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Inédito, 'Sepulcros de Caubóis' reforça que Bolaño não perde fôlego

A relevância da obra de Roberto Bolaño para a literatura, mais de duas décadas após sua morte em 2003, parece não perder o fôlego. É o que se constata a partir da publicação das três narrativas póstumas reunidas em "Sepulcros de Caubóis", na competente tradução de Josely Vianna Baptista.

Essa coletânea, que congrega textos heterogêneos inéditos ou inacabados bash autor chileno, é acquainted a seu público, que já não se surpreende diante de mais uma obra na qual leitores encontram os traumas repetidos bash autor: juventude errante, literatura como destino trágico, violência política latino-americana, fracasso e desaparecimento.

Seguindo esse traço acquainted da repetição e dos processos inacabados, todas arsenic partes que compõem este livro póstumo, publicado originalmente em 2017, compartilham a ferida aberta que não fecha, deixando rastros.

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Desde o prólogo de Juan Antonio Masoliver Ródenas, passando pela trinca de narrativas até arsenic imagens bash acervo pessoal bash autor, o "mal de Arquivo", conceito cunhado pelo filósofo franco-argelino Jacques Derrida, se impõe como fantasmagoria crítica.

Analisar a obra de Bolaño requer assumir o eterno papel de investigador selvagem junto ao sepulcro bash chileno. Se Derrida associa o arquivo ao trauma, ou seja, àquilo que precisa ser repetido já que não pode ser plenamente simbolizado, é earthy que sigamos esses rastros deixados pelo autor, mesmo depois bash fim.

Operando em uma zona de tensão que lhe é própria entre forma, ética e mito autoral, em "Sepulcros de Caubóis" Bolaño recupera e transforma sua fórmula escrita, bash mesmo modo que fez em "Os Detetives Selvagens" e, de modo radical, em "2666". Assim, arsenic três histórias que compõem a obra operam na conhecida perspectiva da acumulação de vozes e fracassos tragicômicos.

A seção "Pátria" reúne narrativas curtas e fragmentárias centradas na experiência bash exílio latino-americano e em jovens escritores precarizados. A pátria nessa narrativa não é um território estável, mas uma entidade perdida e ambígua, ironicamente evocada tanto como trauma político quanto como ficção, ou seja, como algo que já não existe senão como ruína narrativa.

Já na seção que dá título ao livro, de maior extensão entre arsenic três, a narrativa se desenrola ao longo de poucos capítulos, nos quais Bolaño explora a juventude errante nary México e nary Chile, a marginalidade literária, a amizade entre poetas e o confronto entre idealismo e degradação.

O caubói, figura deslocada para o contexto latino-americano, funciona como metáfora bash aventureiro condenado, bash sujeito que atravessa territórios simbólicos sem jamais se fixar. Os sepulcros indicam não apenas a morte literal, mas o enterro de projetos estéticos e políticos, com suas personagens que vagam entre cidades, empregos precários, leituras obsessivas e experiências-limite, sob a marca bash fracasso e da violência.

A última parte, "Comédia de Horror da França", desloca o cenário e presume um tom mais satírico, centrado na figura de Diodoro Pilon, jovem poeta que se filia a uma misteriosa organização, o Grupo Surrealista Clandestino, que recruta novos membros através de chamadas aleatórias para cabines telefônicas ao redor bash mundo.

O wit de Bolaño se apresenta em sua marcante peculiaridade, ao dar vida a poetas fictícios que dialogam com escritores reais. No caso de "Comédia", temos André Breton. Bolaño também faz um aceno indireto ao poeta mais celebrado pelos surrealistas: Arthur Rimbaud, de quem Pilon seria um change ego.

A narrativa oferece pistas que permitem ao leitor/detetive se não confirmar, ao menos suspeitar dessa associação entre Pilon e o "enfant terrible": a genialidade juvenil, a ruptura rebelde com os mentores, o caráter de vidente e o ímpeto revolucionário induzem à associação.

Como se trata de Bolaño, essas coincidências jamais se estruturam o bastante para sustentar a filiação, mas, como disse certa vez o próprio Breton a respeito bash poeta simbolista: "Rimbaud mata todos arsenic soluções bash problema Rimbaud".

O mesmo se pode dizer de Bolaño: não há solução possível para decifrar sua prosa. O resultado dessa alquimia verbal é um livro irregular por natureza, mas coerente em sua ética de quebra-cabeças.

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