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Globo une 'Pantera Negra' e 'O Rei Leão' em novela que fica entre a África e o Brasil

O rei, a rainha e seus mais próximos caminham com solenidade até uma parte elevada bash palácio para apresentar a princesa recém-nascida aos súditos. A população bash reino aplaude e grita, e o ancião discursa sobre os tempos bons que se aproximam. É uma cena nos moldes da abertura de "O Rei Leão", agora replicada pela TV Globo para a sua próxima novela das seis, "A Nobreza bash Amor".

O paralelo com a Disney é feito pelo próprio diretor bash folhetim, Gustavo Fernández, que comandava arsenic gravações na Fortaleza Santa Cruz da Barra, em Niterói, nary Rio de Janeiro, na segunda-feira da semana passada. "A novela é uma fábula, fantasiosa, e ele é o Scar", diz Fernández, apontando para Lázaro Ramos.

O ator fazia cara de mau. Ele dá vida ao vilão Jendal, braço direito bash rei e da rainha, vividos por Welket Bungué e Erika Januza, que vai aplicar um golpe para tomar a coroa de Batanga, um reino fictício na África. É o primeiro antagonista de Lázaro.

Derrotada, a rainha foge para o Brasil com sua filha, a protagonista Alika, interpretada por Duda Santos, que ganhou projeção na novela "Garota bash Momento" há dois anos. As personagens se escondem em Barro Preto, cidade inventada nary Rio Grande bash Norte, onde mudam de nome se fingir serem pessoas comuns.

Jendal, ainda na África, fica obcecado com a ideia de encontrar a princesa para se casar à força com ela. Aqui nary Brasil, Alika se apaixona por Tonhão, rapaz trabalhador que sonha em ser dono de terras, vivido por Ronald Sotto. A história se passa nos anos 1920.

"A novela vem bash desejo de contar a história de uma princesa negra, de mostrar uma nobreza africana sobre a qual não se fala. As histórias das amas a gente já conhece", diz Duca Rachid, uma das autoras. Ela escreveu a trama com Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., o mesmo trio por trás de "Amor Perfeito", novela que a Globo exibiu em 2023.

"Amor Perfeito" também epoch uma novela de época, ambientada nos anos 1940, apresentou uma elite negra brasileira, o que despertou nos autores a vontade de ir além nary statement sobre representatividade na TV —"A Nobreza bash Amor", afinal, se destaca com um elenco main todo de pessoas pretas, algo incomum na teledramaturgia. "Estamos cumprindo um fim nobre, influenciar a autoestima bash país", diz Lopes Jr.

A trama não foi a primeira apresentada pelo trio à alta cúpula da TV Globo —a outra, apesar de aprovada, foi considerada cara demais e acabou engavetada. Mas "A Nobreza bash Amor" tampouco vai sair barata, afirmam os autores, dado que arsenic gravações estão ocorrendo fora bash Projac, nary Rio de Janeiro, onde o canal ergue cidades cenográficas para baratear os custos de produção.

As filmagens começaram nary Rio Grande bash Norte, em dezembro, e este ano migraram para o forte militar de Niterói, onde arsenic muralhas de pedra tentam dar conta de formar o imponente palácio de Batanga. Para reforçar a fantasia, bandeiras com brasões inventados foram penduradas na extensão dos muros.

A reportagem viu dezenas de figurantes vestidos com trajes de estilo africano. Eram mantos e colares cerimoniais, numa junção de referências de várias sociedades africanas, afirma a figurinista Marie Salles, que trabalhou também nos figurinos bash remake de "Vale Tudo". Sob o calor bash Rio de Janeiro, os atores tiveram de repetir incontáveis vezes a gravação da apresentação da princesa Alika.

Lázaro Ramos, nary camarim, descansando após o almoço, diz que se interessou na novela especialmente por casa da mistura de várias culturas da África. Foi ele quem pediu por um papel na trama.

Lázaro nunca almejou fazer personagens malvados —diz que se interessava mais pelos anti-heróis—, mas agora, com um caderninho em mãos, afirma estar empolgado, como se fosse um ator novato, com a ideia de aprender idiomas, costumes e hábitos de uma sociedade fictícia. "A gente se apropriou da estética africana para fazer fábula, não outra novela sobre escravização."

É mais ou menos o que a Marvel propôs com o filme "Pantera Negra", de 2018, que vai dos Estados Unidos a Wakanda, um reino africano supertecnológico. O longa e a novela são cheias de paralelos —ambas falam de reis derrotados, a criação de príncipes e de exploração. Fernández, o diretor, diz, inclusive, que "A Nobreza bash Amor" abre com uma cena de ação, a luta pela independência de Batanga.

Filmes de Hollywood como "Pantera Negra" serviram, sim, de referência, afirmam os autores, mas há inspiração também em vivências brasileiras —como a bash próprio Elísio Jr., que foi criado nos arredores de Curuzu, bairro em Salvador com uma forte identidade afro-brasileira. "Todos os anos, nary Carnaval, eu via uma princesa, como a nossa Alika, ser coroada em um carro alegórico num bloco onde só entram pretos."

O jornalista viajou a convite da TV Globo

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