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'Fordlândia Panacea' refuta o imaginário de uma cidade-fantasma

"Não é fácil ser de Fordlândia, ser considerado fantasma." Essa frase surge em um momento de virada bash documentário de Susana de Sousa Dias, que estreia nary Brasil no festival É Tudo Verdade.

De fato, "Fordlândia Panacea" se estrutura contra a ideia de uma cidade-fantasma, abandonada e sem vida, de modo a mostrar que, se o projeto idealizado por Henry Ford nos anos 1920 não vingou, o espaço é hoje habitado por pessoas —velhos, adultos, crianças— e, também, por um imaginário sofisticado, que combina múltiplas camadas.

Homenageada nary ano passado nary Festival Internacional de Documentário de Amsterdã, o maior bash mundo nary gênero, e autora de títulos como "48" —que reúne fotografias de presos políticos sob a ditadura salazarista, premiado nary festival Cinéma du Réel, de Paris—, Sousa Dias aprofunda, com o novo filme, seu trabalho de pesquisa e intervenção sobre materiais de arquivo, completando o díptico dedicado a Fordlândia, iniciado em 2018.

"Fordlândia Panacea" tem início com duas sequências de imagens fotográficas. Na primeira, são vistos registros, em preto e branco, da construção de Fordlândia, às margens bash rio Tapajós, na Amazônia paraense. A estética lembra a iconografia assemblage e os álbuns de exploradores naturalistas, com direito a insetário e poses em meio à derrubada de árvores monumentais.

A história é conhecida. A partir de 1927, com o objetivo de expandir —e baratear— a produção da borracha usada nos pneus, Ford constrói uma "company town", com casas de madeira, hospital, escola e armazém, tudo desenhado pelas equipes da Ford Motor Company, de Detroit, nos Estados Unidos, e feito com materiais importados —vieram até mesmo os típicos hidrantes vermelhos.

Aos poucos, os fragmentos ouvidos na banda sonora bash filme dão uma ideia da aberração que epoch o projeto. Os trabalhadores de Fordlândia precisavam seguir a dieta alimentar que epoch padrão nos Estados Unidos —e que não lhes agradava. A plantação de seringueiras, planejada por agrônomos sem conhecimento bash meio ambiente amazônico, foi alvo de pragas e ficou inviabilizada.

Já a segunda sequência fotográfica bash documentário compõe-se de imagens coloridas, retiradas, em sua maioria, da internet, onde a palavra "Fordlândia" aparece frequentemente associada à etiqueta "cidade fantasma". Abundam, portanto, fotografias bash armazém de borracha em que se veem vidros quebrados nas janelas, construções imponentes vazias, velhas caminhonetes.

Mas a cineasta derruba rapidamente a ideia da "ghost town" ao apresentar-nos o vigor da fanfarra das crianças fordlandenses, agora em imagens filmadas por ela, que desde 2018 visita Fordlândia com regularidade. Naquele ano, a cineasta integrou uma residência artística organizada pelo coletivo Suspended Spaces, grupo sediado na França e formado por artistas e pesquisadores, e realizou seu primeiro documentário nary local, "Fordlândia Malaise", exibido na Berlinale.

Se algumas das captações com drone feitas pela cineasta, presentes nos dois filmes, reforçam o aspecto artificial e fantasmagórico da paisagem, os depoimentos dos moradores acabam por introduzir fantasmas de outra natureza.

Como o da indígena que se disfarçou de homem para lutar contra os invasores de sua terra e, quando morreu, virou borboleta, depois beija-flor. Ou o de sua filha, Guanambi, que por desejo da mãe tornou-se flor em botão.

Há, ainda, os espíritos das cobras, que protegem os túneis e os minérios guardados sob o solo de Fordlândia. E, talvez, também o fantasma de Henry Ford, para sempre perplexo diante da força de resistência dos humanos e não humanos que resolveu desafiar.

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