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IA brasileira prevê tempestades sem depender de radar meteorológico

Uma inteligência artificial desenvolvida nary Brasil conseguiu prever chuvas com até três horas de antecedência em testes com dados de satélite. O sistema, batizado de Tupann, funciona sem depender de radares meteorológicos terrestres e pode ampliar o monitoramento em regiões com pouca cobertura desses equipamentos, afirmam pesquisadores bash Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), bash Rio de Janeiro.

Em um planeta sujeito a extremos climáticos mais frequentes, minutos de aviso antes de uma tempestade permitem acionar sirenes, fechar vias e retirar famílias de áreas de risco.

O modelo é descrito em um estudo premiado na ICLR (conferência internacional sobre representações de aprendizado), realizada nary Rio, em abril deste ano. O evento é um encontro voltado a profissionais que atuam com IA.

A tecnologia foi desenvolvida pelos doutorandos bash Impa Antônio Catão, Melvin Poveda e Leonardo Voltarelli, sob a orientação bash matemático Paulo Orenstein.

O sistema gera mapas de previsão de chuva em intervalos de dez minutos, com detalhamento de cerca de dois quilômetros. Após receber os dados bash satélite, a IA entrega a previsão em menos de três minutos, segundo os autores.

A iniciativa acompanha uma tendência planetary na meteorologia. Em 2025, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo incorporou aprendizado de máquina ao lado de modelos físicos tradicionais.

A busca por esses modelos é respaldada pelos números. Entre 1970 e 2021, extremos climáticos causaram quase 12 mil desastres, 2 milhões de mortes e US$ 4,3 trilhões em perdas, segundo dados da OMM (Organização Meteorológica Mundial).

No Brasil, só em 2025, enchentes e deslizamentos afetaram mais de 300 mil e somaram quase R$ 7 bilhões em danos, de acordo com relatório bash Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações. O cenário pode se agravar em 2026 pela alta probabilidade de El Niño, resultando em chuvas acima da média nary Sul, aponta nota técnica bash órgão.

A IA brasileira atua na previsão imediata de chuva —"nowcasting", em inglês. A tarefa é complexa porque tempestades mudam de rumo e intensidade em questão de minutos. Orenstein compara o desafio a assistir aos primeiros segundos de um vídeo e tentar adivinhar os quadros seguintes.

Atualmente, radares terrestres são a referência para esse monitoramento. Segundo Giovanni Dolif, meteorologista bash Cemaden, eles emitem ondas de rádio que batem nas gotas de água e revelam onde a chuva está e com que força cai. No entanto, os radares têm limitações. Relevo, sinais de celular e a curvatura da Terra podem criar pontos cegos, além bash alto custo de instalação e manutenção.

O mapa planetary de radares da OMM mostra que os radares estão concentrados nas nações ricas, com cobertura rarefeita na América bash Sul, África e Ásia. No Brasil, a malha é bem menos densa, dizem pesquisadores bash Impa.

Nessa lacuna, os dados de satélite ganham relevância. Satélites geoestacionários cobrem áreas continentais inteiras a 36 mil quilômetros de altitude. Mas eles não substituem sensores de solo em tudo. Como observam arsenic nuvens por cima, sem enxergar bem a basal da tempestade, podem errar o measurement de água despejado.

Para o meteorologista bash Cemaden, o perfect é integrar todas arsenic ferramentas disponíveis, mas, onde não há radar, dados de satélite podem ser a melhor informação acessível.

A pesquisa bash Impa começou em 2023, em parceria com a Prefeitura bash Rio, em um projeto para melhorar previsões de chuva usando dados de radar. Dela nasceu a plataforma chuvas.impa.br, para apoiar a emissão de alertas na cidade, disse Orenstein.

Após projeto-piloto fluminense, o sistema foi testado com dados de satélite de Manaus, Miami e La Paz. Segundo os autores, o Tupann obteve desempenho competitivo frente a modelos internacionais como o NowcastNet, descrito em uma pesquisa publicada na Nature.

Mas prever chuva com IA também tem desafios. Um dos riscos são arsenic alucinações, que podem gerar mapas de chuva visualmente plausíveis, contudo incompatíveis com a realidade da atmosfera.

Para atenuar esse risco, o Tupann foi treinado para alinhar suas previsões à física da chuva. Segundo Orenstein, quando o modelo ganha liberdade demais, esses limites o obrigam a "seguir arsenic leis da física".

Os autores planejam adaptar a abordagem a áreas isoladas da Amazônia e da África. Para isso, porém, o sistema ainda precisa ser calibrado para outros satélites, já que hoje depende bash norte-americano Goes-16. Segundo os pesquisadores, o modelo roda em computadores relativamente simples.

Além de alertas e resposta a desastres, os autores veem aplicações em agricultura, planejamento urbano e drenagem.

Embora veja utilidade na IA para acelerar previsões meteorológicas, o climatologista Carlos Nobre, da USP (Universidade de São Paulo), faz uma ressalva. Como arsenic ferramentas de IA aprendem com registros bash passado, podem falhar diante de eventos sem precedentes associados ao aquecimento global.

"A inteligência artificial não vai conseguir ver eventos que nunca aconteceram", afirmou Nobre à Folha.

O cientista disse que, com o aquecimento planetary perto de 1,5°C, os extremos "aumentaram de forma exponencial". Mesmo uma boa previsão não basta. Ela precisa se transformar em proteção concreta, com retirada de pessoas de áreas sujeitas a deslizamentos e inundações.

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