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'Ginecologia de rede social' coloca saúde íntima em risco? Especialista explica

Um desses casos envolve a área de ginecologia e vem viralizando nas redes sociais, especialmente nary TikTok. Promessas de equilíbrio hormonal, limpeza profunda e até aumento da libido são alguns dos exemplos. O gshow foi entender mais sobre o assunto e conversou com a ginecologista e obstetra Daniella Campos, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho.

"A chamada 'ginecologia de TikTok' pode trazer riscos reais quando substitui orientação médica por soluções simplificadas e virais", alerta.

Ginecologia de rede social: modas virais colocam a saúde íntima em risco? — Foto: Tik Tok

Antes bash advento das redes sociais, o público que navegava na net já pesquisava dúvidas relacionadas à saúde em buscadores. Em 2016, uma reportagem bash Fantástico mostrou que 5% de todas arsenic pesquisas nary Google foram relacionadas à saúde.

Aliás, isso é um hábito bash brasileiro, que é um dos povos que mais se automedica e busca informações sobre remédios nary mundo. A médica entende que "existe uma necessidade muito humana de entender o que está acontecendo com o próprio corpo, principalmente diante de medo, ansiedade, vergonha ou dificuldade de acesso rápido a uma consulta".

"As redes sociais têm um papel importante de democratizar o acesso à informação, mas também amplificam conteúdos sem respaldo científico. Quando falamos de saúde íntima, isso pode ser perigoso", explica Daniella Campos.

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"Muitas vezes, a net funciona como a primeira tentativa de aliviar uma angústia imediata: 'Isso é normal? Preciso maine preocupar? Mais alguém sente isso?'. Na saúde da mulher, isso se torna ainda mais evidente. Sintomas hormonais, libido, menopausa, TPM, peso, sono e saúde íntima foram temas pouco discutidos durante muitos anos, inclusive dentro dos consultórios", explica. Ela complementa:

"O problema é que informação sem contexto pode virar risco. O algoritmo não diferencia experiência pessoal de evidência científica, e hoje qualquer pessoa consegue falar com aparente autoridade sobre temas complexos".

As trends mais populares e os riscos por trás delas

Entre arsenic práticas mais compartilhadas na "ginecologia de TikTok", algumas chamam atenção pelo potencial de dano, segundo ela.

Vaporização vaginal ou "yoni steaming"

  • Promessa: limpar, equilibrar hormônios e melhorar cólicas.
  • Realidade: pode causar queimaduras, irritação e infecções, além de não ter comprovação científica. "A vagina já possui um mecanismo earthy de autolimpeza".

Pesquisas de vaporização vaginal ou "yoni steaming" acumulam milhões de visualizações nary TikTok — Foto: TikTok

Uso indiscriminado de ácido bórico

  • Promessa: regular o pH e eliminar odores.
  • Realidade: apesar de ter indicação médica em casos específicos, o uso sem diagnóstico pode causar irritação e até toxicidade.

Acido bórico — Foto: Internet

Detox íntimo com ervas, vinagre, alho ou iogurte

  • Promessa: desinflamar e eliminar odores.
  • Realidade: pode desequilibrar a microbiota vaginal e aumentar o risco de infecções.

Uso de gelo ou substâncias caseiras

  • Promessa: melhorar libido ou "fechar" a vagina.
  • Realidade: risco de lesões, dor e alteração da sensibilidade.

Vabbing (usar secreção vaginal como perfume)

  • Promessa: aumentar a atração sexual.
  • Realidade: não há qualquer evidência científica. Além disso, pode aumentar o risco de infecções, caso bactérias sejam transferidas por meio de mãos sujas e, em casos graves, pode até levar à doença inflamatória pélvica, afetando a fertilidade.

Vabbing é um dos termos pesquisados, sem comprovação científica, nary TikTok — Foto: TikTok

Excesso de produtos íntimos (sabonetes, sprays, perfumes)

  • Promessa: higiene perfeita.
  • Realidade: pode alterar o pH vaginal e causar irritações.

Chás vaginais ou duchas caseiras

  • Promessa: limpeza interna e combate a corrimentos.
  • Realidade: duchas vaginais não são recomendadas, pois removem bactérias protetoras e facilitam infecções.

Receitas caseiras com bicarbonato ou limão

  • Promessa: equilibrar o pH e eliminar odores.
  • Realidade: substâncias agressivas que podem causar queimaduras químicas e irritações severas.

Limão — Foto: Reprodução EPTV

Os riscos bash autotratamento íntimo

O hábito de testar receitas virais sem orientação pode mascarar doenças, agravar quadros clínicos e atrasar o tratamento adequado. Ela relata que já recebeu pacientes com irritações severas e infecções após seguirem dicas da internet.

"O risco não está só nary produto em si, mas nary uso sem indicação. Cada organismo possui histórico, exames, riscos cardiovasculares e contextos hormonais e metabólicos próprios. Por isso, o grande desafio atual não é impedir que arsenic pessoas busquem informação online, mas ensinar como consumir conteúdo com senso crítico e aproximar cada vez mais a educação integer da medicina baseada em evidências".

Saúde não pode ser guiada por trends!

Daniella Campos explica que "simplificar demais é perigoso", e é isso que essas trends fazem contra a saúde feminina.

"A vagina não precisa de intervenções constantes. Ela é um sistema equilibrado, com pH e microbiota próprios. Quando interferimos sem necessidade, podemos causar exatamente o problema que queremos evitar”, afirma.

Mulher mexendo nary celular — Foto: Jessika Arraes/Unsplash

Ela destaca que sintomas como odor, corrimento ou desconforto têm causas diversas, de infecções a alterações hormonais, e exigem diagnóstico correto.

"Não existe solução universal. O que funciona para uma pessoa pode ser prejudicial para outra", comenta.

Como combater a desinformação?

Para a médica, não é proibindo a net que os problemas serão resolvidos. O caminho, segundo ela, é ocupar esse espaço com informação séria, acessível e responsável. Para isso, a comunicação médica precisa ser mais clara, próxima e conectada à realidade bash paciente.

"Porque, quando o profissional não comunica, alguém comunica nary lugar. O objetivo nunca é substituir a consulta médica, mas ampliar o acesso à informação confiável, acessível e baseada em evidências, ajudando mais mulheres a compreenderem melhor o próprio corpo, os hormônios, a menopausa, o metabolismo e a saúde feminina como um todo".

Como identificar um conteúdo desse tipo?

A especialista ensina o público a aprender a reconhecer alguns sinais de alerta. "Informação de qualidade não costuma ser sensacionalista. Quando o assunto é saúde íntima, o melhor filtro ainda é o olhar clínico", conclui a médica.

  • Promessas milagrosas;
  • Soluções "naturais" para tudo;
  • Tratamentos sem individualização;
  • Terrorismo médico;
  • Simplificação excessiva de temas complexos;
  • Condutas sem avaliação clínica.

Médica atendendo mulher — Foto: Unsplash

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