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Governo vê retrocesso em projeto sobre trabalho por app e diz que relator cedeu à pressão das plataformas

O Palácio do Planalto não gostou do texto final do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) que regula o trabalho por apps. Na avaliação do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), houve retrocesso em relação ao texto anterior.

Internamente, governistas já listaram ao menos oito pontos considerados críticos e que retiram direitos dos trabalhadores. Um deles é a opção de pagar pelo "tempo de trabalho" e desobriga a plataforma a pagar a taxa mínima de R$ 8,50.

A alternativa foi colocada no relatório após pedido das empresas. O governo entende que isso dá poder às plataformas que não precisarão colocar a taxa mínima em prática.

No Planalto, a avaliação é que o relator cedeu às pressões das plataformas. Por isso, o governo vai brigar para promover alterações no plenário. Os governistas querem tentar mudanças ainda na comissão, além de apresentar destaques em plenário.

Outra preocupação é com a desobrigação de criar pontos de apoio aos trabalhadores. O texto diz que a implementação será progressiva e dispensa a obrigatoriedade levando em conta os critérios operacional e de viabilidade técnica.

Nos bastidores, o governo diz que há perdas de direitos, como a redução da cobertura de saúde, que agora prevê carência e franquia e não considera 20 minutos após o término da corrida para "acidente de trabalho". O valor mínimo permaneceu em R$ 120 mil.

A redução da contribuição previdenciária pelas empresas, menor valor na rota agrupada e a obrigação de tempo mínimo de trabalho também foram vistos como pontos negativos pela base governista.

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