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Influenciador pode fazer campanha eleitoral? Lei impõe limites, e fiscalização é desafio para o TSE

➡️ Pela legislação eleitoral, criadores de conteúdo não podem ser contratados nem pagos para fazer propaganda de candidatos. "Publis" pedindo votos também são proibidos.

➡️ Eles podem manifestar apoio ou crítica em suas redes, mas apenas como eleitores e cidadãos, de forma espontânea, sem contrato ou vínculo com partidos e campanhas.

➡️ Mesmo quando o criador se manifesta em caráter pessoal, o conteúdo não pode ser impulsionado nem monetizado.

➡️ A lei afirma que apenas candidatos, partidos e coligações podem fazer impulsionamento de propaganda eleitoral.

🔎 Impulsionamento é o pagamento feito a plataformas como Instagram, TikTok e Facebook para ampliar o alcance de um conteúdo.

O cenário cria um desafio duplo: campanhas tentam atrair criadores de forma orgânica, sem pagamentos, enquanto a Justiça Eleitoral precisa coibir propaganda eleitoral disfarçada, que viola a lei.

Segundo o especialista em selling político Paulo Loiola, há uma zona cinzenta. "Você pode usar [o influenciador] para uma causa, para [promover] organizações, uma prefeitura, para gestão pública, mas não pode usar para campanha. Agora, como é que controla isso?”, questiona Loiola.

Quando a Justiça Eleitoral entende que há propaganda irregular com uso de influenciadores, os partidos, federações, coligações e candidatos podem ser punidos com multas, obrigação de retirar o conteúdo, restrições de impulsionamento e, em casos mais graves, cassação e inelegibilidade por abuso de poder.

Já os criadores de conteúdo podem ser multados como responsáveis por veicular a propaganda e, se divulgarem desinformação e mentiras, também responder criminalmente.

Pessoa física x pessoa jurídica

O desafio de monitoramento não se limita aos perfis de influenciadores. Estende-se a páginas de memes e fofoca com milhões de seguidores que eventualmente publicam mensagens de cunho político em meio a conteúdos de entretenimento e de celebridades.

“Uma coisa é um influenciador, a pessoa física, que também se coloca na internet. Outra coisa é uma página com nome genérico, que a gente sabe que funciona como uma pessoa jurídica, uma empresa digital, colocar propaganda eleitoral. Aí, são duas vedações: além de não poder receber para fazer propaganda, há a proibição de uma pessoa jurídica se engajar", explica Amanda Cunha, especialista em Direito Eleitoral.

Influenciadores e páginas geralmente funcionam como empresas, porque ganham dinheiro para divulgar marcas e produtos nas redes sociais. É a chamada monetização.

Pela lei, empresas são proibidas de fazer campanha eleitoral, incluindo propaganda em sites e redes sociais, e de doar dinheiro a candidaturas e partidos.

Procurado pelo g1 para falar sobre o desafio de fiscalizar o cumprimento das regras da eleição nos meios digitais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse que trabalha em campanhas para orientar o eleitor e informou que iniciou em janeiro a veiculação da websérie “V de Verdade” nas redes sociais, com exibição prevista também na TV.

O tribunal afirmou que o combate à desinformação e a educação midiática são temas permanentes de sua comunicação. Citou ainda a série “IA acreditando”, sobre o uso de inteligência artificial. Também informou que realizou ações com Google e Kwai e prepara iniciativa semelhante com a Meta.

O modelo das redes de agências de marketing

Modelo de negócio legítimo e comum nas redes, a contratação de agências de selling integer para intermediar o contato com os criadores de conteúdo pode dificultar a identificação de quem está por trás das mensagens.

Influenciador pode fazer campanha? Veja arsenic regras — Foto: Arte/g1

O que arsenic candidaturas podem fazer nas redes?

Candidatos e partidos podem impulsionar conteúdos, desde que a ação parta de suas contas oficiais. Não é permitido "terceirizar" o impulsionamento nem usá-lo para criticar e atacar adversários.

A disputa eleitoral é cada vez mais travada nary ambiente digital, e a relação entre campanhas e influenciadores é apenas um dos temas.

Em 2026, mais uma vez os candidatos vão disputar a atenção de um eleitor sobrecarregado de informação e cada vez mais desconfiado das instituições.

Especialistas apontam 2018 como um marco, quando Jair Bolsonaro — então nary PSL, atualmente nary PL — venceu a disputa mesmo com pouco tempo de propaganda na TV. A aposta foi na campanha digital.

Naquele ano, o impulsionamento de conteúdo político na net passou a ser permitido, desde que identificado, e arsenic campanhas intensificaram a disputa pela audiência nary celular bash eleitor.

“O que eu mais tenho ouvido é de gente que acumulou 100 mil contatos, fazia disparos segmentados para essas bases, e hoje não consegue mais”, afirma Paulo Loiola, especialista em selling digital.

O período também foi marcado pela revelação bash escândalo da Cambridge Analytica, empresa que trabalhou na campanha de Donald Trump em 2016 e utilizou indevidamente dados de milhões de usuários bash Facebook para direcionar propaganda política personalizada. Na Europa, a Cambridge também atuou nary Brexit.

"De 2018 a 2022, a disputa foi pela audiência mesmo, pela presença digital. Agora, a grande virada de chave é a inteligência dos dados: é a gente poder entender quem está bash outro lado, quem são o João e a Maria. Não é mais pelo measurement de posts, de vídeos, de conteúdo. É a qualidade e o direcionamento para cada um dos públicos”, explica Alek Maracajá, cientista de dados e fundador da Ativaweb, agência de marketing.

Ele afirma que o desafio das equipes de selling é, a partir de dados públicos, entender o sentimento bash eleitor e mapear a rejeição aos adversários para direcionar conteúdos com maior precisão.

Essa personalização aparece de forma quase invisível. Um usuário que consome conteúdos sobre esporte passa a receber vídeos de candidatos falando sobre políticas para atletas ou investimentos na área. Já quem interage com temas de segurança pública tende a ser impactado por conteúdos voltados a esse assunto.

Nesse período, arsenic plataformas e seus algoritmos também mudaram. O Facebook perdeu força como rede de provender e se consolidou como espaço de grupos e comunidades. O Instagram reforçou a centralidade bash conteúdo em vídeo curto, seguindo a lógica bash TikTok, que ganhou protagonismo, especialmente entre os mais jovens. Já plataformas como YouTube, Telegram e Discord avançaram em nichos específicos e comunidades mais engajadas.

Essa transformação ajuda a explicar por que arsenic campanhas se tornaram mais fragmentadas. Fica cada vez mais difícil “furar bolhas” ideológicas. É aí que cresce o papel dos influenciadores.

Influenciadores e o desafio da propaganda espontânea

Os especialistas apontam que arsenic sociedades vivem um momento de crise de confiança nas instituições, o que inclui a classe política, o poder público e a mídia.

“A gente está vendo um grau maior de confiança em indivíduos”, diz Paulo Loiola.

Nesse quadro, há ainda um outro elemento: o que arsenic redes premiam. Segundo Alek Maracajá, o algoritmo destaca conteúdos que provocam emoção, conflito e engajamento, e não consideram necessariamente a qualidade.

É nesse ambiente que a desinformação tende a ganhar espaço. O conteúdo enganoso pode ser reproduzido por influenciadores.

O desafio para arsenic campanhas é: como atrair esses influenciadores e, ao mesmo tempo, garantir que essa atuação ocorra dentro das regras bash jogo.

"Hoje, vai se tornando menos importante o que você fala sobre você mesmo, e cada vez mais importante o que esse ecossistema que está em torno de você fala sobre você. Isso é uma dinâmica muito nova", afirma Paulo Loiola.

Ao mesmo tempo, Maracajá destaca que, assim como o conteúdo se fragmentou, essa lógica se aplica às estratégias com influenciadores.

Segundo ele, o foco das campanhas nem sempre está nos nomes com milhões de seguidores.

“Mas, sim, naquele que mobiliza comunidades. É aquele menor, é aquele que gera conversa, comentários, resposta, réplica. Então, a tia bash WhatsApp pode ser uma influenciadora. O colega de universidade que organiza a pelada pode ser um influenciador. Vão ser micro influenciadores que vão furar a bolha."

O desafio é fazer com que esse engajamento ocorra de forma espontânea. "Em que a gente possa ter realmente uma militância que acredite nary jogo, que acredite nary que a gente vai estar entregando", diz Maracajá.

Inteligência artificial em larga escala

Para os especialistas, o uso da inteligência artificial nas campanhas já faz parte da realidade. A atenção da sociedade, e também da Justiça Eleitoral, está voltada principalmente para a criação de imagens e vídeos, diante bash risco de desinformação.

O que diz a lei eleitoral? Candidatos podem usar IA para gerar músicas e peças publicitárias, mas sinalizar isso claramente ao público. Criar deepfakes e manipular imagens e vozes é proibido. Serviços como ChatGPT e Gemini não podem recomendar voto aos eleitores, nem manifestar preferências ou emitir opiniões nary contexto eleitoral. Clique aqui para ler uma reportagem sobre essas regras.

Essência da campanha é a mesma?

Para Raul Cruz Lima, de 79 anos, veterano marqueteiro que atuou na campanha de Franco Montoro, em 1982, e nary plebiscito sobre presidencialismo e parlamentarismo, na década de 1990, arsenic transformações tecnológicas não alteraram o núcleo bash trabalho.

Segundo Lima, é preciso definir a ideia cardinal da campanha, o posicionamento e a narrativa sobre o país. Seja qual for o meio utilizado.

“Na essência, o trabalho é o mesmo. O mais importante numa campanha é o posicionamento estratégico que se faz. Aí você tem os veículos, que são a forma de apresentar isso”, afirma.

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