A inteligência artificial deixou de ser promessa e já é realidade nos corredores da saúde pública brasileira. Em hospitais e postos de saúde do SUS, algoritmos analisam exames, priorizam casos urgentes e sugerem condutas clínicas. Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia está sendo aplicada em três frentes: diagnóstico clínico, vigilância sanitária e gestão de serviços.
A revolução é silenciosa, mas levanta questões urgentes: o SUS está realmente pronto para confiar seus diagnósticos a máquinas? Entenda a seguir a partir da análise de Leonardo Tristão, CEO da Performa_IT — empresa especializada em transformação digital e referência em soluções de Inteligência Artificial, e do Dr. Marcelo Carvalho, pediatra, neonatologista e um entusiasta de tecnologia, que está na linha de frente da inovação em hospitais.
IA no SUS? Robôs auxiliam diagnósticos, mas especialistas alertam para riscos — Foto: Distribuição: National Cancer Institute/Unsplash Viés algorítmico: o risco da desigualdade digital
Um dos maiores desafios da IA na saúde pública é o viés algorítmico. Em um país diverso como o Brasil, sistemas treinados com dados homogêneos podem falhar ao atender diferentes perfis demográficos. "O viés algorítmico é um dos maiores desafios em um país como o Brasil, onde o SUS atende uma população extremamente diversa em termos de idade, etnia, condições de saúde e até hábitos culturais", alerta Leonardo Tristão, CEO da Performa_IT, empresa especializada em transformação digital.
Dr. Marcelo Carvalho, pediatra e neonatologista que atua com inovação em hospitais, reforça a preocupação. "A inserção e avaliação dos dados nem sempre colaboram com a realidade daquela região, daquela população. Um algoritmo treinado em um contexto pode falhar em outro. Por isso, ele nunca pode substituir o olhar clínico."
Para os especialistas, a IA deve ser vista como ferramenta de apoio, não como substituta do julgamento médico. "O médico sempre será o protagonista da decisão. A inteligência artificial é uma ferramenta, não um fim", reforça Dr. Marcelo.
Segurança de dados: o elo mais vulnerável
Outro pilar essencial é a proteção de informações sensíveis dos pacientes. Dados clínicos revelam aspectos íntimos da vida das pessoas e exigem segurança rigorosa. "Esses dados revelam informações sensíveis sobre a saúde das pessoas. Por isso, precisam ser protegidos com rigor. Se não forem tratados adequadamente, os riscos são enormes", afirma Leonardo Tristão. Entre os perigos estão vazamento de informações pessoais, venda de dados para fins comerciais e até discriminação por seguradoras ou empregadores.
A tecnologia oferece recursos como anonimização, criptografia, acesso segmentado e registro de auditoria. Porém, segundo Tristão, isso não basta. "Mesmo o sistema mais seguro pode ser comprometido se alguém anotar a senha em um papel colado no computador. A tecnologia oferece as ferramentas, mas a cultura de segurança é o que garante a privacidade."
Como a IA está transformando o SUS? Tecnologia acelera triagens e análise de exames, mas viés algorítmico e proteção de dados preocupam especialistas — Foto: Helito Beggiora/TechTudo Como a IA está transformando o SUS
Na prática, a inteligência artificial já atua em diversas frentes dentro do sistema público de saúde:
- Triagens mais rápidas: algoritmos priorizam casos críticos e distribuem pacientes entre unidades com capacidade disponível.
- Diagnósticos mais assertivos: sistemas identificam padrões em exames repetitivos e liberam o médico para casos complexos.
- Gestão inteligente de recursos: predição de demanda de leitos, escala de equipes e abastecimento de insumos.
- Monitoramento remoto: acompanhamento contínuo de pacientes crônicos para evitar internações desnecessárias.
"A inteligência artificial já é uma realidade nos diagnósticos e isso representa um divisor de águas. O que antes dependia de horas de análise humana pode agora ser acelerado por algoritmos que comparam milhares de exames em segundos", explica Leonardo Tristão.
O CEO da Performa_IT destaca que a IA ataca três gargalos simultaneamente: acesso, qualidade e eficiência. "Com regras simples e firmes, a IA deixa de ser promessa e vira infraestrutura de saúde. Em saúde, inovar é ganhar tempo, e tempo salva vidas."
IA pode humanizar ou desumanizar o atendimento
Um dos pontos mais sensíveis do debate é o impacto da tecnologia na relação médico-paciente. Para Dr. Marcelo Carvalho, tudo depende de como a IA será utilizada. "A inteligência artificial pode tanto humanizar quanto desumanizar. O que muda, na verdade, é como nós vamos utilizá-la de modo que humanize o atendimento", afirma. Segundo ele, ao assumir tarefas burocráticas como preenchimento de prontuários, a IA libera tempo para que médicos se dediquem mais ao paciente.
"Se o burocrático fica para a inteligência artificial, o médico tem mais tempo de atender o paciente. Isso conseguiria fazer com que se humanize o atendimento em saúde", explica. Por outro lado, ele alerta: "Se você utilizar a inteligência artificial para atender o paciente diretamente, então você desumaniza o atendimento."
Resistência cultural e adoção gradual
Apesar dos avanços, a tecnologia ainda enfrenta barreiras. "Há uma tendência muito forte, principalmente na área médica, do conservadorismo", observa Dr. Marcelo. "Muitos profissionais resistem por acreditar que a tecnologia pode colocar em risco a população ou ameaçar seus empregos." Ele acredita, porém, que a mudança é inevitável. "Assim como tomógrafos e ressonâncias se tornaram comuns, a IA também vai ocupar seu espaço, de forma tímida, lenta e gradual, na minha visão."
O que falta para o Brasil
Para consolidar uma política pública de IA na saúde, segundo Leonardo Tristão, o país precisa avançar em alguns pontos fundamentais:
- Infraestrutura digital: muitos hospitais operam com sistemas pouco integrados, dificultando a coleta e uso de dados em escala.
- Padronização de dados: cada estado ou município registra informações de forma diferente, impedindo o treinamento de modelos confiáveis.
- Capacitação de profissionais: médicos e técnicos precisam saber usar e avaliar ferramentas de IA de forma crítica.
- Regulação clara: definição de responsabilidades, critérios de segurança e diretrizes éticas.
"Sem isso, a tecnologia corre o risco de avançar mais rápido que a confiança da população", alerta Tristão. "Uma política pública sólida precisa pensar em escala nacional, garantindo acesso, segurança e equidade."
Dr. Marcelo Silva acredita no potencial do sistema brasileiro. "O SUS é um sistema de saúde único, universal e robusto, no país e no mundo. Com todas as suas dificuldades, ele funciona. E o SUS está apto para se adequar a essas novas tecnologias, como já fez com outras no passado." Mas ele ressalta a necessidade de cautela. "É preciso entender a ética por trás da adoção de novas tecnologias e avaliar o real ganho para a população. O risco e o benefício devem ser considerados para evitar problemas de saúde pública, morbidade e mortalidade."
Qual futuro da IA na medicina?
Leonardo Tristão defende uma visão de parceria entre humanos e máquinas. "A decisão será sempre da parceria entre os dois — os algoritmos trazem velocidade e escala, mas é o ser humano que dá sentido às informações e traz a empatia que nenhuma máquina entrega."
Para ele, o caminho é claro. "Na Performa_IT, acreditamos que o futuro da medicina será copilotado: de um lado, algoritmos preparados para a realidade brasileira; do outro, pessoas guiando as escolhas com ética e humanidade. Não se trata de escolher entre homem ou máquina, mas de unir forças para construir um sistema de saúde mais justo, acessível e eficiente."
O desafio, agora, é garantir que a tecnologia amplie o acesso sem aprofundar desigualdades, e que decisões críticas continuem ancoradas no cuidado humano. "No fim, a verdadeira revolução não será tecnológica, será humana, apoiada pela tecnologia", conclui Tristão.
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