Hamnet: A Vida Depois de Hamlet, disponível no Amazon Prime Video e Apple TV, mergulha em uma lacuna íntima e misteriosa da vida de Shakespeare: a morte de seu filho aos 11 anos, e o possível impacto dessa tragédia na criação de sua obra mais famosa. Dirigido por Chloé Zhao (Nomadland), o longa-metragem se destacou na temporada de premiações, garantindo oito indicações no Oscar e consagrou Jessie Buckley (A Noiva) como vencedora da estatueta de Melhor Atriz.
Com uma narrativa delicada e muitas vezes silenciosa, a obra aposta menos em explicações diretas e mais em emoções, ao retratar as diferentes formas que uma família atravessa o luto. O desfecho, profundamente emocional, não entrega respostas fáceis, mas oferece algo mais potente, que fica marcado no público mesmo após os créditos. A seguir, confira a explicação do final de Hamnet.
Hamnet acompanha a história da família de Willaim Shakespeare — Foto: Reprodução/IMDb Neste guia, você encontrará:
- Qual é a história de Hamnet?
- Quem está no elenco de Hamnet?
- O que acontece no final?
- Hamnet é baseado em livro?
- Algo sobrenatural acontece em Hamnet?
- A explicação do mito de Orfeu
- Por que o nome do filme é Hamnet?
- Vale a pena assistir?
- Filmes parecidos para quem gostou de Hamnet
Qual é a história de Hamnet?
Ambientado na Inglaterra do século XVI, o filme acompanha Agnes, uma mulher sensível, intuitiva e profundamente conectada à natureza. Sua vida muda ao conhecer William, que mais tarde se tornaria uma figura eternizada na história. O envolvimento entre os dois é imediato, e, ao longo do tempo, Agnes se torna o principal apoio do marido em sua trajetória artística, enquanto se dedica à criação dos três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith. Entretanto, quando uma doença se espalha pela cidade, a harmonia da família é abruptamente interrompida por uma perda devastadora.
Filme coloca o filho Hamnet como ponto central de emoção da história — Foto: Reprodução/IMDb Quem está no elenco de Hamnet?
O longa é liderado por Jessie Buckley no papel de Agnes, em uma performance intensa como mãe e esposa. Ao seu lado, Paul Mescal (Aftersun) interpreta William Shakespeare. Joe Alwyn (O Brutalista) interpreta Bartholomew, irmão de Agnes; Emily Watson (O Dragão Vermelho) dá vida a Mary Shakespeare, mãe de William; e Noah Jupe (Um Lugar Silencioso) como Hamlet no teatro. O elenco também inclui jovens atores nos papéis dos filhos, Jacobi Jupe (Peter Pan e Wendy) e Olivia Lynes (Pylon) como os gêmeos Hamnet e Judith, Bodhi Rae Breathnach (Missão Refúgio) interpreta Susanna, filha mais velha do casal.
Jessie Buckley venceu o Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação como Agnes — Foto: Reprodução/IMDb Após a perda do filho, a relação do casal se fragiliza. Enquanto Agnes deseja o retorno do marido ao lar, William se vê cada vez mais envolvido com a companhia de teatro em Londres, prolongando sua ausência. O clímax do filme se constrói quando, ainda relutante, Agnes decide assistir à peça Hamlet, escrita por William após a morte do filho. Ao acompanhar a trajetória do príncipe Hamlet, ela se reconhece na narrativa: assim como o personagem, que também lida com a perda e com a presença espectral do pai, Agnes passa a se enxergar na história e também vê o filho perdido pelas similaridades entre o ator e o menino.
Em um momento particularmente intenso, a encenação sugere uma espécie de reencontro simbólico em dois momentos: quando o fantasma do pai, interpretado por Shakespeare se despede pela última vez do filho, uma chance que William não teve com Hamnet. E em seguida, quando o filho perdido parece “retornar” por meio da arte, como se estivesse vivo naquele palco. Um dos ápices da sequência ocorre quando o príncipe, envenenado, está à beira da morte.
Ao se ajoelhar diante de Agnes, o ator cria a ilusão de um último encontro. Tomada pela emoção, ela estende a mão ao jovem, gesto que é replicado pelo público, como se todos compartilhassem daquela dor coletiva. Pela primeira vez, ela compreende que o marido encontrou na arte uma forma de transformar o luto em memória e de compartilhar essa dor com o mundo. O desfecho não sugere a superação do luto, mas a aprendizagem de conviver com ele.
O público compartilha a dor da perda de Hamnet mesmo sem saber o ocorrido — Foto: Foto: Reprodução/IMDb Hamnet é baseado em livro?
Sim. O filme é uma adaptação do romance Hamnet, escrito por Maggie O'Farrell. O livro também explorava essa abordagem mais sensível e narrava detalhes sobre a vida da família Shakespeare e como uma tragédia o levou a escrever a peça Hamlet anos depois.
Algo sobrenatural acontece em Hamnet?
O filme flerta constantemente com o sobrenatural, mas nunca de forma explícita. Agnes é retratada como alguém com uma intuição quase mística e forte contato com a natureza, o que fez muitos boatos se espalharem sobre ela. De fato, há momentos em que ela parece sentir certos acontecimentos.
Em certas cenas o filme parece retratar um outro lado de pós morte, como a representação do falecimento de Hamnet. Além disso, o final também apresenta essa ambiguidade, o possível “reencontro” com o filho pode ser interpretado tanto como uma experiência espiritual quanto como uma consequência emocional provocada pelo teatro.
Hamnet em alguns momentos aparece do "outro lado" — Foto: Foto: Reprodução/IMDb A explicação do mito de Orfeu
O filme dialoga simbolicamente com o mito de Orfeu, mencionado por William em um dos momentos em que cortejou Agnes. No mito, o músico que desce ao mundo dos mortos para tentar resgatar sua amada Eurídice, mas há uma condição: ele não deve olhar para trás até que estejam na superfície. Em determinado momento, dominado pela dúvida se Eurídice estaria ali, ele olha para trás, perdendo-a para sempre.
Nos momentos finais de Hamnet, quando Agnes pede a William que "olhe para mim", ela resgata o mito mencionado no começo no filme. No entanto, na história de Ordeu e Eurídice, olhar para trás representa uma falha de confiança que causa a separação eterna do casal. Já no caso de Agnes e William, é uma busca por segurança e conforto. No final, William se vira para a esposa e os dois finalmente são capazes de se reconectar e compreender a dor um do outro.
Outro ponto de similaridade, é que assim como Orfeu usa a música para tentar vencer a morte, Shakespeare utiliza o teatro. No filme não há resgate físico, apenas da memória, uma vez que peça não traz o Hamnet de volta à vida, mas permite que ele continue existindo de outra forma por gerações.
O mito é uma das referências usadas pelo filme — Foto: Foto: Reprodução/IMDb Por que o nome do filme é Hamnet?
Historicamente, acredita-se que “Hamnet” e “Hamlet” eram variações do mesmo nome na Inglaterra daquele período. O filme usa isso como chave narrativa sugerindo que a famosa peça pode ter sido inspirada diretamente pela perda do filho. Ao intitular a obra Hamnet, a história centraliza os acontecimentos de seu enredo à criança que foi vítima da peste anos antes da obra de Shakespeare.
Filme centraliza os acontecimentos no filho de William — Foto: Foto: Reprodução/IMDb Sim, especialmente para quem aprecia dramas sensíveis e contemplativos. Hamnet não é um filme fácil: sua carga emocional é intensa ao abordar um tema delicado como o luto e ao retratar as dinâmicas de uma família emocionalmente devastada. Ainda assim, a experiência é profundamente recompensadora, seja pela fotografia cuidadosa, seja pela narrativa poética que conduz a história com sensibilidade. O desfecho é daqueles que permanecem com o espectador muito depois dos créditos finais, deixando a sensação de que a jornada valeu a pena.
O filme recebeu avaliações bastante positivas em plataformas especializadas. No Rotten Tomatoes, alcançou 87% de aprovação, enquanto no IMDb registra nota 7,9. No circuito de premiações, Hamnet acumulou cerca de 304 indicações e 94 vitórias, com destaque para conquistas no Globo de Ouro, no Oscar e no BAFTA, incluindo prêmios de Melhor Atriz para Jessie Buckley e reconhecimento de direção para Chloé Zhao no Satellite Awards.
Hamnet recebeu oito indicações ao Oscar — Foto: Foto: Reprodução/IMDb Filmes parecidos para quem gostou de Hamnet
Aftersun é um retrato sensível sobre memória, amadurecimento e as complexidades das relações familiares. A narrativa se constrói a partir das memórias fragmentadas de Sophia (Frankie Corio/Celia Hall) durante uma viagem com o pai, Calum (Paul Mescal), à Turquia, há 20 anos. Na época, pai e filha tentavam construir uma relação mais próxima, em momentos que alternam entre a leveza de Calum ao mostrar seu melhor lado à filha e sutis indícios de melancolia, que Sophia era jovem demais para compreender.
Em Aftersun, uma criança se sente distante do pai durante viagem de férias na Turquia — Foto: Reprodução/JustWatch Assim como Hamnet, A Verdadeira Dor retrata as diferentes formas de lidar com o luto por meio de dois primos de personalidades opostas. David (Jesse Eisenberg) e Benji (Kieran Culkin) cresceram juntos, mas suas vidas seguiram rumos distintos, assim como a relação entre eles ao longo dos anos; Eles se reencontram para uma viagem em homenagem à avó falecida, sobrevivente do Holocausto. Durante a jornada por locais marcantes de sua história, conflitos e ressentimentos vêm à tona, ao mesmo tempo em que a experiência os leva a uma compreensão mais profunda um do outro.
Kieran Culkin venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel como Benji — Foto: Reprodução/IMDb Manchester À Beira-Mar (2016)
Dirigido por Kenneth Lonergan, o filme explora a culpa e o luto a partir do retorno de Lee Chandler (Cassey Affleck) à sua cidade natal após a morte do irmão. Emocionalmente fechado, a rotina de Lee muda drasticamente ao receber a notícia do falecimento e ter que retornar para casa para lidar com o funeral. Lá, ele descobre que foi nomeado tutor do sobrinho Patrick (Lucas Hedgex), de 16 anos. A responsabilidade e o retorno à cidade o fará encarar ressentimentos profundos.
Manchester À Beira Mar é estrelado por Casey Affleck e Lucas Hedges, respectivamente — Foto: Reprodução/IMDb 🎥6 filmes brasileiros indicados ao oscar que você precisa assistir
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Com informações de IMDb e Rotten Tomatoes.

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