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Flávio Bolsonaro, irmão de Vorcaro

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dizia: "Irmão, eu estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente, só preciso que me dê uma luz". A luz, no caso, eram R$ 134 milhões que Vorcaro daria para a realização de "Dark Horse", a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Vorcaro prometia essa fortuna para Flávio um dia antes de perguntar a Alexandre de Moraes: "Consegue bloquear?"; um dia antes de ser preso tentando fugir do Brasil. Dois dias antes de o Banco Central liquidar o Banco Master.

A revelação foi feita pelo The Intercept Brasil.

O Master prometeu a Flávio Bolsonaro mais do que prometeu ao escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. No caso de Xandão, a suspeita é de suborno para livrar Vorcaro da cadeia. Por que a suspeita seria diferente no caso de Flávio Bolsonaro?

Os R$ 134 milhões parecem muito dinheiro para fazer um filme: segundo o jornal O Globo, é mais do que o orçamento de 15 entre os últimos 20 ganhadores do Oscar.

Mas são troco de padaria comparados aos bilhões de reais de dinheiro público que os governadores bolsonaristas deram, e os congressistas bolsonaristas tentaram dar, para o Banco Master.

Quando Flávio pediu dinheiro a Vorcaro, o governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB-DF) já havia dado muitos bilhões de reais do povo do Distrito Federal para tentar salvar o Master. O governador bolsonarista Cláudio Castro já havia dado ao Master R$ 1 bilhão dos aposentados do Rio de Janeiro.

O deputado bolsonarista Filipe Barros, do PL de Flávio e companheiro de chapa de Sergio Moro, já havia apresentado projeto de lei para estender a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e dar sobrevida ao esquema. Era a mesma manobra da emenda Master, que o "vice dos sonhos" Ciro Nogueira recebeu em um envelope de Vorcaro.

O PL de Bolsonaro já havia assinado, com PP, União Brasil, Republicanos, MDB e PSB, um requerimento para autorizar o Congresso a demitir diretores do Banco Central que votassem contra o Master.

Não, Flávio, não era "dinheiro privado": era dinheiro roubado. Roubado dos correntistas do Master, dos aposentados do Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas e mais 15 municípios, das pessoas que sofrerão os efeitos do rombo no FGC —provavelmente difusos e sutis demais para que o cidadão prejudicado perceba sua ligação com o caso Master.

Bolsonaristas que mentem para si mesmos sobre a matança da pandemia e o golpe de 2022 serão capazes de mentir para si mesmos sobre seus líderes terem participado da maior fraude financeira da história brasileira? Sem dúvida. No núcleo duro do bolsonarismo Flávio permanecerá forte.

Mas e o pessoal que chegou na candidatura Flávio Bolsonaro por estar (corretamente) indignado com o envolvimento de Alexandre de Moraes no caso Master?

Continuará ali depois de perceber que o Master é, até agora, um escândalo de direita em que há pessoas do STF envolvidas? Até a onda de indignação com o STF, é bom lembrar, Lula liderava as pesquisas.

A palavra de ordem "bolsomaster" peca por excluir o resto da direita do escândalo. Mas, se alguém tinha alguma dúvida de que o golpe de 2022 teria instaurado um regime favorável a oligarcas como Daniel Vorcaro, é hora de abandoná-las.

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