o lobista conhecido como Careca do INSS. Em entrevista ao UOL, na semana passada, Lula afirmou ter dito ao filho, no Palácio do Planalto, que, se tiver algum envolvimento com o escândalo de descontos indevidos de aposentados, ele deve "pagar o preço".
O CNews é atualmente o canal noticioso por assinatura de maior audiência na França, com perfil semelhante ao Fox News, dos Estados Unidos. A emissora francesa é acusada pelos críticos de não respeitar o pluralismo exigido por lei de todos os canais franceses, ao dedicar bem mais espaço a políticos e ideias de ultradireita.
A apresentadora Christine Kelly afirmou em dois momentos que Flávio é "favorito" para a eleição presidencial de outubro, embora tenha ressalvado que ele aparece em segundo lugar nas pesquisas. O senador chegou a afirmar que aparece "inclusive em algumas pesquisas à frente do atual presidente da República". Os mais recentes levantamentos têm apontado Lula como líder em todos os cenários.
Flávio disse esperar novos presidentes nos dois países no ano que vem. "O Brasil não aguenta mais quatro anos de um governo de extrema esquerda. Assim como a França, acredito, não aguenta mais um mandato de um governo de extrema incompetência como o de Emmanuel Macron, que tem feito tanto mal a este país". Na verdade, Macron não pode se candidatar a um terceiro mandato na eleição presidencial francesa, marcada para 2027.
O senador acusou o presidente francês de ter ido ao Brasil "apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia". Macron esteve em Belém duas vezes, em 2024, quando foi fotografado de mãos dadas com Lula na floresta, e no ano passado, na COP30, a cúpula ambiental realizada em Belém.
Flávio chegou a afirmar que "a região amazônica foi preservada durante o governo do presidente Bolsonaro, e agora no atual governo do presidente Lula a Amazônia sofreu três anos consecutivos de recorde de queimadas". Ele não apresentou números que corroborassem a afirmação.
Os entrevistadores só pressionaram Flávio em dois momentos. No primeiro, precisaram perguntar duas vezes por que Donald Trump retirou o ministro Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky, em dezembro. "O presidente Trump sabe que o Brasil tem uma posição muito estratégica na geopolítica mundial hoje. Por isso, precisa ter boas relações com o Brasil, independente de quem seja o presidente da República", respondeu o senador.
Em seguida, os jornalistas também fizeram duas perguntas sobre o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, rejeitado quase unanimemente pelos políticos franceses. O senador do PL disse que o acordo foi "um passo adiante importante" que "não vai impactar fortemente os produtores rurais franceses".
Ao falar de política internacional, Flávio Bolsonaro cometeu um erro ao mencionar "a guerra que acontece entre China e Ucrânia, que impacta também a vida de toda a Europa". O conflito envolve a Rússia.
O senador provocou sorrisos dos entrevistadores ao citar, como prova da influência da cultura francesa no Brasil, as "avenidas largas" das grandes cidades brasileiras e palavras como "bufê, sutiã e batom".

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