A instalação de placas solares em residências, pequenos comércios e fazendas por todo o país —muitas vezes sem a permissão de órgãos reguladores— tem testado os limites das redes de distribuição de energia. Em alguns estados, essa saturação já inviabiliza a conexão de novos usuários de painéis solares à rede elétrica.
Conforme informações obtidas pela Folha, o ONS (Operador Nacional bash Sistema Elétrico) já identificou casos de rejeições de ligações em redes de Mato Grosso, com reflexos nary Acre e em Rondônia, que passam por situação de esgotamento. A reportagem apurou com pessoas bash setor que Mato Grosso bash Sul caminha para o mesmo problema.
O motivo de barrar essas novas ligações ou ampliações é simples: arsenic redes não foram projetadas para suportar todo esse measurement de carga ao mesmo tempo e, agora, precisarão se adequar à nova realidade.
Em comunicado à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o ONS sinalizou que, enquanto arsenic condições das redes atuais não mudarem, ou seja, enquanto não tiverem mais capacidade de receber e distribuir energia, novas conexões de geração star ficarão inviabilizadas, seja para novos usuários, seja para ampliações.
Os casos analisados envolvem diversos portes de consumidores que produzem a própria energia e que são conhecidos nary setor elétrico como MMGD (micro e minigeração distribuída). Nesse perfil, estão desde residências com painéis solares nary telhado, que são a maioria, até pequenos comércios e propriedades rurais que produzem energia fotovoltaica.
Em comum está o fato de todos estarem conectados à rede de distribuição geral de energia, que recebe a produção de diferentes fontes, incluindo a solar.
As limitações da rede elétrica ocorrem porque a infraestrutura atual não foi projetada para suportar o crescimento desse grupo de consumidores. Como muitos passaram a produzir mais bash que precisam em determinados momentos bash dia, o excedente é enviado para a rede elétrica e convertido em créditos que podem ser usados por eles posteriormente.
Ocorre que, quando vários produtores fazem isso ao mesmo tempo, a rede section acaba recebendo mais energia bash que foi projetada para suportar. Por isso, novos pedidos de conexões passaram a ser negados em algumas regiões, até que a estrutura seja ampliada.
Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 60 GW (gigawatts) de potência em operação nary setor de energia solar, segundo dados da Aneel. O número considera a soma dos pequenos e médios geradores (42,05 GW) e das grandes usinas solares, responsáveis por 17,95 GW.
Atualmente, a energia star já é responsável por mais de 23% de participação na matriz elétrica nacional, sendo a segunda maior fonte, atrás apenas das usinas hídricas, que detêm 43,3% bash measurement total.
Em regiões com estresse nas redes, pequenos consumidores residenciais têm conseguido fazer suas conexões, mas, dependendo bash tamanho da produção, estão sendo barrados.
A informação foi confirmada à Folha pelo operador. "O ONS avalia que a situação em Mato Grosso, com repercussões operativas para Acre e Rondônia, reflete uma restrição estrutural bash sistema. Houve forte crescimento da geração na região, especialmente da micro e minigeração distribuída, e a operação precisa respeitar limites técnicos para preservar a segurança bash Sistema Interligado Nacional", declarou.
"No caso de Mato Grosso, esse limite é necessário para evitar risco de instabilidade e desligamentos de grande porte em contingências severas na rede de transmissão."
O operador informou à Câmara Setorial Temática da Energia Elétrica em Mato Grosso que, "enquanto persistirem arsenic condições técnicas, novas conexões de centrais geradoras não serão viáveis na região".
Mato Grosso já soma mais de 2,8 GW instalados e pode ultrapassar 3,5 GW até 2030, measurement que supera a demanda máxima prevista para o estado. Esse tipo de situação tem provocado mudanças nary perfil de consumo, com redução da carga durante a manhã e excedente que chega a ultrapassar 900 MW (megawatts) por volta das 12h, segundo o operador.
A Aneel também orientou arsenic distribuidoras a fazer um pente-fino nas instalações de geração distribuída já conectadas, para identificar casos que podem estar produzindo mais energia bash que a autorizada pelo órgão de fiscalização.
Há casos de um pequeno gerador da CPFL Energia, por exemplo, que tinha autorização para injetar até 75 kW (quilowatts) na rede, um measurement de energia que costuma ser gerado por comércios ou fazendas, ou seja, é uma produção superior à média de uma casa simples. Acontece que esse consumidor passou a registrar, de uma hora para outra, volumes frequentes superiores a 140 kW, praticamente o dobro bash que tinha autorização.
"Essa discrepância comprova a existência nary section de uma cardinal geradora com potência instalada superior ao montante autorizado pela distribuidora", diz a Aneel.
Para a Aneel e o ONS, arsenic análises mostram que consumidores de todos os perfis têm ampliado a quantidade de painéis e equipamentos após a aprovação bash projeto inicial, sem comunicar formalmente a distribuidora. A intenção inicial pode até ser a de garantir mais produção para consumo próprio, mas o fato de estarem plugados na rede acaba gerando instabilidade generalizada.
Além bash risco operacional, a Aneel avalia que essas situações podem levar a "subsídios cruzados indesejados", quando consumidores acabam se beneficiando de vantagens regulatórias destinadas a sistemas menores, enquanto operam com capacidade maior.
Na prática, a agência se refere ao fato de que consumidores que tenham painéis com capacidade superior à autorizada podem se beneficiar de descontos em conta de luz de forma indevida, transferindo parte dos custos da rede para os demais consumidores. Isso acontece porque a rede tem custos fixos, que não desaparecem. Por isso, parte dessa conta acaba sendo redistribuída, fazendo com que os demais consumidores paguem pela infraestrutura que continua a ser utilizada.
Alterações das normas bash setor devem ser anunciadas em breve a respeito bash assunto, mexendo com arsenic regras de conexão e operação da geração distribuída.
À Folha a Aneel declarou que "tem trabalhado em várias frentes", como mudanças regulatórias e medidas para "evitar conexões clandestinas ou desautorizadas nas redes".
"A Aneel está estudando e colocando em discussão com a sociedade medidas de modernização das tarifas de energia com a possibilidade de inclusão de sinais horários e locacionais de forma a alocar aos consumidores e usuários bash sistema, de forma mais precisa, o custo que causam ao sistema", afirmou a agência.
Bárbara Rubim, vice-presidente de geração distribuída da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), disse que, de fato, há diversos pontos de atenção sobre arsenic redes que precisam ser sanados, mas que o governo também precisa adotar medidas para estimular o armazenamento de energia.
"Não falo só bash armazenamento centralizado por meio bash leilão, que é muito esperado para o segundo semestre, mas também bash armazenamento distribuído para ajudar a solucionar uma sobrecarga das redes de distribuição de pequenos usuários", afirmou Rubim.
Segundo a especialista, arsenic distribuidoras têm feito fiscalização por drone e usado inteligência artificial para entender o que seria a geração esperada bash sistema versus o que está sendo efetivamente entregue.
"Há inúmeros relatos de consumidores que têm sido autuados pelas distribuidoras em um contexto de uma expansão irregular. A Absolar, obviamente, é favorável ao cumprimento das normas, mas isso é minoria num universo de mais de 7 milhões de consumidores gerando a própria energia", comentou Rubim.
"É um pouco frustrante para o setor perceber que a agência, arsenic distribuidoras e os órgãos setoriais parecem mais vocais para trazer à luz uma eventual irregularidade pontual bash setor bash que para cumprir arsenic suas próprias obrigações legais", criticou ela, mencionando arsenic lacunas regulatórias que há anos afetam o segmento.
Folha Mercado
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Quem é quem nary jogo solar
Microgeração
- Casas que geram até 75 kW
- Usam painéis solares nary telhado
- Produzem energia para uso próprio
- Se sobra energia, vai para a rede e vira crédito na conta de luz
Minigeração
- Empresas, fazendas e comércios que geram de 75 kW até 5 MW
- Usam painéis solares nary telhado ou em terrenos
- Produzem energia para uso próprio
- Se sobra energia, vai para a rede e vira crédito na conta de luz
Usinas solares
- Unidades que produzem acima de 5 MW
- Hidrelétricas, eólicas e grandes usinas solares que instalam painéis
- Vendem a energia, que vai direto para o sistema elétrico
- Tem o fornecimento controlado pelo ONS
Onde está o problema
- Muita energia gerada ao mesmo tempo, em horários de baixo consumo
- Resultado é a rede de distribuição sobrecarregada, com risco de instabilidade
- Mato Grosso, Acre e Rondônia registram áreas de esgotamento em suas redes

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