Ferramentas de inteligência artificial na educação, como ChatGPT, NotebookLM, MagicSchool e Teachy, já fazem parte da rotina de professores e ajudam a criar aulas, atividades e planejamentos com mais rapidez. Testamos as plataformas e ouvimos Marceli Stein, professora de Letramento Digital do Colégio Leonardo da Vinci, Andre Gusman, CEO do Grupo Raiz Educação e especialista em inteligência artificial aplicada à educação, e Rodrigo Reis, professor de Biologia do Cubo Global School, para avaliar usabilidade, qualidade dos conteúdos e ganhos reais no dia a dia docente — com foco no uso crítico e na mediação pedagógica.
IA para professores: 4 opções para planejar aulas e economizar tempo — Foto: Unsplash/Arte: TechTudo - Metodologia
- ChatGPT
- NotebookLM
- MagicSchool
- Teachy
- Qual IA vale mais a pena para professores?
- IA na educação: vale a pena usar no dia a dia?
A análise das ferramentas de inteligência artificial na educação foi baseada em testes práticos com versões gratuitas, simulando situações reais da rotina docente, como planejamento de aulas, criação de atividades e organização de conteúdos. Também consideramos a experiência de professores que já utilizam IA no dia a dia, unindo desempenho técnico e aplicação pedagógica.
Os critérios avaliados incluíram facilidade de uso (interface e curva de aprendizado), qualidade dos conteúdos gerados (clareza, profundidade e aplicabilidade), variedade de recursos, limitações das versões gratuitas e tempo de resposta. O objetivo foi entender como cada plataforma contribui para criar aulas com IA de forma eficiente e personalizada.
O ChatGPT se destacou pela versatilidade e facilidade de uso. A interface baseada em conversa permite que professores criem planos de aula, listas de exercícios, avaliações e explicações adaptadas ao nível dos alunos a partir de prompts bem estruturados.
Interface do ChatGPT permite criar planos de aula e atividades a partir de comandos em texto — Foto: Sarah Souza/TechTudo Nos testes, a ferramenta apresentou melhor desempenho quando recebeu comandos detalhados, gerando conteúdos organizados e coerentes. Outro diferencial é a possibilidade de criar variações de atividades, o que ajuda na personalização pedagógica.
Na prática, professores relatam ganho de produtividade, especialmente em tarefas repetitivas. No entanto, reforçam a necessidade de revisão e adaptação das respostas, já que a IA deve atuar como apoio — e não substituto — do planejamento docente.
Resposta do ChatGPT traz plano de aula estruturado com objetivos, atividades e sugestões para aplicação em sala, além de opções para escolhar a resposta que faz mais sentido — Foto: Sarah Souza/TechTudo Na avaliação dos professores entrevistados, o ChatGPT aparece como uma das ferramentas mais versáteis. Rodrigo Reis destaca: “o ChatGPT foi a ferramenta que mais gostei pela versatilidade”, principalmente por apoiar desde o brainstorming até a estruturação final de materiais. Ele complementa: “com um bom comando, consigo desenvolver uma ideia inicial até chegar a um material mais específico, alinhado aos objetivos pedagógicos”.
O professor também reforça o ganho de produtividade: “o que mais ajudou foi ganhar velocidade em tarefas que antes consumiam muito tempo, como preparar listas de exercícios, reformular enunciados e gerar variações de questões”. Ao mesmo tempo, ele alerta para o uso sem revisão: “o que mais pode atrapalhar é justamente o uso sem aprofundamento”, quando a resposta não é contextualizada ou refinada.
O plano gratuito inclui acesso ao modelo principal com limites de mensagens, memória e geração de imagens, o que atende bem a demandas pontuais. Já os planos pagos ampliam esses limites, com opções a partir de R$ 39,99 por mês, oferecendo mais memória, velocidade e acesso a funcionalidades avançadas para uso contínuo.
O NotebookLM se diferencia por permitir o uso de materiais próprios, como PDFs, apostilas e links, como base para gerar conteúdos. Isso torna as respostas mais alinhadas ao contexto da aula e aos objetivos do professor.
NotebookLM permite usar PDFs e apostilas, além de conteúdos online como base para gerar conteúdos organizados — Foto: Sarah Souza/TechTudo Durante os testes, a ferramenta apresentou boa organização e rapidez, com respostas estruturadas em formato de resumos, perguntas e guias de estudo. O fluxo por etapas favorece maior controle sobre o conteúdo, embora exija comandos mais objetivos.
Ferramenta gera resumos, perguntas e guias de estudo a partir dos materiais enviados e vai lapidando o resultado conforme questionamentos posteriores — Foto: Sarah Souza/TechTudo O desempenho depende diretamente da qualidade dos materiais inseridos, o que incentiva o uso de fontes confiáveis e bem estruturadas — um ponto relevante para quem busca IA para professores com maior controle pedagógico.
O acesso básico ao NotebookLM está disponível dentro do ecossistema gratuito do Google. Já os planos pagos do Google AI ampliam o uso com mais recursos e integração, com valores a partir de R$ 12,50 por mês em planos promocionais.
O MagicSchool teve o melhor desempenho geral nos testes, com foco total no ambiente educacional. A plataforma começa com um onboarding que coleta informações sobre o professor, o que permite personalizar a experiência desde o início.
MagicSchool começa o uso intuitivo ao solicitar informações pessoais que guiarão a jornada do professor dentro da plataforma — Foto: Sarah Souza/TechTudo A interface guiada facilita o uso e reduz a curva de aprendizado, enquanto a geração de conteúdos é rápida e já estruturada para aplicação em sala. Recursos como tradução integrada e variedade de ferramentas ampliam as possibilidades de uso.
Professores destacam a praticidade da plataforma, mas reforçam a importância da curadoria pedagógica para garantir alinhamento com os objetivos de ensino.
Plataforma gera conteúdos estruturados com foco no uso em sala e organização do planejamento — Foto: Sarah Souza/TechTudo Na experiência da professora Marceli Stein, por exemplo, o uso dessas ferramentas já faz parte da rotina pedagógica: “utilizo ferramentas de inteligência artificial no meu dia a dia como professora, especialmente no apoio ao planejamento pedagógico e à organização de materiais”. Ela reforça que o mais importante é a curadoria docente: “todas as propostas passam por adaptação e curadoria para garantir alinhamento com os objetivos pedagógicos”.
O plano gratuito oferece acesso a mais de 80 ferramentas para professores e mais de 50 para estudantes, além de recursos como chatbot educacional e insights de aprendizagem. O plano gratuito atende bem ao uso inicial, com acesso a diversas ferramentas para professores e estudantes. Já a versão paga amplia o uso com recursos ilimitados e funcionalidades avançadas, com valores a partir de US$ 8,33 por usuário ao mês no plano anual. Há também opções voltadas para escolas e redes de ensino, com integração a sistemas educacionais e maior controle administrativo.
O Teachy aposta na simplicidade e agilidade. A ferramenta funciona por meio de um fluxo guiado de perguntas que gera automaticamente planos de aula e atividades.
Nos testes, foi possível criar cronogramas e conteúdos completos em poucos minutos, o que torna a plataforma útil para rotinas mais intensas. A assistente integrada também amplia as possibilidades de interação.
Teachy cria planos de aula a partir de um fluxo guiado de perguntas — Foto: Sarah Souza/TechTudo O modelo baseado em créditos pode limitar o uso contínuo, mas a ferramenta se destaca pela rapidez — sendo uma boa opção para quem busca criar atividades com IA de forma prática.
Na avaliação de professores que utilizam ferramentas semelhantes no cotidiano, a organização de atividades aparece como um dos principais ganhos. A professora Marceli Stein destaca esse aspecto ao afirmar que “plataformas como Teachy e MagicSchool contribuem para a organização e estruturação de atividades, especialmente em propostas mais dinâmicas e gamificadas”.
Ferramenta gera aulas e cronogramas de forma rápida com base nas respostas inseridas, além de ter a opção de personalizar ou de contar com a ajuda da IA para criar — Foto: Sarah Souza/TechTudo O modelo de uso funciona por meio de créditos, em que cada funcionalidade consome uma quantidade específica conforme a complexidade da tarefa. A plataforma oferece recompensas diárias e bônus por indicação de novos usuários, o que permite ampliar o uso gratuito. Já o plano premium oferece acesso ilimitado às ferramentas, com valores a partir de R$ 29,90 mensais no plano anual.
Qual IA vale mais a pena para professores?
A melhor ferramenta de inteligência artificial para professores depende do tipo de uso. Plataformas guiadas, como MagicSchool e Teachy, oferecem mais agilidade, enquanto ferramentas abertas, como ChatGPT, permitem maior personalização.
- O ChatGPT se destaca pela flexibilidade
- O NotebookLM é ideal para trabalhar com materiais próprios
- O MagicSchool oferece experiência mais completa para o ambiente escolar
- O Teachy prioriza rapidez e simplicidade
Na visão dos professores entrevistados, o uso mais eficiente dessas ferramentas está diretamente ligado à mediação pedagógica e à intencionalidade no uso da tecnologia. O professor Rodrigo Reis reforça essa ideia ao destacar que “o ChatGPT foi a ferramenta que mais gostei pela versatilidade”, principalmente por apoiar desde a criação inicial de ideias até a estruturação final de materiais.
Ele complementa que “o maior benefício vem quando a IA entra no processo como apoio ao professor, e o maior problema aparece quando ela é usada sem mediação ou revisão”, evidenciando que o impacto da tecnologia depende diretamente do uso crítico e da participação ativa do docente ao longo de todo o processo.
IA na educação: vale a pena usar no dia a dia?
O uso de IA na educação já impacta diretamente a rotina docente ao reduzir o tempo de planejamento e ampliar as possibilidades de criação de atividades. Nos testes, todas as ferramentas geraram conteúdos estruturados em segundos, aumentando a eficiência do trabalho pedagógico. Na prática, o principal ganho está na organização e produtividade, permitindo que professores foquem mais na mediação em sala e no acompanhamento dos alunos.
Segundo Andre Gusman, CEO do Grupo Raiz Educação, “a IA não substitui o planejamento, mas torna esse processo mais eficiente e mais conectado às necessidades reais da turma”, consolidando o papel complementar da inteligência artificial no ambiente educacional.
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