A natureza e a forma na qual ela funciona de maneira autossuficiente já existe muito antes dos humanos se organizarem como sociedade. Por isso, a observação de características biológicas do meio ambiente pode fazer com que a humanidade aprenda um pouco sobre como se organizar de maneira sustentável. Então, a biomimética desenvolve papel humanitário relevante, por se tratar da área científica que se inspira na natureza para criar soluções adaptadas.
Esse campo de estudo não está restrito apenas às ciências da natureza, como a química, a biologia, a física ou até a medicina, mas também está presente em diferentes frentes de estudo, como na arquitetura, nas engenharias e até na robótica. Dentre as muitas áreas nas quais é útil, a biomimética já demonstra avanços significativos, por exemplo, na possibilidade de não precisar de aparelhos de ar-condicionado, ao se basear na arquitetura de casas de cupins, ou formas mais eficientes de preservar a natureza.
Inovações baseadas na natureza podem reduzir custos e impactos ambientais — Foto: Reprodução/Pexels Como a biomimética funciona?
Segunda a revista de pesquisa Fapesp, a biomimética é estruturada a partir da observação da natureza e tem como objetivo entender como funcionam os sistemas de organização de materiais biológicos e de animais. A partir disso, os estudos são interpretados e aplicados em diferentes contextos, para que passem a ser úteis também em processos humanos. Isso pode ser feito através do desenvolvimento de materiais sintéticos ou de novas técnicas, sejam voltados para avanços científicos ou para implementação na indústria.
Tecnologia de cupinzeiros substitui ar-condicionado
Inaugurado em 1996, o prédio Eastgate, no Zimbábue, foi projetado pelo arquiteto Mick Pearce e tem um sistema de ventilação inspirado na natureza. Segundo o portal Terra, a solução permitiu uma economia de cerca de 3,5 milhões de dólares ao eliminar a necessidade de ar-condicionado.
O Eastgate foi inspirado na arquitetura de cupinzeiros africanos. Esses insetos constroem estruturas capazes de manter em segurança sua principal fonte de alimentação — um fungo que precisa permanecer em torno de 30 °C, mesmo com grandes variações de temperatura entre o dia e a noite. Para isso, os cupinzeiros contam com um sistema natural de correntes de ar, responsável por regular a temperatura interna.
Edifício Eastgate, no Zimbábue — Foto: David Brazier A arquitetura foi replicada na construção do prédio e consegue refrescar todos os ambientes sem a necessidade de ar-condicionado. O local apenas utiliza o auxílio de ventiladores na circulação do ar, além de chaminés no topo do prédio — inspiradas nos orifícios dos cupinzeiros —, e da própria construção, que permite a passagem de correntes de ar nos momentos certos. Essa estrutura foi pensada para economizar energia e dinheiro, além de ser uma solução que não agride o meio ambiente.
Robôs inspirados em águas vivas
Por meio de pesquisas conduzidas nas universidades de Southampton e Edimburgo, cientistas britânicos desenvolveram um robô que imita os movimentos da água-viva medusa-da-lua (Aurelia aurita). Segundo os pesquisadores, o equipamento pode ser de 10 a 50 vezes mais eficiente do que pequenos veículos usados em atividades marinhas delicadas, que normalmente utilizam hélices. Essa eficiência está relacionada à ausência de uma estrutura esquelética em animais como águas-vivas e lulas, o que torna sua locomoção na água mais econômica.
Robô inspirado em águas-vivas — Foto: University of Southampton Dessa forma, atividades como a aplicação de substâncias restauradoras em corais podem se tornar mais rápidas, eficientes e menos arriscadas. Em um comunicado oficial, destacado e traduzido pelo portal de sustentabilidade eCycle, os pesquisadores afirmam: “Esta maior eficiência, combinada com os benefícios adicionais do exterior macio e flexível do robô, o tornaria ideal para operar perto de ambientes sensíveis, como recifes de corais, sítios arqueológicos ou mesmo em águas lotadas de nadadores”.
Além dessas, outras aplicações da biomimética já foram realizadas, como: a geração de energia renovável, a partir de turbinas eólicas inspiradas na fisiologia das nadadeiras de baleias jubarte; a fabricação de materiais resistentes, a partir da observação da estrutura de conchas e dentes; a fabricação de vidros e tecidos, com base no estudo da estrutura da flor de lótus, que tem folhas que impedem a absorção de água; entre muitas outras. Os projetos estão espalhados por diversos campos de estudo e continuam a surgir com frequência.
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