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Inteligência Artificial promete transformar a reciclagem em algo lucrativo

A Inteligência Artificial pode transformar a reciclagem de lixo eletrônico em uma atividade mais rápida, segura e lucrativa, por meio da automação do processo de desmontagem de aparelhos. Segundo o doutor em engenharia e especialista em robótica José Francisco Saenz, em entrevista ao portal Terra, já é possível treinar robôs para separar componentes e reaproveitar materiais sem expor trabalhadores a substâncias tóxicas, como mercúrio e chumbo.

A promessa surge em meio às preocupações ambientais provocadas pela expansão da própria IA. Os data centers que sustentam essa tecnologia consomem grandes volumes de água e eletricidade, dependem de minerais e elementos raros extraídos de forma pouco sustentável e contribuem para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a popularização de dispositivos tecnológicos impulsiona a geração de lixo eletrônico, um dos resíduos mais difíceis de reciclar.

 Reprodução/Pexels Lixo eletrônico pode ser reciclado com a ajuda da IA — Foto: Reprodução/Pexels

IA abre caminho para reciclagem mais eficiente

Na Alemanha, o doutor em engenharia e especialista em robótica, José Francisco Saenz, explicou em entrevista para o portal Terra que junto ao Instituto Fraunhofer para Operação e Automação de Fábricas, em Magdeburg, participaram em 2019 de um projeto financiado pela União Europeia. Na época, foram feitas tentativas de automatizar a reciclagem com robôs, o que não deu certo no primeiro momento. Saenz mergulhou no projeto por dois anos e meio, sem recursos de investidores. Agora, ele explica ser possível ensinar robôs a desmontar vários tipos de aparelhos, fazendo com que o processo de reciclagem fosse mais rápido e mais rentável.

O projeto é considerado promissor, sendo necessário para a reciclagem dos materiais um braço robótico, uma caixa de ferramentas dedicada e uma câmera. Com isso, um robô é assistido por IA e desmonta computadores de mesa antigos. No futuro, é esperado que esse sistema, uma vez desenvolvido, consiga desmontar vários celulares, laptops, eletrônicos de linha branca e baterias de automóveis movidos a energia.

Reciclagem de eletrônicos segue em ritmo lento

Segundo o monitor global de lixo eletrônico, Global E-waste Monitor 2024, da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil está à frente de outros países da América do Sul na produção desses resíduos. São 2,4 milhões de toneladas de lixo desse material produzido, representando uma perda de bilhões de dólares em recursos naturais. E o pior é que só 3% do montante desse material é reciclado no país. Outro ponto é que a reciclagem desses resíduos é predominantemente manual, reduzindo a escala e torna o processo mais demorado. No entanto, existem iniciativas que tentam encarar esse desafio, como a Circoola Brasil, no Rio de Janeiro. O projeto carioca conta com a logística circular, que foca no reúso, no reparo e na reciclagem de resíduos eletrônicos em vez do descarte desses materiais e utiliza inteligência artificial para dar nova finalidade aos produtos.

 Reprodução/Cicoola Brasil Projeto Circoola Brasil ajuda na reciclagem de lixo eletrônico — Foto: Reprodução/Cicoola Brasil

Produtos eletrônicos, como computadores, cabos e celulares, são coletados na casa das pessoas, e o projeto, com o uso da tecnologia, identifica o tipo de material, categoriza os resíduos, organiza o trajeto e os destina a recicladores certificados. Por meio dessa iniciativa, a Circoola Brasil viabiliza o desmonte e a reutilização desses materiais com mais segurança e maior aproveitamento, ajudando a indústria da reciclagem a ser mais lucrativa e a utilizar melhor os recursos naturais. Segundo a Organização das Nações Unidas, calcula-se que cerca de US$ 62 bilhões em recursos naturais sejam descartados como lixo eletrônico no mundo.

Em entrevista ao portal G1, o diretor de operações do projeto, Lucas Palazzo, explicou que as pessoas querem descartar corretamente, mas por falta de informações corretas, não sabem onde levar o lixo ou se aquele produto pode ser reciclado. Para enfrentar esse problema, eles criaram um processo simples, acessível, que funciona na porta da casa do cliente.

O tesouro escondido do lixo eletrônico

Muitos desses materiais eletrônicos, descartados de maneira incorreta, como smartphones e laptops, contêm metais raros e preciosos, como ouro, prata, cobalto, lítio, manganês e níquel. Alguns desses materiais, são os chamados ímãs de terras raras, muito valiosos e disputados no mundo todo. Para se ter uma ideia, um iPhone, por exemplo, contêm ouro, prata, paládio e menos de um miligrama de platina. Além deles, são encontrados nesses celulares metais comuns, mas também significativos como o alumínio e o cobre.

Vale destacar que todos esses elementos estão presentes em pequenas quantidades dentro dos smartphones. Porém, segundo a DataReportal, estima-se que existam mais de 5,78 bilhões de usuários únicos de telefones no mundo, representando cerca de 70% a 78% da população mundial com 10 anos ou mais. Se considerarmos essa quantidade de celulares no mundo, conforme a empresa britânica Astute Groupe, uma tonelada de smartphones descartados rende mais ouro que uma tonelada de minério bruto, onde o material é extraído. Contudo, muito pouco desse material é aproveitado.

Essa matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Conheça o projeto aqui 👈

 Divulgação/Um Só Planeta Um Só Planeta atualizado — Foto: Divulgação/Um Só Planeta

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