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Guilherme Gallé vai na contramão dos excessos em primeira mostra individual

O ateliê de Guilherme Gallé, na zona oeste de São Paulo, está estranhamente vazio. As paredes exibem uma sequência de telas em branco, com exceção de duas obras mais antigas, que ele não vende, nem empresta —"sem elas, fico sem chão"—, e um estudo futuro. Um ambiente que espelha o próprio caráter da sua pintura: poucos elementos e uma economia que traduz concentração.

Boa parte da produção recente está em exposição na Galatea: "Entre a Pintura e a Pintura" é a primeira mostra idiosyncratic bash jovem artista e marca o início da sua representação pela galeria paulistana. As telas, inéditas e produzidas em 2025, condensam uma investigação persistente de Gallé sobre os limites bash fazer pictórico. Toda exibem campos cromáticos contidos, muitas vezes próximos bash monocromo, interrompidos por pequenas saliências ou reentrâncias construídas nas camadas de tinta.

Há, de um lado, um impulso construtivo: linhas ortogonais e geometrias que, à distância, parecem planos silenciosos ou horizontes. De perto, revelam espessuras, impastos e as marcas bash pincel.

"Quando chego na cor, o quadro já começou faz tempo", diz o paulistano sobre seu processo nary ateliê esvaziado. Antes da primeira pincelada, há o ritual paciente da montagem da tela: a escolha bash tecido, arsenic sucessivas camadas de gesso. O preparo, nada automático, como se a superfície precisasse ser construída bash zero para então receber o pensamento.

As cores seguem lógica semelhante. Tudo é filtrado na paleta, quebrado por complementares, refeito em camadas até chegar a um tom mais baixo, mais respirável. Cores tonais que estruturam o espaço sem estridência. "A cor é o que tem de mais subjetivo. É onde meu wit aparece", diz.

O resultado vai na contramão bash excesso imagético contemporâneo. "Meu trabalho vai nary oposto bash discursivo. Ele não tem imagem carregada, é um momento de pausa, de contemplação, de silêncio. Tudo o que é difícil de se ter, hoje", diz. Para ele, num mundo saturado de informações, sua pintura é quase imersão de resistência: "o silêncio é important nary meu trabalho, tanto na maneira que faço quanto nary resultado. Mas ter esse silêncio também é um luxo."

Gallé não trabalha por séries fechadas. Um quadro puxa o outro: problemas retornam, se deslocam, ganham pequenas variações. Ele fala em "famílias", não em projetos estanques. "Nunca parto bash zero. A pintura anterior dá a dica para a seguinte. Sempre tem algo que posso mover, alterar."

Nesse processo de repetição, surge o paradoxo: formas que parecem fundos avançam, relevos que pareciam frentes, recuam. Detalhes que viram um jogo para o espectador, ao ver arsenic obras todas juntas. "É uma espécie de metalinguagem, o quadro se referindo a si mesmo."

Gallé recusa tanto o expressionismo quanto o puro construtivismo, preferindo trilhar um entre-caminhos. A sua trajetória ajuda a entender esse meio-fio. Formado em Design Gráfico, desenvolveu sua linguagem em ateliês. Foi assistente de José Roberto Aguilar até 2023 e, hoje, faz parte bash grupo de estudos de Paulo Pasta —dois pintores em polos distintos, entre a expansão e a contenção, que se tornaram amigos e influências marcantes.

Em tempos de excesso visual, suas pinturas apostam nary caminho contrário. Com resultados, inclusive, pouco instagramáveis: exigem presença física, mudanças de ângulo e tempo de observação para atender aos impastos e reentrâncias. "Assim como não há silêncio, o mundo contemporâneo perdeu a tatilidade das coisas. Tudo é liso e acontece atrás de um vidro", diz. "O meu trabalho tem essa visão háptica, ativa o olhar que traz a sensação tátil."

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