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Fundos podem gerar aposentadoria 48% maior que Tesouro Direto; entenda

Como funcionam os fundos incentivados

Os fundos de que estou falando possuem debêntures de empresas de infraestrutura incentivadas pelo governo, o que dá isenção fiscal a esses papéis.

Debêntures são títulos emitidos por empresas. Funcionam como se você estivesse emprestando dinheiro para companhias. Nesse caso, companhias do setor de infraestrutura.

Investir isoladamente em uma, duas ou poucas debêntures pode ser muito arriscado. Embora a probabilidade de quebra de uma dessas empresas seja baixa, se isso ocorrer, o investidor pode acabar perdendo até 100% do valor aplicado.

No entanto, quando você investe em um fundo de debêntures, o seu dinheiro é espalhado por dezenas de papéis. Assim, o seu risco fica diluído, e a probabilidade de perder dinheiro cai muito.

Quanto rendem os fundos incentivados

Para escrever esta coluna, analisei dez desses tipos de fundo, escolhidos ao acaso, e nove deles apresentaram um retorno acima do Tesouro Selic (título mais conservador do Tesouro Direto) quando se considera o período desde o lançamento do fundo até hoje.

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Em média, eles renderam 100% do CDI. O melhor resultado foi de 117% do CDI e o pior foi de 79% do CDI.

O Tesouro Selic rende aproximadamente 100% do CDI, mas tem um Imposto de Renda que o faz gerar, na melhor das hipóteses, um lucro líquido de 85% do CDI.

Dessa forma, R$ 1.000 investidos a uma rentabilidade líquida de 100% do CDI dá um lucro, aproximadamente, de R$ 140 ao ano, já considerando uma possível redução na taxa básica de juros da economia, a Selic.

No Tesouro Selic, o ganho ficaria em R$ 119. Assim, em um horizonte de apenas um ano, o fundo incentivado geraria um lucro líquido 17,6% maior.

Mas é a longo prazo que a diferença fica mais expressiva.

Quanto se pode ganhar a longo prazo

Considerando o desempenho médio dos fundos incentivados analisados (100% do CDI isentos de IR), uma pessoa que faça aportes de R$ 1.000 por mês tende a juntar, após 35 anos, o equivalente a R$ 1,96 milhão, trazido a preços de hoje.

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Isso significa que o investidor terá, ao final do período, um valor muito maior do que R$ 1,96 milhão, mas que, por causa da inflação, equivalerá ao que hoje é R$ 1,96 milhão.

Já se aplicar no Tesouro Selic, o patrimônio futuro chegaria a R$ 1,31 milhão, também trazido a preços de hoje.

Ou seja, o patrimônio acumulado por meio desse tipo de fundo pode vir a ser 48,7% maior do que se aplicado no Tesouro.

Nos cálculos, considerei um CDI médio de 12% ao ano a longo prazo e uma inflação de 4% ao ano.

Quando acompanhamos os investimentos no nosso dia a dia, não costumamos notar grandes diferenças entre os investimentos de renda fixa. Mas, a longo prazo, a diferença fica bem evidente.

Riscos

Os fundos de debêntures incentivadas têm um risco maior do que o Tesouro Direto, que, por sua vez, é o investimento mais seguro do Brasil.

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Mas, se o Tesouro não dá a rentabilidade que você busca, você precisa reduzir os seus sonhos ou buscar rentabilidades mais altas.

Antes de investir em um fundo de debêntures incentivadas, sugiro que olhe a lâmina disponibilidade pelo banco ou corretora e verifique quantos meses ele ficou no negativo desde que foi lançado.

Um fundo que tenha ficado com rentabilidade negativa, em média, três vezes por ano, é para investidores que aceitam um risco maior. Mas existem opções com apenas um mês negativo por ano.

Também é importante escolher fundos que já existam há pelo menos um ano. O ideal é que tenham mais de três anos. Assim, é possível ter mais confiança nos dados históricos. Fundos muito recentes podem ter tido boa performance por acaso.

Preste atenção, ainda, na disponibilidade do fundo. Ou seja, se você solicitar o resgate hoje, quando receberá o dinheiro? Alguns fundos têm 90 dias ou mais de espera. Isso não tende a ser um problema para quem investe a longo prazo, mas é bom você saber para depois não ter surpresa.

Alguma dúvida?

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Opinião

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Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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