Uma ala do Supremo Tribunal Federal não pretende deixar barato o episódio de ontem em que o relatório do senador Alessandro Vieira, da CPI do Crime Organizado, pediu o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Além de ter atuado para rejeitar o relatório, em operação orquestrada com a cúpula do Senado e o Palácio do Planalto, o ministro Gilmar Mendes fará uma representação à Procuradoria-Geral da República contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por crime de abuso de autoridade.
Se a PGR entender que houve crime, denunciará o senador ao Supremo Tribunal Federal, uma vez que ele tem foro privilegiado. Nesse caso, o ministro Gilmar, autor da representação, estará impedido de participar do julgamento. O caso iria provavelmente para a Primeira Turma, justamente onde estão seus aliados: Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além de Cármen Lúcia.
Segundo fontes do Supremo, caso condenado, Alessandro Vieira, que disputará a reeleição, pode perder o mandato e ficar inelegível. Em conversa com a coluna, Vieira disse que "não há previsão legal para esse tipo de perseguição". E continuou: "Não vejo acontecendo. Se acontecer (condenação), terá efeito reverso. É um descolamento da realidade muito grande. Os ministros do STF se colocam num pedestal e ignoram a sociedade. A população reprova a conduta do Supremo e vai às urnas em outubro".

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