O desempenho de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto contra o presidente Lula (PT) aumentou a pressão para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disputar o Governo de São Paulo pelo PT.
Com a missão de evitar que o presidente perca votos no maior colégio eleitoral do Brasil, Haddad deverá ter ajuda do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), para buscar espaço junto ao eleitorado do interior paulista, uma das regiões mais identificadas com o antipetismo no país.
Haddad indicou a aliados nos últimos dias que será candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Ele deve pleitear o cargo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição como favorito.
Petistas têm pouca esperança em uma vitória de Haddad. O principal objetivo é que ele dê volume para a campanha de Lula em São Paulo. O ministro resistia a entrar em uma candidatura de sacrifício.
O crescimento do principal pré-candidato de direita a presidente, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas eleitorais deixou mais difícil uma rejeição de Haddad. Petistas apontavam, nos bastidores, que ele poderia ser responsabilizado caso não se candidatasse e Lula perdesse a eleição por causa de um mau resultado em São Paulo –aliados do ministro rejeitam esse tipo de responsabilização.
Integrantes do PT, do governo e do PSB apontam que Alckmin tem tido forte influência na organização da aliança de Lula em São Paulo, e que esse quadro tende a se intensificar nos próximos meses.
O vice-presidente foi designado por Lula, por exemplo, para articular a provável migração da ministra do Planejamento, Simone Tebet, do MDB para o PSB.
É dado como certo em Brasília que ela mudará de partido, e de Mato Grosso do Sul, para disputar a eleição em São Paulo. Tebet, porém, afirma em público e em conversas reservadas que só tomará uma decisão depois de ter uma conversa diretamente com Lula.
Além disso, Alckmin é a principal aposta do entorno de Lula para reduzir a resistência do interior de São Paulo a Haddad e ao PT. Ele foi governador de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018, período em que teve forte influência sobre políticos do estado.
A relação entre Tarcísio com a maioria dos prefeitos paulistas passa pelo presidente do PSD e secretário de Governo de São Paulo, Gilberto Kassab. Os dois estão em atrito, o que dá a aliados de Lula a esperança de obter algum ganho junto aos líderes locais em benefício de Haddad.
Alckmin tem se reunido com prefeitos do interior tanto no Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, pasta da qual é titular, como no Palácio do Planalto.
Na quarta-feira (25), ele recebeu o prefeito de Marília (SP), Vinicius Camarinha (PSDB). Já na quinta (26), cumpriu agenda com outros oito representantes municipais do estado.
Alckmin deve fazer uma série de visitas ao interior paulista nas próximas semanas em compromissos relacionados ao seu ministério e ao PSB, seu partido. Deve ser acompanhado pelo ministro do Empreendedorismo, Márcio França, que também tenta reduzir a rejeição a Lula no interior de São Paulo.
O destino de França é um dos principais imbróglios a ser desatado por Lula. Também filiado ao PSB, o ministro gostaria de ser candidato a governador, mas essa hipótese está praticamente descartada –setores do partido de França defendem que ele seja candidato mesmo com Haddad no páreo.
A possibilidade de ele se candidatar ao Senado, como fez em 2022, esbarra na preferência do presidente pelas ministras Simone Tebet e Marina Silva, que devem ocupar as duas vagas de candidatas à Casa.
O presidente da República demonstra estar especialmente empolgado com a ideia de ter duas mulheres em posições relevantes na chapa de São Paulo. Marina está próxima de se filiar novamente ao PT para disputar o cargo.
A candidatura a vice-governador é um espaço aberto. Setores aliados de Lula em São Paulo defendem que o posto seja ocupado por um empresário, mas não haveria uma definição sobre o assunto.
O presidente deve ter um encontro com Haddad e Alckmin na próxima semana para discutir mais detalhes sobre a chapa. No início de fevereiro, o chefe do governo disse que os dois têm "um papel a cumprir" em São Paulo.
A preocupação de Lula e seus aliados com a eleição em solo paulista é grande porque o grupo considerou essencial o resultado obtido no estado para vitória do petista na disputa ao Planalto em 2022.
Em 2018, representado por Haddad na disputa presidencial, o PT teve 7,2 milhões de votos no segundo turno. Na eleição seguinte, Lula teve 11,5 milhões no estado –nos dois casos houve uma derrota local, mas a melhora de desempenho possibilitou o triunfo em nível nacional.
Haddad foi candidato a governador há quatro anos e perdeu, mas foi ao segundo turno e conseguiu 44,7% dos votos na etapa decisiva. O desempenho foi o melhor da história do PT no estado e ajudou na campanha presidencial de Lula.

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